quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

ANIMAGO MORTIS - Capítulo XV – Antes Tarde Do Que Nunca Mais

ANIMAGO MORTIS

Capítulo XV – Antes Tarde Do Que Nunca Mais

Após um jantar não muito bem apreciado, Nicolai tentou voltar a se concentrar em suas lembranças para que estas fossem depositadas na penseira. Estava começando a se sentir mal por ter que ficar lembrando de uma série de coisas antigas que preferia esquecer pra sempre. Havia concordado de boa vontade no início, pois não achava que seria tão chato e tão demorado. Estava exausto. Só tinham se passado algumas horas desde que despertou pela primeira vez em 20 anos como sendo um ser humano novamente e se via em meio a montes de explicações a dar. E o pior ainda estava por vir...

Ainda tinha esse maldito Ministério em seu encalço. Se ele não tivesse ficado desacordado por cinco dias, certamente teria sido levado à julgamento na mesma hora em que conseguiu libertar-se da maldição Animago Mortis. Ele seria julgado de ser uma animago ilegal, um comensal da morte e um assassino... bem, ele realmente era tudo isso, mas será que não poderiam dar-lhe uma pequena trela, um tempo suficiente para respirar oxigênio com pulmões humanos?

Estava se decidindo a não manter nenhuma convicção de herói de quinta categoria, dizendo que tudo o que fizera foi por bem, que se aliou à Voldemort apenas para destruí-lo, manteve sua animagia oculta de todos apenas para isso. Quantos aos assassinatos, a menos que Dumbledore contasse isso ao Ministério, ninguém saberia, além deles. Ele seria julgado, sim, pelo assassinato do sujeito que quase matou Hermione... mas, provavelmente seria absolvido disso sob a condição de legítima defesa.

Quanto aos seus outros dois crimes, estava decidido que jogaria a culpa em terceiros. Jogaria a culpa no próprio Voldemort e também em seus pais, alegando que foram eles que o persuadiram a entrar pro Círculo das Trevas, o que, de fato, era verdade. Ele tinha apenas dezesseis anos quando seus pais o deram de presente à Voldemort. E fora apenas neste momento que viera a descobrir o verdadeiro motivo da mudança repentina de seus pais da Rússia para a odiosa Inglaterra.

Como era tolo naquela época. Achava que conhecia muito bem todas as coisas quando não passava apenas de um adolescente iludido que passara tempo demais em frente à livros e vislumbrado pelos conceitos de nobreza e tradição de uma família de bruxos autênticos.

Já eram quase dez horas da noite, hora da ronda noturna de Hermione. E tudo que queria agora era estar em seus braços, embalado pelo calor e perfume de lírios da menina. Maldita hora em que venceu a maldição! Tantos anos para isso ter acontecido e fora acontecer justo quando ele tinha tudo a perder! Conhecendo Hermione como conhecia, ele duvidava que ela lhe aceitaria sendo quem era... provavelmente ela nem sequer ainda tinha assimilado os novos fatos, coisa que ele mesmo ainda não conseguira assimilar.

Preferia manter-se para sempre como Crookshanks, tendo o carinho e aconchego de Hermione, do que perdê-la para sempre, sendo um ser humano. Que ironia. Agora que parecia que tinha sua vida de volta, ela talvez estivesse prestes a ser tomada novamente. Se ele fosse mandado para Azkaban, perderia sua vida de novo e... perderia Hermione para sempre! Talvez tivesse sido melhor ter morrido naquele sábado sob a identidade de Crookshanks.

Estava cansado. E estava ficando deprimido.

Dumbledore se compadeceu com a exaustão do rapaz. Ele sabia que estava exigindo muito de Nicolai, mas tinha um pressentimento de que o garoto merecia voltar a ter uma vida normal, independente se ele viesse ou não a se juntar na luta contra as Trevas. Ele já deu sua contribuição a esse respeito uma vez e foi punido cruelmente por isso. Ele, definitivamente, merecia uma segunda chance.

_Eu sei que está cansado, filho, mas precisamos estar com argumentos certos para enfrentar o Ministério... amanhã eles virão buscá-lo.

_Me buscar?! E eu já serei levado para Azkaban?!

_Não, você será levado para o prédio do próprio Ministério. Ficará na sala de custódia até o seu julgamento.

_Por quê?! Eu não poderei aguardar aqui em Hogwarts mesmo? Eu não irei fugir! Se for essa a minha única chance de consertar a minha vida... terminar meus estudos, obter o perdão de minha família... tê-la de volta...

Sua voz sumiu num sussurro no final da frase, deixando-se cair pesadamente numa poltrona em veludo vinho, sentando-se praticamente sobre as costas. Leva as palmas das mãos aos olhos, esfregando-os vigorosamente. A enxaqueca que sentiu assim que acordou parecia querer voltar com força total.

A idéia de ser levado para o Ministério sob custódia tirara toda a sua energia. Sempre esteve a par de todos os fatos e notícias e sabia o quanto o Ministério da Magia andava intolerante. E se ele fosse condenado, por mais que Dumbledore intercedesse a seu favor? Nunca mais veria Hermione...

E isso estava latejando em sua cabeça.

Não queria ter como última lembrança dela, aquela quase tragédia. Não queria ter como última lembrança aquela figura frágil e ferida. De todas as suas más lembranças, mesmo as piores, essa de Hermione sendo machucada por um maníaco era a que doía profundamente no peito.

Sabia que ela estava bem, o que, obviamente, era um alívio. Mas precisa vê-la. Precisava sentir a suzuran que exalava dela... e, se possível, estar em seus braços pela última vez...

Ele certamente não conseguiria isso e essa nova situação lhe dava medo, não sentia-se preparado para assumir nada agora... mas Crookshanks... Hermione devia estar sentindo muito a falta dele.

_Perdão, professor... eu sei que está fazendo tudo isso por mim e lhe serei eternamente grato por isso, mas... eu preciso fazer algo antes... se eu for levado pelo Ministério amanhã, talvez nunca mais volte... eu preciso vê-la.

_'Vê-la'... quer se despedir da sua namorada, a Madame Nor-r-ra? – Snape desprendia sua atenção da Penseira para um comentário mais que sarcástico, dirigindo um sorrisinho afetado e divertido para Nicolai, que devolveu um sorriso forçado entre os dentes.

_Sabia que censo de humor não combina contigo, Severus? – Nico colocava-se em pé, puxando os cabelos para trás numa falsa dramatização teatral. _Oh, Merlim! Se até o sádico tirano me vem com essa piadinha óbvia, o que virá desse bando de alunos acéfalos de Hogwarts?!

_Eu estava estranhando de você não ter tocado nesse assunto antes, mesmo crendo intimamente que esse era seu maior desejo desde que despertou. – Dumbledore tinha um sorriso leve e sincero nos lábios, olhando para Nico por sob os óculos. Snape o olhava intrigado, pois não sabia ainda do que se tratava.

_Vá filho, procure-a! Ela é a sua maior razão de estar aqui conosco hoje...

*


Hermione prendia duas mechas de cabelos atrás da cabeça com uma delicada fivela. Seus cachos pendiam-se soltos e sedosos por suas costas, indo até a cintura. Ela havia sido dispensada de suas obrigações de Chefe dos Monitores por toda a semana, devido ao trágico acontecimento do sábado passado. Nisso, incluíam-se suas rondas noturnas. Mas com todos os acontecimentos ruins do dia, ela resolveu fazer sua ronda para ajudar a espairecer um pouco.


O dia de hoje havia sido um pouco demais da conta. Em menos de quatro horas, havia brigado com seus dois melhores amigos. Rony até mereceu o que recebeu, mas Harry... uma pressão sufocava em sua garganta ao se lembrar disso. Ela fora rude demais com o pobre menino... ele não merecia aquela grosseria de sua parte.

Mas o que estava feito não podia ser mudado. Então, o melhor seria se distrair com algo. Andar pelos corredores desertos e silenciosos do castelo lhe ajudava a colocar as idéias no lugar. E hoje era lua cheia. Gostava da luz intensa que adentrava o corredor principal através dos grandes vitrais.

Esquecer. Refletir. Colocar idéias em ordem. Decidir quais atitudes iria tomar. Tentar reencontrar-se. Tentar voltar a ser como antes era, ao menos para todos que estão de fora.

Levantou-se da penteadeira indo até sua cama e pegando a capa negra e a varinha. Ajeitou esmerosamente sua capa sobre o corpo e escondeu sua varinha na manga. Era hora da velha Hermione voltar. Já havia passado da hora. O fato de todos estarem se metendo tanto em sua vida era por estar demonstrando sua fraqueza e fragilidade. Ela não deveria demonstrar seus sentimentos dessa forma. Agora via o quanto poderia ser desastroso ser emotiva.

E ela não era emotiva. Era racional. Ponderada. Crítica. Era essa Hermione que tinha que se vista por todos. A menina-moça de 17 anos deveria ficar oculta por essa máscara. Apenas um alguém teve esse privilégio de conhecê-la tão intimamente, mas isso porque acreditava que ele era o que aparentava. Mas não era. E não mais existia.

Confiar seus sonhos e suas tristezas a seus amigos? Jamais. O dia de hoje provara que nenhum deles é confiável, logo indignos. E aquela Gina, fazendo-se de sonsa para saber das coisas... a ruivinha estava se revelando uma pequena víbora! Por que ela fora contar aos outros o que havia lhe dito hoje a tarde, às margens do lago? Traidora. Inocente cínica.

Hermione descia a escadaria do dormitório feminino de queixo erguido, como antes era. Ela era Hermione Granger, melhor aluna de Hogwarts dos últimos vinte anos, chefe dos monitores. Ela era superior a todos ali e é dessa forma que deveria portar-se, embora tal alcunha não lhe agradasse. Mas era a intragável sabe-tudo que todos respeitavam, não a menina Hermione por baixo da máscara.

O Salão Comunal estava abarrotado de alunos de vários anos. Como praxe, Rony e Harry jogavam xadrez bruxo numa das mesas próximas à lareira. Gina, os irmãos Creevey e mais três garotinhas da turma de Gina conversavam animadamente próximos à Harry e Rony. Lilá e Parvati jogavam charme para um grupo de garotos do sétimo ano, entre eles Dean, Seammus e Neville. Quando Hermione mostrou-se visível no Salão, Pavarti se calou instantaneamente, a observando curiosa.

Mas somente quando Gina chamou por Hermione, que passava por todos calma e desinteressadamente, que Harry e Rony a notaram. Ambos a olharam primeiramente de forma curiosa. Rony apenas deu de ombros, voltando a se concentrar no jogo, mas em Harry um misto de mágoa e raiva ardiam em seu peito.

_Mione! Que bom que você desceu! Estamos planejando um encontro pro próximo fim de semana em Hogsmeade... que tal nos dar algumas idéias? – Perguntava uma sorridente Gina, levantando-se e indo em direção à Hermione.

_Ah.. desculpe Gin, mas agora não vai dar.

A ruivinha segurava uma das mãos de Hermione, olhando em seu rosto minuciosamente. Havia uma certa admiração em seu olhar.

_Nossa! Por que está tão bonita assim, Mione? Adoro quando você prende essas mechas da lateral, deixa seu rosto aparecer mais... e fica muito bonito... onde você vai?

Hermione corou levemente com a declaração tão sincera, amargando internamente o conceito que acabava de desenvolver pela menina. O único defeito de Gina, pelo jeito, era a sua ingenuidade, que a deixava muito bobinha. Ela jamais teria mau caráter de prejudicar alguém de forma proposital.

_Nossa... obrigada, Gin! Mas eu só irei fazer a minha ronda noturna, já está na hora.

_Mas a Prof McGonagall a dispensou de suas funções de Chefe dos Monitores por toda a semana... por que você iria hoje? – Harry perguntava secamente, intrometendo-se na conversa.

Hermione virou-se, deparando-se com os mesmos olhos verdes e flamejantes daquele desentendimento com Rony. Por que ele começou a agir dessa forma, ela não entendia.

_É minha função, Harry. Já está na hora de voltar à rotina. Eu estou perfeitamente bem, não tenho o que ficar adiando mais isso.

Dito isso, a menina despediu-se de todos com um doce sorriso, saindo rapidamente do Salão. Gina virou-se para Harry, com um largo sorriso.

_Uau, Harry! Seja lá o que você falou com ela no jantar, deu muito certo! Ela parece ótima! Está como sempre foi!

_Claro, Gin! Se Harry pode até com Você-sabe-quem, o que diria com uma garotinha mimada e temperamental. – Dizia Rony, sarcasticamente, batendo a mão no ombro de Harry, que permanecia estático, como se estivesse assimilando a situação.

*


Hermione rumou diretamente para a sala particular da Profª MacGonagall, batendo na porta logo em seguida. Não tardou muito e a professora logo veio atender. A recebeu com um olhar surpreso, desmanchando-se logo num sorriso, ao ver que a menina estava muito tranqüila e também sorridente.


_Só vim desejar-lhe boa noite, professora. A partir de hoje voltarei as minhas atividades de rotina. Não há razão eu deixá-las de lado.

_Oh, mas é claro, querida. Sente-se bem mesmo, não é?

_Claro, professora, estou perfeita... estou como antes.

_Isso é ótimo! Então, tenha uma boa ronda.. e uma boa noite também.

_Obrigada, professora. Boa noite.

Hermione girou em seus calcanhares e já estava afastada de Minerva em alguns passos quando a velha professora chama sua atenção com uma exclamação. A menina vira-se curiosa para a professora, que parecia um pouco preocupada.

_É provável que ainda não saiba, mas é melhor que seja informada por mim do que por fofocas de alunos pelos corredores...

A garota, que havia se aproximado novamente, a olhava intrigada, com a sobrancelha vincada. Pela expressão de Hermione, Minerva teve certeza de que ela não sabia de nada.

_Bem... o rapaz animago, Nicolai Donskoi, finalmente se recuperou e despertou hoje no fim da tarde...

Hermione sentiu seu estômago gelar, espalhando ar frio por todo o peito. Por mais que se controlasse para não demonstrar nada, sua respiração se alterou um pouco. Suas sobrancelhas se estreitaram ainda mais, enquanto prensava fortemente sua mandíbula. Serrou as mãos em punho, enquanto aguardava ansiosa pelo que mais a professora tinha a dizer a respeito.

_...ele está bem e.. está com o Diretor...

Minerva levou sua mão ao rosto da menina instintivamente, como se quisesse consolá-la. Hermione apenas esboçou um sorriso com a surpresa do gesto.

_Filha, as coisas estão diferentes agora, sei que é confuso... mas não se iluda e misture os fatos. Crookshanks, seu gatinho, ainda vive, mas ele não existe mais.. você entende, não é?

_Claro, professora... – Hermione reforçava a resposta com um assentimento de cabeça. _... e Shanks não existe mais, não... ele morreu, naquele sábado.

_Se é assim que pensa.. muito melhor. Agora vá para sua ronda, querida. E não se preocupe, ninguém irá importuná-la... bem, talvez um ou outro aluno fora da cama, mas... é a nossa rotina.

McGonagall despediu-se apenas com um sorriso, retribuído pela menina. Já bastante afastada da sala particular da professora é que se permitiu relaxar para saborear sua ansiedade. Ela tinha mesmo muito que refletir e agora lhe fora dado a prioridade de qual pensamento pôr em ordem. É, tinha muito que pensar...

*


_'Vê-la'? A quem Nicolai se referia? Não é a Srta Granger, é?


Snape olhava intrigado para um sorridente Alvo Dumbledore, que ainda fitava a porta por onde saia apressado um imenso gato persa.

_E você acha que existe alguém ou algum motivo de maior vital importância para ele do que a Srta Granger?

_Er.. bem.. ela o tinha como animal de estimação e... o senhor acha que ele se deixou influenciar tanto assim por ela? Perdoe-me, mas isso não corresponde em nada à personalidade e criação dele...

_Ao Nicolai que estudou contigo certamente não... – Alvo se virava para Snape, ainda com um sorriso suave no rosto. _Severus, você é um grande estudioso e pesquisador, sabe muito sobre magia negra... então sabe qual o contrafeitiço da Animago Mortis, não é?

_Sim, claro.. embora não seja uma maldição nada comum, muito pelo contrário, mas... o contrafeitiço pode ser um simples Finite Incantatem, desde que quem o faça seja mais poderoso que aquele que conjurou a maldição.

_...ou se o próprio amaldiçoado desenvolver, nem que seja por instantes, uma força ainda muito maior que o bruxo que conjurou tal maldição.

_É, isso também, mas Nicolai foi amaldiçoado pelo Lord! O senhor está me dizendo que ele superou os poderes dele?!

_Exatamente... naquele momento crucial que você mesmo presenciou. E fora no momento em que percebeu que perderia o que lhe era mais caro.

_O senhor acha que a Srta Granger é assim tão importante para ele? – Snape estava com sua expressão incrédula. O Nicolai que ele conhecia certamente era bem diferente desse que estava agora com eles.

_Mais que isso, ela é a vida dele! Ele a ama intensamente e fora a força desse sentimento que o libertou. Apenas algo tão intenso e puro poderia superar a força de Voldemort. A menina o libertou, Severus.

*


Hermione descia as escadarias dos vários andares do castelo rumo ao corredor principal, onde iria patrulhar os corredores menores adjacentes. Pelo caminho encontrava alguns monitores das outras casas, que se surpreendiam com ela a primeira vista.


_Her-Hermione?! V-você já es-está bem pras rondas? – Perguntava nervoso um monitor quintanista da Corvinal, acompanhado de uma menina da Grifinória, também quintanista e monitora.

_Perfeitamente bem. E as coisas aqui voltarão a ser com eram antes, está entendido?

_C-claro, Mione! Mas nada mudou na.. sua ausência! – A grifinoriana tentava disfarçar seu nervosismo com um sorriso sem graça.

_O que estou dizendo, senhores monitores, que não é para deixar a ronda de lado e ficar de amasso nos pontos mais escuros dos corredores!

Os dois monitores pensaram em replicar em suas defesas, mas a voz não saia. Ambos estavam muito corados e trêmulos, o que fez Hermione engolir uma risada, mantendo-se heroicamente séria e o olhar gélido.

Mas, afinal, no fundo ela era uma manteiga derretida...

Com um meio sorriso simples, completa a sua sentença:

_...pelo menos não o tempo inteiro.. deixem isso pro finalzinho da ronda.

Hermione prosseguiu em seu caminho, deixando para trás o casalzinho de monitores mais leves e até sorridentes. A menina, num suspiro, tece seus elogios à Monitora-Chefe ao namorado.

_Eu não te disse que ela era legal? Não parece, mas é gente fina... é por isso que o pessoal da nossa casa pega tanto no pé dela.

_É.. agora eu acredito... então vamos obedecer às ordens dela, ok?

_Olha quem está falando!

A menina agarra o braço do corvinal, fazendo-o abaixar-se um pouco para beijar-lhe no rosto. O menino retribui com um sorriso e ambos saem para sua rota de patrulha. Hermione observava com um meio sorriso, escondida numa densa sombra de uma pilastra, prosseguindo em seu caminho, satisfeita.

_É.. tudo como antes...

*


Crookshanks corria pelo amplo corredor da entrada principal, vasculhando nas salas próximas, tentando farejar algum perfume de lírios no ar. Estava exausto pela procura, devido a sua falta de energia e transformar-se consumia muito de suas forças. Mas precisava vê-la. Talvez fosse a última vez. Esses pensamentos dolorosos martelavam em sua mente, não o deixavam em paz.


Pensou que talvez ela não estivesse fazendo as rondas, afinal, seria exigir muito sua obrigação de patrulhar a escola pouco tempo depois que ela sofrera aquele atentado. Será que a teriam dispensado de suas tarefas?

Mas estava muito cansado, precisava recuperar o fôlego. Num salto, pôs-se sentado no batente de uma das longas janelas de vitrais do grande corredor, apreciando a vista noturna. Os basculantes nos topos de algumas das janelas estavam abertos, deixando entrar o luar intensamente, iluminando no alto das paredes. A luz que atravessava os vitrais fazia desenhos coloridos no chão mergulhado na penumbra. Uma brisa leve e fresca circulava no corredor. Um silêncio etéreo dominava o ambiente tanto que era possível ouvir o farfalhar do vento sobre a vegetação no exterior do castelo.

Com um suspiro de enfado pensou o quanto iria perder.. novamente. E, novamente, não dera o devido valor a tudo aquilo, a não ser nesta última hora, quando tudo isso, provavelmente, deixaria de existir para si. Era mesmo muito difícil ser um grande pessimista... não conseguia ver boa expectativa em nada.

No ar pairavam odores de plantas que exalavam seus perfumes somente à noite. Eram perfumes tão intensos que preenchiam todo o lugar, abafando os odores de pedras e poeira que havia no ambiente. Se fechasse os olhos e se concentrasse um pouquinho, seria capaz de visualizar cada planta pelo seu perfume...

Pinho...

Eucalipto...

Rododendro...

Alguns passos mansos aproximavam-se num baque causado pelos saltos sobre o chão de pedras planas que ornamentavam o chão em desenhos suntuosos. Despertou de sua particular brincadeira de adivinhação, sendo surpreendido por uma leve pressão de ar que se formou quando a brisa que corria ali encontrou um pequeno obstáculo em seu caminho. A brisa que retornava, trazia consigo um perfume novo...

"_Suzuran?!"

Seu coraçãozinho disparou e arregalou seus olhos de grandes pupilas dilatadas para melhor enxergar. Manteve-se em silêncio, estático no parapeito da janela, na ansiedade.

As formas das longas janelas se desenhavam no chão em profusão de cores. As tochas do corredor estavam todas apagadas. O ambiente era iluminado intensamente pela Lua cheia que pendia-se alto no manto estrelado da abóbada celeste. Ela adorava aquilo. Aquela imagem era digna de ilustrar poesias.

Um castelo medieval de decoração antiga e magnificente, mergulhado nas sombras que eram quebradas em intervalos regulares pela luz leitosa que adentrava pelas longas janelas em arcos. Uma ciranda de cores em formas geométricas estava impressa à luz no piso de pedras. Uma forma em sombra alongada e distorcida quebrava aquela gostosa monotonia.

Seus olhos castanhos procuram curiosos de onde vinha tal sombra, situando-se numas das janelas próxima de si a alguns poucos metros.

_Madame Nor-r-ra?

Aproximou-se pela curiosidade, não era comum ver a gata do zelador solta a toa pelo corredor principal. Decerto, era o gato de algum aluno, talvez espreitando alguma presa fácil que por ventura tivesse a infelicidade de circular por ali naquela hora. Parou num sobressalto, seu coração e respiração pararam juntos...

_Shanks?!
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 Fim do Capítulo XV – continua...
By Snake Eyes – 2004
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N/A: Prontinhu! O encontro tão almejado dos dois já foi feito... agora eu paro por aqui e só volto na próxima semana ;-P
Malvado, malvado, malvado!
Tem Caleidoscópio e 2 Realidades para dar atenção também...

Para estrangular o autor, por favor, coloquem-se em fila para a distribuição de senhas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

ANIMAGO MORTIS - Capítulo XIV – Em Pratos Limpos

ANIMAGO MORTIS
Capítulo XIV – Em Pratos Limpos
_O que foi?

_Hum?


_Algum problema com os talheres? Ou não gosta da comida?


_AH! Não, não é isso... é que... *khu'in'a*! – Nicolai larga o garfo sobre o prato com raiva e leva as mãos aos cabelos, puxando-os para trás. Estava com raiva e nervosinho pela situação constrangedora. _Estou me sentindo como um pirralho de um ano! Vou ter que reaprender tudo? Não parece, mas está sendo tudo muito difícil!


_É só uma questão de tempo até você relembrar como se comportar com um ser humano...


_Isto é, me lembrar como me comportar como um ser inferior... bom, até lá, me perdoe pelos maus modos à mesa.


*

Hermione estava sentada recostada à cabeceira de sua cama, distraindo-se com o livro que pegara emprestado com Madame Pince, Antologia de Romantismo. Sua tranqüilidade é quebrada quando alguém bate na porta de seu dormitório. A menina pára sua leitura com enfado, achando que se tratava de Gina. Ela não estava com paciência para conversas tolinhas, mas...


_Pode entrar!


A porta se abriu dando passagem para uma grande bandeja de prata que reluzia mesmo com a pouca iluminação do ambiente. Hermione ainda detém sua atenção para o livro, enquanto a figura carregando a bandeja aproximava-se de sua cama.


_Ah, Gin.. você não precisava se preocupar. Deveria estar no Salão Principal jantando com os outros.


_Hãa.. não sou tão bonito para se a Gina...


_Harry? – Hermione virava-se surpresa ao ouvir a voz de Harry, que mantinha um sorriso tímido no rosto.


Harry depositou com cuidado a bandeja sobre a cama de Hermione, em frente à menina, que continuava a olhá-lo com surpresa, deixando-o um pouco sem graça.


_Bem.. a Gina falou que você não desceria para o jantar, então.. fui até a cozinha e peguei algumas coisinhas que você gosta.


_Oh! Sim, e... fico agradecida, mas.. por que? Eu estou bem, é sério.


_A quem quer enganar, Mione? Você não está bem e não é de hoje. Não quero mais te deixar de lado.. sei que não estamos te tratando legal...


_Olha, Harry.. não que eu esteja desdenhando da sua solidariedade, mas.. essa paparicação está me deixando enjoada. Eu não sou tão frágil assim.


_Tudo bem, mas já que estamos aqui... me ajuda a comer isso tudo. – Harry apontava para a bandeja, olhando marotamente para Hermione, que parecia um pouco desconfiada. _É muita coisa pra uma pessoa só comer.


*


Nicolai se esmerava para fazer o menos feio possível. Segurava o garfo como se fosse uma criança de dois anos. Ao menos espetar os alimentos estava sendo fácil. Por benevolência, Snape se preocupou em passar ao garoto os alimentos que não precisavam ser cortados. E a comida não estava tão saborosa quanto parecia. Decerto, seu paladar estava menos apurado também.

Por outro lado, Snape parecia muito pouco interessado em sua comida. Estava preocupado com todos os fatos recentes, com o pouco que viu na penseira de Nico e com o destino que aguardava o garoto. A comida, assim como seus pensamentos, parecia indigerível.


_Garoto.. penso que foi alguma sorte eu não ter caído em alguma de suas armadilhas... você era muito bom em emboscadas.


_Quando criança, antes de entrar pra Dumstrang, eu saia com meu avô e os servos para caçadas e, mesmo depois de entrar pra escola, eles nos faziam ir buscar nossos próprios ingredientes pras aulas de poções. Isso ajudou muito. Meu avô dizia que eu não deveria ficar mimado por causa da magia e que tática era tudo... bem, serviu para alguma coisa.


_Então você usava a mesma tática para emboscar animais? – Snape perguntava com cinismo. Embora houvesse a possibilidade de ter sucumbido nas mãos do rapaz, há 20 anos, não sentia qualquer rancor em relação a ele.


_Isso.. mas é muito mais difícil emboscar uma gazela. Eu fui um ecoterrorista numa época em que nem sequer cogitavam tal palavra... uns amigos e eu caçávamos caçadores trouxas que invadiam nossas terras pra abater animais por vaidade. Foi assim que desenvolvi a maioria das azarações e maldições.


_Isso foi perfeito.. um caçador de caçadores. Era isso que nós éramos: caçadores covardes que perseguiam presas inocentes. Até bebês eram mortos e exibidos como troféus. Isso era bárbaro, insano...


_Prefiro não lembrar disso. Vacilei duas vezes em minhas missões. A primeira foi quando meu pai estava num grupo que eu iria atacar. Foi quando vi o quanto ele estava ensandecido com a idéia de poder e riqueza, embora não precisasse de nada disso. Foi terrível.


Nicolai empurrou o prato sobre a mesa para longe de si, por causa de uma súbita náusea causada pelas lembranças. E ele sabia que uma vez de volta, teria que encarar todo aquele inferno novamente, mesmo que fossem lembranças passadas como um filme antigo e já gasto.


_E qual foi a segunda?


_Você.


_O que? Você está querendo fazer média!


_Como você pode ter sido tão burro de se unir a Voldemort, Severus? Sua família é tão tradicional que até tem uma cidade com seu nome! E você sempre foi um cara brilhante, como pôde cair numa cilada como essa?


Snape erguia-se num salto da cadeira, indo em direção à janela. Estava aborrecido com as palavras do garoto, embora fosse verdade o que ele dizia. Por que ele cometera tamanha burrice? Até hoje não havia encontrado uma resposta que lhe convencesse verdadeiramente.

_Suponho que você tenha sido tão burro quanto eu, não é mesmo, Nicolai? E quanto a sua ingenuidade burra de achar que derrotaria Lord das Trevas sozinho?


Nicolai também levanta-se da cadeira, recostando-se à mesa. Mantinha um sorrisinho cínico em direção ao velho amigo.


_Realmente: burrice e ingenuidade. Quando se é adolescente acha que é capaz de qualquer coisa, que sabe todas as respostas, que tem total conhecimento do mundo... ok, Sr Severus Snape, estamos quites nessa.


_Está certo, estamos quites. Dois adolescentes com objetivos diferentes, mas burrices iguais.


_Mas houve alguém que realmente deu sorte de não cair em uma emboscada... aquele maldito Lucius Malfoy! E a sorte daquele verme foi ele estar no mesmo grupo que você! Agora, vinte anos depois e eu tenho que me deparar com o eco distorcido dele. É piada, não?


_Fala de Draco? Ele não é nem metade que o pai foi quando tinha a mesma idade.. ele não é problema.


_Não? Não entendo esse seu protecionismo com o garoto Malfoy, Severus... o moleque sequer tem caráter! A personalidade dele é risível!


_Muito bem, Sr Donskoi.. o senhor chegou num ponto que não lhe diz o mínimo respeito. – Snape estava com sua expressão letal e o tom de voz mordaz, como costuma ser com a maioria das pessoas, mas em Nico isso não parecia surtir o efeito desejado.


Nicolai com um sorrisinho afetado aproxima-se de Snape, segurando-o pela nuca e o encarando nos olhos.


_Então controle o seu bichinho de estimação, Severus. Se esse moleque aprontar novamente, nem que seja uma brincadeirinha infantil com Hermione, eu acabo com ele!


*


Harry e Hermione jantaram todo o tempo praticamente em silêncio. A menina por ora esqueceu-se dos recentes transtornos, a comida estava boa demais para se lembrar de coisas ruins. Harry fez a gentileza de trazer até uma jarra com suco de morango ao leite que tanto Hermione gosta. Já o garoto mordiscava sem muito interesse uma tortinha de maçã.


_É muito mais divertido jantar no Salão Principal, não é mesmo?


_Como?


_Harry, agradeço muito toda essa sua gentileza.. você trouxe tudo o que gosto e estava tudo muito bom, mas... você não está a vontade. Não precisa forçar a barra pra mostrar que se importa comigo.


_Mas.. mas não é.. isso...


_É o quê, então?


O garoto permaneceu em silêncio por instantes, olhando para a meia tortinha de maçã nas mãos, depositando-a em seguida sobre a bandeja. Dentro de si queimava dois sentimentos contraditórios sobre Hermione: mágoa e pena, e ele não sabia a qual dos dois ouvir.

_Você.. não nos considera seus amigos, não é mesmo?


_Do que você está falando, Harry? É claro que considero vocês como meus amigos... mas as coisas mudam. Não somos mais crianças pra ficarmos agarrados uns aos outros o tempo inteiro.


_Não! Você não nos considera. – Harry apertou as mãos nos joelhos, olhando fixamente para os próprios sapatos.


_O que está havendo, Harry? Por que isso agora?


_ Por que isso agora? Quer mesmo saber? Depois de tudo que passamos juntos nestes sete anos, fico sabendo que você não confia em nós para contar os seus problemas!


Hermione apóia os cotovelos nas pernas, escondendo o rosto nas mãos... será que essa maldita história nunca vai acabar? Esse pessoal perturbado e ocioso deveria encontrar algo para ocupar a mente!


_Essa de novo, não... vamos, Harry, prossiga... – A menina, muito entediada, fazia um sinal com a mão encorajando Harry a continuar falando. O olhava de forma blasé num suspiro enfadado.


_Isso magoa, sabia? Você preferia a companhia de um gato, um animal... Gina falou que você contava suas coisas pra ele... e agora, o resultado? O maldito bicho é um ser humano que pode usar tudo que sabe sobre você para te sacanear!


A garota levantou da cama num salto, com raiva, agitando as mãos de nervoso, andando de um lado para outro em frente a sua cama.


_Quando vocês vão parar com isso? Quando vocês vão parar de ficar me aborrecendo com essas coisinhas?


_M-mas...


_Não tem 'mas', Harry! Vocês estão sempre me questionando, estão sempre me cobrando algo! Qual o problema afinal?


_Droga, Mione! Não é isso! A gente se preocupa com você! Acha que gosto de ver você irritada ou deprimida?


_É mesmo? Sabia então que vocês têm um jeito muito peculiar de demonstrar isso? Não creio que cobranças e acusações seja uma boa forma de demonstrar o quanto gosta e se preocupa com alguém... – Hermione encara sarcástica Harry que ainda permanecia sentado na beirada da cama.


Harry levanta-se irritado, cruzando os braços sobre o peito e encarando muito de perto a garota.


_Perdoe-me, Srta Sabe-Tudo, se eu não sei me expressar de acordo com o que a senhorita considere o certo!


O garoto se retira passando por Hermione, esbarrando levemente nela. A menina acompanha os movimentos de Harry, mas antes que ele saia do dormitório, ela defere mordazmente.


_Harry... eu não devo absolutamente nada a você.. a nenhum de vocês. Não me venha com cobranças de atitudes e comportamento. Se formos amigos mesmo, é bom me aceitarem como sou.. o que não é nenhuma novidade para ninguém.


Com a porta entreaberta e meio corpo fora, Harry apenas responde com um olhar frio e indignado, antes de se retirar batendo ruidosamente a porta às suas costas.


Hermione dá apenas uma risada fria e vira-se para sua cama, onde ficou a bagunça daquele jantar informal que deveria ter sido de uma atitude mais amigável. Pega a sua varinha sobre o criado mudo, apontando para a bandeja e fazendo tudo desaparecer no mesmo instante.

_Seguirei sozinha... para o inferno com todo o resto!


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Fim do Capítulo XIV – continua...
By Snake Eyes – 2004
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N/A: khu'in'a = seria um xingamento russo equivalente ao nosso 'droga', usado como expressão para descontentamento.

Animago Mortis também é cultura inútil ^^

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ilustração

Fanart de Hermione Granger & Crookshanks
Por Pat Kovacs, em 2008.
Material: lápis de cor e pastel seco sobre offset 120g.

sábado, 26 de janeiro de 2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Capítulo XIII – Acentuando o Medo

ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XIII – Acentuando o Medo
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_MAS QUE FILHO DA ...!!

Todos no Salão Comunal da Grifinória se sobressaltaram com o grito de Rony Weasley. As peças do xadrez bruxo que estava jogando com Harry voaram para todos os lados quando Rony socou a mesa com ira. Harry chegou a cair pra trás, olhando assustado para Rony. Seja lá o que ele tinha feito – além de estar completamente parado por longos minutos pensando em que peça deveria mover – não era o suficiente para aquele escândalo de Rony.

Hermione, que estava sentada em sua poltrona preferida em frente a lareira, havia abaixado o livro e fitava os dois garotos com uma expressão nada satisfeita. Gina que descia as escadarias do dormitório feminino naquele momento fica estancada no último degrau... sabia que isso não deveria ser boa coisa, uma vez que nunca viu Rony gritar assim com Harry, pelo menos não enquanto os dois jogam xadrez, já que é sempre Harry que perde o jogo.

_AQUELE CANALHA, MISERÁVEL! TINHA QUE SER UM MALDITO SONSERINO!!

_Abaixe o volume, Ron! Tá ficando maluco, é?! – Falava firmemente Harry, muito aborrecido. Por instantes pensava que o amigo gritava com ele.

_Você tá falando do Malfoy? Lembre-se que você e Harry terão detenção com ele daqui a quarenta e cinco minutos, logo após o jantar. – Hermione dizia dando de ombros, voltando novamente pra sua leitura, acomodando-se na poltrona.
_Não falo de Malfoy! Embora ele seja um grande canalha, miserável e filho da puta! Estou falando daquele maldito animago!! Ele se aproveitava da minha irmã!

Gina correu até a mesa onde Rony e Harry estavam. Harry terminou de derrubar todo o tabuleiro de xadrez quando voou pra cima de Rony, tapando-lhe a boca com aspereza, segurando-o pelo colarinho. Hermione salta da poltrona e aproxima-se também dos garotos. Seja lá o que Rony tenha matutado sobre o assunto, não era nada bom que todos os outros alunos ouvissem algo sobre isso.

_Porra, Ron! Tá maluco, cara! Não acha que Hermione já tem problemas demais com isso?! Quer complicar ainda mais as coisas, cara?!! – Dizia um furioso Harry, ainda tapando a boca do amigo.

Harry se ajeitava novamente na cadeira que havia caído com seu susto, olhando furiosamente para Rony, que quase estava roxo pela falta de ar. Gina parecia tremer da cabeça aos pés enquanto Hermione lançava um olhar fulminante aos poucos curiosos que ainda lhes dispensavam atenção, entre eles Patil e Brown.
_Rony... você tá falando do Crookshanks, não é? – Falava Gina, com cautela.
Quando Harry e Hermione perceberam que Rony ia responder a irmã novamente em altos brados, os dois o pegaram pelos braços e o arrastaram para o dormitório dos garotos. Gina largou seus livros sobre a mesa e foi acompanhar o trio. Chegando no dormitório, Harry empurra Rony com aspereza para dentro do quarto enquanto Hermione batia a porta as suas costas, assim que Gina entrou. Exceto pelos quatro, o dormitório estava totalmente vazio e ninguém no salão comunal poderia ouvir os gritos de Rony.
_Agora você pode falar o que você tanto estava pensando lá embaixo no Salão, Ron... – Harry dava a permissão, sentindo-se totalmente impaciente, cruzando os braços e ainda olhando com certa raiva pro amigo.

_Esse cara, esse tal animago que se fez passar pelo bichinho de estimação da Mion...

_Rony! Ele não fez isso! Ele estava amaldiçoado! Foi o próprio Dumbledore que disse! – Hermione interrompeu Rony num misto de raiva e mágoa. Harry a segurou pelo braço, olhando-a com piedade.

_Cala a boca, Mione! Não me interessa se ele tava amaldiçoado ou não! Ele abusou da minha irmã e de VOCÊ TAMBÉM!
Harry sentiu Hermione se estremecer com aquelas palavras grosseiras de Rony, e a segurou pelos dois braços, quase a abraçando. Gina já se demonstrava totalmente impaciente com o circo que o irmão armava, já vendo que se tratava de outra bobagem vinda da mente idiota de Rony.
_Você deveria parar com acusações e falar logo qual a bobagem que você tá pensando, droga! A gente não tem o tempo inteiro pra ficar te ouvindo não, Rony!
_Gina! Você só vivia com Crookshanks no colo! E ele era todo derretido por você! Ele era um animago, tinha consciência disso e se aproveitava da situação! Ele ficava agarrado em você, ele tocava no seu corpo, Gina!!

_Rony! Que nojo! Que mente mais suja é essa?! Crookshanks era um gato! Gatos agem dessa forma! Não havia nenhuma maldade no que ele fazia! E se ele estava amaldiçoado, não devia ter nenhuma consciência humana, idiota!

_Não tinha consciência?! Não lembra como ele agia, sempre espreitando tudo, entendendo tudo o que se passava a sua volta! Por Merlin! Ele até lia junto com a Mione!

_Todo esse escândalo por isso, Ron? Só porque sua irmã pegava o gato no colo? Suponho que você tentará assassinar o cara que quiser casar com ela – dizia Harry totalmente entediado, voltando a cruzar os braços.
_Ah, e você acha isso pouco, Harry! Diz isso porque não é sua irmã! E quanto a Mione? Pelo amor de deus! Mione dormia com aquele gato! Imagino o que ele deva ter feito com ela sob a desculpa de ser 'só um gato'!

Rony alcançava uma Hermione estupefata com o que ele dizia, agarrando-a pelos braços e quase a chacoalhando.

_Pode nos dizer, Mione! Somos seus amigos! Aquele miserável abusou de você, não foi?! Você sempre dormia com ele! Ele deve tê-la visto diversas vezes sem roupa, deve ter tocado em você, afinal ele era só um gatinho inocen...

Rony não pode terminar a frase, pois Hermione lhe deferia uma sonora bofetada, deixando uma imensa marca vermelha no rosto do garoto. Hermione estava rubra de raiva e chorava abundantemente.

_Você é sórdido, Rony!!

A menina saiu aos prantos correndo do quarto, batendo com raiva a porta as suas costas e deixando seus três amigos confusos. Gina e Harry olharam para Rony com se fosse matá-lo com o olhar. Rony estava ofendido enquanto esfregava o rosto. Ele ali preocupado com Mione e ela lhe retribui dessa forma?!

Hermione entrava as pressas no seu dormitório, trancando a porta com um feitiço. Jogou-se na cama, afundando o rosto marcado pelas lagrimas no travesseiro, encolhendo-se e abraçando o próprio corpo. Sentia-se totalmente atordoada. Ela estava mais sozinha do que nunca. Não sabia qual conceito deveria formar sobre o assunto. Ela já estava muito confusa e com medo antes de Rony lhe falar justamente aquilo que ela mais temia. Ele levantou uma questão que ela sequer chegou a cogitar. Mas isso não era verdade, não poderia ser verdade! Crookshanks jamais agiu com malícia, jamais! Mas ele conhecia demais sobre ela, sabia de tudo que ia em seu coração. Sabia sobre suas aflições, angústias. Sabia do que gostava, do que sonhava. Por Deus! Quantas vezes ele a vira totalmente a vontade, de forma que nem sequer seus pais a vira, com a pouca roupa que dormia em casa, nas férias de verão, de todas as vezes que saíra do banho e deixava para se trocar no quarto??!
Ela afundou o rosto no travesseiro para sufocar o soluço. O medo dela já era suficientemente desagradável! Rony precisava ter dito aquelas coisas?! Maldito Rony!

*
Nicolai se desconcentrou, como se algo distante chamasse sua atenção. Levou a mão ao peito, sentindo uma ardência desconfortável. Havia uma aflição crescente dentro de si, a mesma aflição que sempre sentia quando...

_Nicolai, algum problema, filho? É preciso que você se concentre em suas lembranças para que possamos colocá-las na Penseira. – Dumbledore lhe falava calmamente, abaixando sua varinha.

_Talvez devêssemos fazer uma pausa, Alvo... já é quase hora do jantar. – Dizia Snape, que observava as lembranças de Nicolai dentro da Penseira.

_Tem razão, Severus... mas creio que Nicolai ainda não deva aparecer perante toda a escola, até resolvermos todos esses impasses com o Ministério...
_... você não se importaria de jantar conosco aqui em meu escritório, não é, Nicolai.

_De forma alguma, senhor... pelo que me disseram sobre a minha repentina fama.. bem, ainda não estou preparado para os holofotes...

_Olo... quê?! – Perguntava Severus, o olhando com uma sobrancelha erguida.

_Ah, deixa pra lá, Severus... – Nicolai falava desanimado. A aflição ainda incomodava em seu peito.

_Bem, Alvo.. falando nisso, seria melhor que o senhor não faltasse ao jantar, para não aumentar ainda mais os rumores entre os alunos. Quanto a mim, será um grande prazer me livrar daquelas desagradáveis companhias e barulho infernal por um dia, pelo menos. Sabe que a mim ninguém dará falta, felizmente.
_Faremos isso, Severus. E, se me dão licença, irei para o Salão Principal. Quanto a você, Nicolai, descanse um pouco sua mente, para podermos continuar depois. Saiba que tudo que você tiver para nos dizer e nos mostrar será usado em sua defesa perante o Ministério.

*
_Mione! Abra a porta! Vem jantar com a gente! Rony disse que tá muito arrependido e quer te pedir desculpas! – Gina esmurrava a porta do dormitório de Hermione, que continuava trancada. Relutantemente, Hermione vai até a porta, atender ao chamado de Gina.
_Gin... diga a seu irmão que não estou com raiva dele, mas não quero descer pro jantar. Não estou me sentindo bem pra isso.

_Mas, Mione.. você tem que se alimentar! Você tem...

_Não Gin, não estou com fome! Depois eu peço algo na cozinha. Quero apenas descansar um pouco, está bem?

A penumbra do quarto não permitia Gina ver o quanto o rosto de Hermione estava marcado pelas lágrimas, com seus muito vermelhos. A garota agradecia intimamente, pois não queria ser incomodada por nenhum pseudo conforto de seus amigos.

_Afff... tudo bem, Mione.. mas vou trazer alguma coisa pra você, ok? Não vou deixar você dormir de barriga vazia. Quer um livro da biblioteca também?

_Não precisa, Gin... o livro que Madame Pince me emprestou está rendendo bem, até estou copiando uns textos para mim.. até passo a você depois.

_Tá bom, Mione! Depois a gente se fala!

Hermione batia a porta num baque surdo, assim que Gina sumiu nas escadarias. Parou por instantes a mão apoiada na porta, olhando para os próprios pés, imaginando ate quando iria sustentar essa situação. Estava cansada de muitas coisas, mas essa situação patética também estava cansando. Só restava poucos meses para tudo isso se acabar então, a melhor opção, ainda era erguer a cabeça e enfrentar tudo de frente, como sempre fizera... "mas antes eu era apenas uma garotinha metida que tinha necessidade de provar o meu valor.. jamais poderia fraquejar... sempre fiz além do que suportava.. mas agora, aquilo que se acumulou está vindo a tona, tudo de uma só vez..."

A menina volta para sua cama, encolhendo-se embaixo de seus cobertores. De repente uma atmosfera fria tomou conta de si, sentindo-se completamente sozinha. Jurava para si mesma que esta seria a última vez que deixaria se abater desta forma. A partir de amanhã iria voltar a usar sua antiga máscara e encarar toda a situação de frente. Cedo ou tarde teria que enfrentar o tal Donskoi e o faria de cabeça erguida, seja quem ele fosse.
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Fim do Capítulo XIII – continua...
By Snake Eyes – 2004
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Animago Mortis - Capítulo XII – Crimes

ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XII – Crimes
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Hermione, acompanhada de Gina, entravam rapidamente na biblioteca para entregar o livro que havia emprestado. Com um sorriso ligeiro, cumprimentava Madame Pince, a bibliotecária.

_Irá levar outro livro hoje, Srta Granger? – perguntava com raro sorriso, a bibliotecária.

_Suponho que não, Madame Pince.. a menos que... será que a senhora teria livros trouxas? Sabe, romances escritos por trouxas? Gostaria de ler algo de um mundo em que nem tudo fosse possível...

_Querida.. nem no mundo mágico tudo é possível. E, não. Não temos tais livros na biblioteca.

Com um suspiro frustrado, Hermione devolve um sorriso triste à Madame Pince, já se retirando.

_Bem.. irei revisar algumas matérias para passar o tempo. Obrigada, Madame Pince.

_...Não temos tais livros na biblioteca.. mas tenho algumas coisinhas interessantes no meu acervo pessoal. Posso lhe emprestar alguns títulos, se a senhorita ainda estiver interessada.

Hermione virou-se para a bibliotecária num largo sorriso. Toda a melancolia que estava sentindo pareceu ter se dissipado no ar. Enquanto Gina conversava com alguns alunos que estavam numa mesa próxima às janelas, Hermione ficou esperando o retorno de Madame Pince, que desapareceu por uma porta atrás do balcão. Ter algo novo e diferente para ler seria muito bem vindo. Apesar de ter nascido em família não-mágica, há muito tempo que não lia coisas escritas por trouxas. Mesmo nas férias, estava sempre com um livro bruxo em mãos. Estremeceu ao lembrar-se disso e de outras lembranças que se desencadearam juntas...

Ela era nascida trouxa e nos últimos anos, involuntariamente, estava se distanciando muito de tudo que pertencia a sua origem. Nas férias, quando voltava para sua casa trouxa, não lia nada além de livros, revista e jornais bruxos. Raramente via televisão e não se importava com os noticiários, mesmo que mostrassem assuntos de relevante importância. Por vezes pegou-se criticando atitudes dos trouxas e sua forma de vida. Por duas ou três vezes criticou e chegou a zombar de seus próprios pais pela incompreensão deles por assuntos acerca do mundo mágico... meu deus! O que ela pensava que estava fazendo afinal? Estava ela negando a sua própria ascendência? Se ela estivesse fazendo isso seria tão terrível quanto os bruxos puros-sangues que discriminavam pessoas como ela!

Suas divagações foram logo interrompidas pelo aparecimento de uma excitada Madame Pince, que lhe trazia um volume encadernado.

_Este daqui é uma Antologia de Romantismo, com os melhores autores desse gênero. O Romantismo foi um movimento literário que surgiu na Europa do século 18 e que se alastrou até por terras distantes da América do Sul. Há a reunião de contos e poesias de muitos autores aqui, de diversas nacionalidades. Os escritos são de uma beleza ímpar. Tenho certeza que gostará muito e lhe ajudará a atravessar melhor essa fase que está vivendo, Srta Granger...

Hermione corou levemente. Que o ocorrido havia se espalhado aos quatro ventos, não havia a mínima dúvida a respeito, mas era surpreendente como ela estava deixando seu estado emocional transparecer. Não que Madame Pince fosse qualquer um como a grande maioria dos seus colegas eram, mas se até ela que vivia tão entretida com sua biblioteca estava percebendo que algo não ia bem consigo... bem, ela deveria tomar uma atitude mais digna e manter seus sentimentos o mais ocultos possíveis. Tudo bem que ela foi quase morta, mas isso não fora nem de perto a primeira vez e todos estava mais condescendentes consigo. Não, não era ruim, obviamente. Sentia-se feliz por estar sendo tratada tão amigavelmente bem por quase todos, mas, de certa forma, isso incomodava... era como se invadissem sua privacidade.

_Leve senhorita e cuide muito bem dele. Este livro é um dos meus preferidos e eu tenho muitos ciúmes. Devolva-o quando se sentir mais confortável com o que ele tem a lhe dizer. – Madame Pince alcançava com as duas mãos os livro encadernado em couro de forma bastante simples.

_Muito Obrigada, senhora...

*
O sol ainda lançava seus últimos raios flamejantes sobre a paisagem. No horizonte, um imenso círculo disforme parecia tremular com as finas nuvens que o rodeavam. A atmosfera adquiriu uma tonalidade dourada. Pequenos insetos e plantas minúsculas eram carregados pela brisa incessante. O perfume de folhas amornecidas pelo dia ensolarado tomavam conta do ar.

Nicolai parecia se divertir muito relembrando com Snape os velhos tempos como estudante de Hogwarts. Ambos eram amigos muito próximos, tanto quanto era possível com pessoas de suas estirpes. Dumbledore participava da conversa. Era bom rever Severus como era em sua época de estudante, menos amargo com a vida, e o garoto Donskoi, que parecia querer recuperar o tempo perdido. O estranho disso tudo é que não se lembrava de que ambos poderiam ser capazes de se divertirem com uma simples conversa... certamente eles não eram, em sua época, mas diante de si haviam dois personagens que muito perderam em suas vidas.

Mas era necessário trazer a tona um assunto muito desagradável, mesmo porque o futuro desse rapaz dependia disso e se o futuro dele seria continuar de onde parou há 20 anos ou ser trancafiado em Azkaban era algo em que eles teriam muito o que trabalhar. Mas, definitivamente, faria todo o possível para que a segunda opção fosse totalmente descartada.

_Eu sinto ter que interromper as recordações de vocês, mas... Severus, precisamos tratar com Nicolai o péssimo assunto chamado Ministério da Magia.

_Ministério...? Ah, sim... havia me esquecido que a.. vida humana tem dessas.. inconveniências... – Nicolai deixava de sorrir para tomar uma expressão preocupada e ele bem sabia que tinha muito a se preocupar em termos de Ministério da Magia.

_Lamento lhe dizer, filho, mas o Ministério anda pressionando Hogwarts desde o ocorrido. Infelizmente não tivemos como manter tal incidente em sigilo. É provável que amanhã recebamos a visita de agentes do Ministério e talvez até do próprio Ministro Fudge.

_Iremos preparar uma defesa para Nicolai, não é mesmo Alvo? – Snape perguntava temeroso pela negativa, embora tivesse certeza de que Dumbledore não iria desamparar o rapaz, não agora que eles constatavam que diante de si estava um jovem de boa fé e que poderia vir a ser muito útil no combate às forças de Voldemort.

_De-defesa?! Eu cometi algum crime? Eu estive preso por uma maldição por 20 anos e serei ainda punido por isso?! – Nicolai ficou apreensivo com a notícia, tanto que sua voz conseguiu ganhar toda a força que ainda não tinha.

_Bem, Nicolai... ser um animago sem licença é um crime aqui na Inglaterra... – Dumbledore falava devagar, como estudando a reação do rapaz.

Snape completaria as outras acusações.

_...ser um comensal da morte é um crime grave e... assassinato é um crime em qualquer parte deste planeta.

Nicolai ficou estupefato, embora soubesse que era verdade, mas não havia cogitado essa possibilidade. Aliás, com apenas poucas horas acordado em sua forma humana pela primeira vez em duas décadas, ele cogitou pouquíssimas possibilidades a serem feitas e alguns problemas a serem encarados, mas nenhum deles era além de seu desejo de terminar seus estudos e poder conversar com Hermione, tentar esclarecer essas partes obscuras de sua vida com ela...

_... eu não tenho mais a.. marca negra e... como o Ministério hoje poderia saber de.. assassinatos que cometi há 20 anos atrás.. se nem naquela época.. conseguiram descobrir?

_Do que você está falando, Nicolai? Você acabou de dizer que jamais matou por ordem de Voldemort? – Dumbledore levantou-se do banco, mergulhando em um profunda preocupação. Como pode o garoto falar sobre assassinatos cometidos por ele de uma forma tão fria e tão natural?!

_Reitero o que disse, professor... jamais matei um inocente. Jamais matei por ordem de Voldemort, mas... eu consegui eliminar pelo menos uns oito seguidores dele. Peguei-os em emboscadas, sempre quando eram enviados em missões sem que eu estivesse presente. Às vezes eu conseguia entrar em contato com aurores, mas quando estes não apareciam... bem, digamos que tenho uma certa prática com avada kedavra...

Dumbledore sentou-se novamente no banco de pedra, envolvendo-se com seus pensamentos, o que deixou Snape preocupado com a conclusão de que o Diretor poderia vir tomar em relação a Nicolai. O que o garoto dizia tinha seu fundo de verdade, pois essas emboscadas a comensais e avisos anônimos aos aurores realmente aconteceram na época, o que contribuiu para que aquela guerra não fosse ainda pior do que fora.

_Então foi você o primeiro traidor de Lord das Trevas, Nico? Então fora você quem entregara a maioria dos planos naquela época?

_Isso lhe condoeu, Severus? Não sou traidor de "Lord das Trevas" porque jamais lhe fui um aliado. E, sim! Ser um gato tem suas vantagens. Nem meus pais sabiam da minha animagia. Isso ajudou muito.

_Diga-me, Nicolai... fora Voldemort que o amaldiçoou? Como ele descobriu sobre isso?

_Voldemort sabia que eu não temia a morte. Eu estava humilhado. O nome de minha família fora desonrado no momento que meus pais entraram para o Círculo das Trevas. Nos tornamos párias. Eu preferia a morte a viver com isso... então ele me deu uma sobrevida insignificante, depois de ser torturado por alguns dias, claro... isso fora pior que morrer dez vezes.. e ele sabia disso.

_E quem o delatou a Voldemort?
 
_Peter Pettigrew.

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Fim do Capítulo XII – continua...
By Snake Eyes – 2004

Santa Tranqueira Magazine