segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Animago Mortis - Capítulo 42 – Julgamento – Reticências.

Capítulo 42 – Julgamento – Reticências.

Três dias se passaram como fossem três horas. Para Hermione, não havia sido o suficiente para repor as aulas perdidas, pois, para ela, jamais poderia recuperar um momento perdido e uma aula não é apenas ler livros e escrever resumos, mas todos os atos e palavras pronunciadas dentro de uma sala de aula são essenciais para o aprendizado.
Deixou a pena cair sobre o pergaminho, onde fazia as anotações na biblioteca. Levou a mão esquerda para apoiar o rosto, amassando-o, deixando escapar um suspiro de enfado. O dia da continuação do julgamento de Pavel havia chegado e de súbito Hermione amargou a sensação de quanto estava sendo mesquinha ao pensar que três dias haviam passado rápidos demais... para Pavel, certamente, esses três dias devem ter se arrastado como fossem três décadas.

Pobre Pavel. Hermione já não lutava contra o sentimento de afeto que sentia pelo rapaz, não podia mais ficar negando que ele e Crookshanks não eram a mesma individualidade. Eram, sim!, e Crookshanks sempre lhe fora tão caro como qualquer de seus outros amigos... a forma havia mudado, mas a person era a mesma, não era?

Daqui a pouco estaria novamente naquele tribunal horrível... sentiu um calafrio ao lembrar das horas desagradáveis que passou dentro daquela sala, só perdendo tempo e não fazendo absolutamente nada de útil. Tremeu-se inteira e balançou nervosa a cabeça de um lado para outro, para espantar os pensamentos pessimistas. Ela era uma das testemunhas de defesa e deveria concentrar toda a sua energia e seus pensamentos nesse fim. Levantou-se da cadeira e foi juntando seu material em sua mochila, e arrumando de outro lado os livros a serem devolvidos às prateleiras. Quando ia pegar os livros para colocá-los de volta em seus devidos lugares, a grande porta de carvalho entalhado da biblioteca se abre suavemente – e, como sempre, àquela hora da manhã, Hermione era o único ser humano que por ali estava.

Dumbledore estava com uma expressão séria, porém indefinida. Silenciosamente ele estende um pergaminho selado para Hermione, que pega-o receosa, olhando indagante para o velho mago.

—Uma carta do advogado de Nicolai, Jonathan Davis... – Fala Dumbledore.

Eram breves palavras escritas num garrancho quase inelegível, que Hermione arregala os olhos, pasmada;

—M-m-mas.. o quê?! ELE É LOUCO OU O QUÊ?!

A resposta de Dumbledore foi apenas uma breve gargalhada, que ele continha, até então.


Eram quinze horas do terceiro dia. O Plenário ganhava novamente vida ruidosa com passos e arrastar de cadeiras. Os membros do júri, os advogados, o réu, juiz e espectadores tomavam seus lugares. Depois de tudo aparentemente em ordem, o Porteiro do Auditório apregoa a abertura da continuação da audiência do processo de Nicolai, fazendo breve resumo dos acontecimentos da audiência anterior... breve, em termos, pois somente isso levou quase uma hora.
Finda a abertura e apresentação, é dada a continuidade à audiência, como se não houvesse tido um intervalo de três dias. Nicolai, em suas vestes negras e bem alinhadas, mantinha-se ereto e sério ao lado de seu defensor, que trajava também negro, mas o casaco muglle de três listras brancas nas mangas e o tênis vermelho, igualmente com as três listras brancas, fazia dele uma figura ainda mais estranha entre os Bruxos.

Seja pelos três dias de descanso, seja pelo sermão que havia recebido de Davis, Nicolai não trazia nem sombra da prostração que o acometeu no relato de Bhagata Caborje, que ocasionou o súbito encerramento da audiência. Agora era a derradeira. Era ganhar ou perder. Não que tivesse alguma certeza ou visão de que tudo se acertaria ainda nessa audiência, mas não gostaria de ter que passar mais uma outra vez por isso.

O Promotor Osborn pede a entrada de sua testemunha, a ex-auror Bhagata Caborje, que é trazida ao Plenário pelo auditor, amparada por este e por sua nodosa bengala, andando em passos ainda mais lentos que parecia ser seu costume, aparentando sentir alguma dor em seus quartos, devido a inclinação mais acentuada de seu corpo diminuto e enfraquecido pelos seus longos 125 anos de existência.

—Sra Bhagata Caborje, queira dar continuidade ao seu relato, que foi bruscamente interrompido pelo mal estar súbito do réu... – Inquiriu um desmotivado Osborn.

—Sim, sim! Mas... onde foi que paramos mesmo?

"—Ai, eu mereço!" —A senhora relatava sobre o desaparecimento do réu, Pavel Nicolai Donskoi, e o fim que havia levado seus pais, à vinte anos atrás...

—Ah, sim, sim! Eu me lembro, eu me lembro... mas acho que é só, não há mais nada para se dizer sobre isso!

O sangue de Osborn esquentou e subiu à cabeça. Se fosse um pouco mais jovem e inconseqüente, certamente voaria de onde estava para o pescoço da velhota Caborje e até mesmo via a si mesmo na cena onde estrangulava a pobre bruxa. Inspirou profundamente, conjurando toda a paciência que apenas um Merlim teria e readquiriu seu autocontrole que quase desapareceu.

—Senhora Bhagata Caborje... – Osborn falou lentamente, quase que por entre os dentes. —A senhora relatava sobre o desaparecimento do réu há vinte anos atrás. As informações de que detém podem ser muito importantes para absolver ou condenar Nicolai Donskoi. A senhora tem a cer-te-za de que não há mais nada mesmo a ser declarado?

A velha bruxa deu uma risada esganiçada, interrompendo com gemidos de dor enquanto levava a mão às costas, sobre a área lombar. Tossiu para limpar a garganta e levou um olhar ao mesmo tempo divertido e perscrutador ao promotor Osborn, que a fitava muito aborrecido.

—Parece que a velhota de 125 anos é você, garoto! Lembro cristalinamente as palavras que disse no outro dia, mas se sua memória já é assim tão falha – pobre menino! – então terei o prazer de repeti-las: "a única notícia que o Ministério pôde colher a respeito do réu" e "passamos a investigar profundamente, mas jamais conseguimos encontrar o paradeiro do réu". Percebe a implicância dessas palavras ou quer que eu desenhe para que entenda que já disse, praticamente, tudo que sabia sobre o réu?

Finalmente Osborn voou para cima da velha, estrangulando-a com ambas as mãos e rindo prazerosa e sadicamente... não, não, apenas um delírio, o desejo de fazer isso lhe era tão forte que acabava de ter um vislumbre do que deveria fazer, mas não podia.

—A senhora está certa, Sra Caborje... mas, para mostrar-lhe que minha memória não está tão debilitada quanto imagina, devo lembrá-la que a senhora fora convocada, principalmente, para depor sobre o que VIU, no tempo presente, no sábado trágico em Hogsmeade. A senhora foi convocada por ter sido a testemunha ocular do crime que o Sr Donskoi cometeu contra o Comensal não identificado, à margem do rio que corta a cidadela. A senhora poderia nos relatar o que testemunhou?

Nicolai, ao ouvir isso, se aprumou em sua cadeira, despertando dolorosamente sua atenção para o que estava acontecendo dentro do tribunal, em seu julgamento. Até então, desde que retornou aquele Plenário, se mantinha desligado dos fatos, como que em estado de alfa, já não dando muita importância ao que acontecia a sua volta. Em hipótese alguma poderia permitir ter um colapso como o que teve anteriormente, dando por encerrado a seção.

Sábado trágico em Hogsmeade... parecia séculos que não ouvia esse infeliz termo mal cunhado, que designava o que havia acontecido naquele sábado – que deveria ter sido belo do início ao fim. Como um flashback já desbotado, Nicolai revê, ante seus olhos, os acontecidos naquele dia fatídico: a dor de pensar ter perdido Hermione; a dor do rompimento da maldição... e um insigth veio-lhe a mente, como uma voz que lhe sussurrava suavemente: "É o mal que veio para o bem..."

Um mal que veio para o bem... – sussurrou para si mesmo, em repetição, fechando em seguida seus olhos dourados, voltando ao estado plácido que antes se encontrava.

Caborje, que permaneceu silenciosa por alguns instantes, como a ponderar se deveria ou não responder à pergunta do Promotor, faz uma careta de desagrado e responde, meneando a cabeça em desaprovação.

—Sim, sim! Testemunha ocular! Realmente sou... sou a testemunha ocular de algo tão horrível que gostaria de não ter mais que ver pelos anos que me restam de vida... parecia coisa daquela época... naquela época se encontravam atos selvagens como aquele...!

—Então a senhora presenciou todo o ocorrido, do inicio ao fim?

—Não, não, quase! Quando os dois mocinhos mal-educados me perguntaram tão aflitos pela mocinha de cachos, não pude deter minha curiosidade – e todos sabem como investigadores são curiosos, ainda mais depois de aposentados, hihihi! – e fui até os lados do riacho e quando lá cheguei, bem, sabe, por precaução não me aproximei, mantive-me oculta, mas foi o suficiente para ver aquela cena horrenda, que quase me fez ter um enfarto, tamanha foi a dor em meu peito!

Nicolai franziu o cenho, em expectativa. O que sabia – e não era muito – sobre o ocorrido no tal sábado trágico, era o que Dumbledore e Snape haviam lhe contato e, certamente, não contaram muito e nem os detalhes. Sabia que havia matado um homem, lembrava vagamente do cheiro do sangue, mas não se lembrava de absolutamente nada sobre sua transformação e ao ataque que fez ao tal Comensal; a única lembrança nítida que tinha era da dor lancinante em seu corpo e a angústia de achar que Hermione estava morta.

Ele havia matado um homem com as mãos nuas!... o Promotor havia dito que ele deixou o pobre diabo desfigurado a ponto de ser irreconhecível. Como ele agiu naquele momento? Foi o instinto animal que ainda o comandava ou seria o ápice de seu espírito demoníaco, que sabia fazer parte de si? Mas como poderia deixar impune um ser miserável que havia violentado a pessoa mais importante de sua vida?!

O garoto saiu de seu devaneio; não era hora nem lugar para auto-análises, teria muito tempo para isso caso fosse pra Azkaban. Voltou sua atenção à Caborje, pegando o relato já pela metade, pois havia se distanciado muito dali em seus pensamentos.

—...estendida no chão, inerte, aquele monstro sobre ela, rindo horrivelmente, rindo alto! Mesmo sem mais forças e sem minha varinha, ainda posso conjurar alguns feitiços, mas não me permitiria sair dali e deixar aquela pobre criança entregue aquele monstro, mesmo que eu morresse por isso! Foi quando uma pressão de ar quente e chamas negras se formaram um pouco mais adiante! Aaaaah, meus filhos! Se alguns de vocês têm a visão treinada para enxergar as energias sutis, jamais queiram ver as Trevas!

"—...Jamais queiram ver e jamais queiram estar!" – Concordou mentalmente, Nicolai, que tornou a prestar sua atenção ao relato de Caborje, principalmente pela curiosidade:

—...não era possível ver com muita precisão o que acontecia, pois havia um pandemônio de folhas e galhos secos que giravam como se estivessem sendo tragados por um tufão, o que, de fato, não deixava de ser... um tufão ocasionado por fluídos negativos que eram dispersados como chamas de azul-negro que chicoteavam o ar como fossem serpentes sendo incineradas vivas!

—...não se dava para ver muito, mas sentir... que sensação horrível! Era como se faltasse o oxigênio na atmosfera! Mas algo surgiu do meio daquelas chamas e tufão, algo que não poderia dizer que era humano, pelo menos não naquele instante! Aquele vulto pulou e correu até o Comensal, chocando-se contra ele e o jogando para longe da menina que continuava desacordada no chão. Só quando isso aconteceu que percebi a presença do jovem Potter e do filho do Sr Weasley, que correram em seguida para a menina, tirando-a dali para um lugar mais seguro, longe daqueles dois seres estranhos e ferozes! Então também vi o Professor Snape, que permaneceu imóvel, incrédulo, com a varinha em punho, mas como que petrificado... bem, eu também estava! Foi uma coisa assustadoramente estranha.

Davis, que mantinha-se centrado no depoimento de Caborje, olhou de soslaio para Nicolai, com um leve sorriso torto e zombeteiro para seu cliente: —É, Russo, acho que agora devo começar a temer você, não acha? – Nicolai apenas respondeu com um olhar de esguelha e um riso que mais se assemelhava a um bufar baixo.

—...foi tudo muito rápido, embora na hora o momento parecesse se arrastar. O Comensal nem sequer teve tempo de resistir ao ataque, suponho que pela surpresa – o que não foi pouca! Desta vez foi aquele infeliz que estava prostrado, inerte e indefeso no chão! Um covarde como aquele, que ataca menininhas desprotegidas no meio da mata, não merece mesmo outro tipo de morte!

Osborn, que se mostrava cansado – ou mesmo derrotado – voltou-se para Caborje, em seguida voltando-se para o Juiz, encerrando sua atuação naquela fase: —Muito obrigado por seu depoimento, Sra Caborje. Sr Meritíssimo, sem mais perguntas no momento.
O Juiz apenas assentiu com a cabeça, convocando em seguida o Defensor de Nicolai, Jonathan Davis, que saiu de sua cátedra e se apresentou diante do Tribunal e voltando-se para Caborje, afim de interpelá-la.
—Sra Caborje, sendo testemunha ocular do crime cometido em Hogsmeade, a senhora afirma que o meu cliente atacou violentamente um homem indefeso?

—Hohoho! Você me pegou, garoto! Confesso que usei muito mal a palavra, afinal não se pode chamar de indefeso um Comensal da Morte truculento e portando uma varinha... não, o único crime ali foi o que aquele homem monstruoso fez à menina de cachos...

—Certo... e a senhora conhece Hermione Granger, a 'menina de cachos' como gosta de chamá-la?

—Sim, sim! A conheço há algum tempo! É uma doce menina, muito educada e muito inteligente também!

—E se Nicolai Donskoi não tivesse interferido na ação do Comensal, o que haveria de ser de Hermione Granger?

—E ainda pergunta? Se o rapaz russo não tivesse surgido ali e acertado aquele Comensal, a pobre menina estaria morta ou coisa ainda pior!

Davis deu-se por satisfeito, encerrando sua interpelação: —Muito obrigado, Auror Bhagata Caborje. Sem mais nenhuma pergunta, Sr Meritíssimo!

O Juiz voltou-se para Osborn, que levantou de sua cátedra: —Dr Osborn, há mais testemunhas para depor?

—Não senhor, Meritíssimo. Nossa terceira testemunha foi considerada inapta pelo Conselho.

—Então, aqui se encerra os depoimentos das testemunhas de acusação no caso de Pavel Nicolai Donskoi. Haverá, portanto, um recesso de quinze minutos no Plenário. Após esses quinze minutos, deverão depor as testemunhas da defesa. Aquele que quiser, poderá se retirar do Tribunal e retornar após o intervalo.

Poucos foram os sons de arrastar de cadeiras, pois o Plenário já não se encontrava tão cheio quanto no início da primeira seção, a três dias atrás. Mesmo que as coisas aparentemente andavam mais rápidas desta vez, mais de duas horas já haviam se passado e Nicolai não esperaria para uma segunda ordem para se retirar daquele lugar que lhe parecia ainda pior desta vez. Levantou-se, curvando-se levemente para trás, a fim de alongar e pôr no lugar algumas de suas vértebras e dirigiu-se até Davis, pois não poderia sair dali desacompanhado de seu advogado. Ambos dirigiram-se para a saleta destinada à Defesa e o réu, como foi da outra vez.

Entrando na sala e fechando a porta logo em seguida, Davis se recosta a ela, cruzando os braços à frente, olhando taciturno para Nicolai que se dirigia até o serviço de chá, pois precisava beber algo. Servia-se de algo que parecia ser chá de camomila, quando Davis puxou assunto:

—Sabe aquelas coisas que Caborje falou, de ter a vista treinada para enxergar energias sutis? – Nicolai apenas se dignou a olhar sem muito interesse para seu Defensor, enquanto despejava o chá na xícara. —Isso é uma capacidade que sempre quis ter, mas... confesso que como um Bruxo das Trevas eu sou uma negação e... bem, por muito pouco também não fui deserdado da minha família, pois quase fui tido como um Aborto... meus poderes se manifestaram quase aos dez anos de idade...

Isso não me surpreende... nem sei como foi admitido em Hogwarts! – Nicolai debochou em resposta.

—Hehehe! Na verdade, o Mestre Dumbledore é uma grande mãe! Ele sempre vê aquilo que outros não vêem e sempre tem esperança para dar aqueles que mais nenhuma esperança têm... – Davis estava sério, e foi andando até próximo do serviço de chá, o semblante carregado.

—Eu nasci numa família de Bruxos Trevosos, tenho descendência até no Voodoo jamaicano, mas sou quase uma negação até mesmo como Bruxo: sou péssimo em feitiços, realmente incapaz de praticar os mais elaborados; sou péssimo em Poções, embora faça um ótimo capuccino; e não entendo nada de estrelas, embora saiba que o Sol é uma delas e o principal regente do nosso planeta, regendo a nossa Astrologia...

Davis pausou por instantes, enquanto Nicolai bebericava de seu chá, olhando já desconfiado para o Bruxo de dreads e jaqueta da Adidas a sua frente. O pouquíssimo convívio que teve com Jonathan Davis já era o suficiente para ele estar em alerta e, realmente, esperava com alguma coisa inexplicável – para si – vinda dele. E esperava calado.

—A minha capacidade mágica – se é que isso é mesmo magia... – é o que Dumbledore uma vez me falou: 'Einfühlung' e 'Persuasione' – Empatia e persuasão. O que é quase uma 'vista dupla'...

Você está me dizendo que é um adivinho? – Perguntou Nicolai, zombeteiro, deixando aparecer um sorriso sarcástico, porém incrédulo.

—Hahahah! Claro que não! Só faltava essa, eu ser chamado de sibila! A coisa aqui é mais sutil, é como se eu pudesse prever os fatos futuros através de poucos elementos presentes, saber antecipadamente como eles se desenrolarão, e com isso manipular os resultados e principalmente as opiniões...

Que ótimo para você, New Orleans! Vejo que está na profissão certa, parabéns! – Mais uma resposta maliciosa de Nicolai, que segue em beber seu chá num gole mais generoso, esvaziando sua xícara.

—Que bom que você entende e concorda, Russo! – Davis retrucou divertido, deixando o sorriso mostrar seu dente lascado. —Porque, sabendo que a parada está ganha, eu dispensei as suas testemunhas de defesa!

Nicolai engasgou violentamente com o chá, pondo-o para fora até mesmo pelo nariz. Davis assistia impassível à agonia de Nicolai em tentar respirar enquanto tossia forte. Quando o Animago conseguiu controlar o acesso de tosse e voltou a respirar normalmente, voou para cima de seu Advogado de Defesa, agarrando-o fortemente pelo colarinho. Mesmo Davis sendo uma cabeça maior que Nicolai, o tranco que o Russo lhe deu quase o fez tombar ao chão.

VOCÊ É LOUCO! LOUCO! COMO VOCÊ DISPENSA AS MINHAS TESTEMUNHAS E ME DEIXA ENTREGUE A APENAS UM LADO DA MOEDA?! EU VOU PARA AZKABAN, MAS ANTES TE MANDAREI PARA SAINT MUNGUS!

—CONTROLE-SE! – Davis segurou ainda mais forte os punhos de Nicolai, empurrando-o para longe de seu pescoço, sacando sua varinha por precaução, o que não era na verdade muito necessário, pois Nicolai estava mais depressivo do que violento.

Nicolai saiu cambaleante, não exatamente com o empurrão dado por Davis, mas sentia vertigem com todas as idéias e pensamentos negativos que rodopiavam como um furacão dentro de sua cabeça. Andou desoladamente por alguns passos, agachando-se em seguida, com as mãos pressionando energeticamente sua cabeça, como se segurasse o peso de seus infelizes pensamentos que pareciam que explodiriam de seu crânio.

Não acredito nisso! Não acredito! Alvo Dumbledore... ele iria depor em meu favor! Em meu favor! ...Só a presença dele seria o suficiente para convencer o júri! ...E Hermione! Ela é a vitima e mostraria estar ao meu lado! Não acredito que a coisa tenha sido manipulada de forma tão torpe assim!

Davis franziu a testa, guardando de volta sua varinha na manga direita de seu casaco. Uma coisa era certíssima a se dizer: que o Nicolai que entrou no Ministério há uma semana atrás não era mais o mesmo que esse Nicolai prostrado e confuso que estava logo à frente. Talvez fosse uma boa expiação para o orgulhoso Bruxo Russo, para baixar de vez a crista e ser menos arrogante.

—Não confia mesmo em mim, Nicolai? – Davis perguntou, parando frente ao rapaz, ainda agachado.

Não. – Foi uma resposta seca.

—Eu já sabia. Vamos! Já se foram nossos quinze minutos...

Nicolai retoma o juízo e se ergue, levando as mãos à cintura e jogando a cabeça para trás, encarando o teto e tentando tirar de dentro de si um fio de coragem para voltar ao Plenário e ouvir calado o restante de seu processo.

Afinal, deveria ser resignado com o destino que escolheram para ele e que, tolamente, acabou concordando. Ser resignado como o cordeiro imolado ou bode expiatório que sabia ser, nessa nova versão de "caça as bruxas". Pensar em Dumbledore como um velho maquiavélico era algo que desanimava completamente!


Fim do Capítulo 42 - continua.
By Snake Eyes - 2007.

Nenhum comentário:

Santa Tranqueira Magazine