terça-feira, 11 de junho de 2013

Animago Mortis - Capítulo 34 - Julgamento - Recesso e dúvidas.

Capítulo 34 - Julgamento - Recesso e dúvidas.

N/A: Eu já perdi o fio da meada, então deve ter algumas incoerências no percurso. Então, peço-lhe encarecidamente, que se encontrar essas incoerências, me dê um toque a fim de corrigir o erro. Valews! E mil desculpas '

Davis levantou-se decidido, sobressaltando Nicolai que o observava com olhos arregalados, fazendo com que seu cansaço mental e físico cedesse por instantes. Nicolai ainda enxergava Jonathan Davis como uma bomba pronta a explodir e derrubar tudo o que estava a sua alcance, e qualquer ato ou palavra vinda dele lhe parecia o ponto final de tudo.
 
-Sr Meritíssimo, peço recesso no plenário de três horas, para a reposição de energias.

-É um pedido conveniente, Dr Davis. Dr Osborn, aceitas o recesso de três horas?

Osborn olhou de esguelha para Davis não muito satisfeito, ponderou por instantes e voltou sua resposta ao Juiz: -Sim, sr Meritíssimo. Mesmo a contra-gosto devo concordar de que a pausa é necessária no momento.

-Que assim seja. - o Juiz martelou sobre a mesa, retumbando suas ordens seguintes: -A seção entrará em recesso por três horas. Quem quiser pode retirar-se do plenário e retornar após o intervalo.

Enquanto a platéia, que já havia menos da metade de quando se iniciou o julgamento, se movimentava ruidosamente, indo em retirada do local, Nicolai afundou em sua cadeira, levando a mão esquerda ao rosto, massageando os olhos e fronde. Estava esgotado e o recesso apenas lhe faria piorar sua tensão e alongar esse sofrimento de impasses.

-Va'mbora, russo! Ou prefere esperar por três horas a sua sentença nesse lugar de mau gosto?

Nicolai levantou seu olhar para Davis, absolutamente nem um pouco satisfeito com qualquer coisa que viesse daquele bruxo displicente e debochado. Poupou-se de qualquer resposta, não querendo desperdiçar nem uma gota de fôlego com conversa estéril, mesmo que fosse breve. Sentindo-se muito pesado, Nicolai apoiou as mãos sobre os braços da cadeira e levantou-se, arrastando-se para fora daquele lugar. Tinha a certeza de que não poderia respirar um ar puro e fresco, seria levado para outro cômodo de ambiente estagnado, mas comer e beber algo talvez lhe fizesse algum bem ao seu ânimo.

Réu, Júri, Testemunhas, acusação e defesa, todos são mantidos separados em salas apropriadas, por motivos óbvios. Nicolai entrou numa dessas salas, a destinada ao réu e seu defensor. Não notou nada a sua volta, apenas se jogou sobre uma poltrona de estofado fofo, que afundou ao seu peso, jogando em seguida suas costas contra o encosto, deixando sua cabeça descansar, cerrando seus olhos como se sentisse alguma dor mínima. Iria aproveitar todo segundo disponível para esse descanso, tentar esfriar a mente, não pensar em nada.

Davis entrou logo em seguida a Nicolai na sala, e após fechar a porta atrás de si, parou alguns passos depois, encarando Nicolai com ar indagador, até mesmo perplexo. O garoto, após alguns instantes, percebeu o olhar do advogado em sua direção e se deu apenas ao pequeno trabalho de abrir seus olhos cansados e erguer suas sobrancelhas também em tom indagador, porém aborrecido.

-O que foi agora?! - Nicolai perguntava em tom áspero, mas que demonstrava seu cansaço que ele não fazia nenhuma questão de ocultar.

-Eu estou bolado... - Davis respondeu calmamente, prolongando cada sílaba da frase.

-E eu com isso?! - Nicolai replicou aborrecido, mas voltando-se para sua posição de origem na poltrona e retornando a cerrar os olhos, a fim de descansar um pouco.

-O que você tem com isso? - Davis falou num tom sarcástico, deixando escapar uma leve risada arrastada, sentando-se em seguida na poltrona de frente a Nicolai, remexendo na bandeja que se encontrava sobre a mesinha de centro, com bules de chás, xícaras, pratinhos, bolos e alguns sanduíches. -Você me pergunta o que tem com isso?! - Continuou a falar, agora em tom de ceticismo, como se falasse apenas para si mesmo enquanto preparava as xícaras com o chá e os pratos com os sanduíches.

-Eu tenho a absoluta certeza do que ouvi de Dumbledore... o velho não se engana com uma coisa dessas, mas... - Davis levava a boca o sanduíche no mesmo instante em que empurrava um prato para Nicolai, cutucando-o sobre o estômago. O Animago despertou de sua vigília ainda mais aborrecido, encarando Davis como uma criança que é despertada de um sono bom.

-É muito difícil pra você me deixar em paz?!

-Coma! - Ordenou Davis, empurrando o prato com sanduíche e agora uma xícara com chá para cima de Nicolai. -Precisamos repor energias, não sabemos quanto tempo mais poderá demorar esse julgamento.

Mesmo contrariado, Nicolai pegou o que lhe era oferecido e se forçou a comer o sanduíche, mesmo que não tivesse nem fome nem vontade para isso. Além de estar muito cansado para manter qualquer conversa, não lhe agradava nem um pouco fazer isso com Jonathan Davis e sequer lhe dirigia um olhar. Davis recostou-se em sua poltrona, comendo de boca aberta seu sanduíche enquanto ria para si mesmo.

-Quando sairmos daqui, Russo, quero saber qual é dessa história de marca que não aparece... ou será que você mentiu para Dumbledore?

-Não sei de nenhuma história, não menti para Dumbledore e não pretendo ter mais nenhuma conversa com você depois que sairmos desse lugar!

-Ho ho ho! - Zombou Davis; -Você realmente não foi com a minha cara! Mas, bem, não sou um sujeito rancoroso e tenho pouca vergonha na cara. Sei que Dumbledore é um mago muito poderoso, mas não creio que o poder dele seja capaz de anular o poder de um bruxo como Voldemort. Esse lance da marca negra não aparecer.. isso me deixou bolado!

-Há, não me enche! - Resmungou Nicolai, voltando sua atenção exclusivamente para seu chá e seu sanduíche.

Em Hogwarts, Harry andava pelos corredores, rumo a aula de Transfiguração, pensativo, preocupado com a ausência de Hermione, que havia saído do colégio no dia anterior e ainda não havia retornado. Em seu encalço veio Rony, curioso com o desligamento do amigo, até alcançá-lo e se equiparar lado a lado de Harry.
 
-Cada dia que passa você anda mais esquisito, Harry! Qual é dessa vez?

(-...) Ponderou por instantes, com ar aborrecido. -Hermione... - Respondeu secamente.
-Ah, sim... claro. Ela está fora desde ontem. Você acha mesmo que...?

-... que ela foi convocada pelo Ministério da Magia? É claro que sim! Você também viu a carta que ela recebeu, você conhece muito bem aquele padrão de correspondência.

-É claro que conheço! - Rony respondeu como se a simples idéia de que achassem que ele não conhecesse os procedimentos do Ministério lhe fosse ofensivo. -Ouvi rumores de que aquele Animago foi levado pelos homens do Ministério, provavelmente para algum inquérito. Acha que Mione foi convocada por causa dele?

-É muito provável! Aaah! Maldito! Ainda não consigo aceitar todas as coisas que aconteceram desde então! - Harry jogou sua mochila sobre a mesa no fundo da sala, levando as mãos aos cabelos e despenteando-os ainda mais, remexendo-os nervosamente.

-Pois é... coitada da Mione! Acho que agora ela pira o cabeção de vez!

Hermione encontrava-se adormecida, apoiada no braço do sofá onde esperava pela sua hora de depor no Plenário juntamente com o Prof Dumbledore, quando a porta do salão se abriu por um funcionário de terno preto do Tribunal, dando passagem a uma figura altiva, igualmente de terno preto, que se dirigiu sem demoras até o velho mago, que se dignou a levantar seu olhar da revista de moda que ainda lia para o homem que parou a sua frente. Ao ver de quem se tratava, Dumbledore alargou seu sorriso sincero e costumeiro, abaixando em seguida a revista em seu colo.
 
-Chester Bennington! A que devo a honra da presença do ilustríssimo Secretário de Defesa do Ministério da Magia?

As outras poucas testemunhas de defesa que estavam na sala olharam curiosas para o homem sisudo e altivo, talvez epseculando mil e uma coisas. Hermione despertou inocentemente com a expressividade de Dumbledore. Chester Bennington a olhou interessado por alguns instantes, voltando para o Diretor que ainda esperava por sua resposta com expressão animada.

-Sr Dumbledore, peço que me acompanhe por alguns instantes. Houve uma pausa no Plenário de três horas e gostaria de aproveitar esse intervalo para uma conversação com o senhor.

Hermione despertou de vez, e sem pronunciar qualquer letra, ajeitou-se no sofá, olhando indagadoramente para Dumbledore, sem exatamente saber o que queria saber do velho mago, mas tinha a certeza de que não gostaria de ser deixada sozinha naquele lugar desagradável. Como lesse em seus olhos castanhos o seu pequeno temor, com um sorriso paternal Dumbledore tranquiliza a menina:

-Irei trocar umas palavras com o nosso estimado Secretário de Defesa e logo retornarei, não se preocupe, minha criança.

Chester Bennington assentiu satisfeito, cumprimentando silenciosamente Hermione com um leve aceno de cabeça enquanto Dumbledore levantava-se e ambos saiam do salão, deixando todos os presentes curiosos a olharem até que a porta se fechasse. Hermione voltou sua atenção ao seu colo, onde suas mãos descansavam entrelaçadas, dando um suspiro de enfado, cerrando os olhos a olhar para dentro de si mesma. E, como acontecia toda vez que fazia isso ali dentro daquele lugar opressor, sentimentos estranhos se enveredavam em sua mente, algo entre confuso e cansado, e a imagem de Nicolai, humilhado e subjugado como vira quando ele fora levado de Hogwarts, invadia sua visão, causando-lhe um pesar imenso.
-Por que tudo isso está acontecendo?... - indagou-se, pesarosamente.

Dumbledore e Chester Bennington entraram uma pequena sala contígua, com a desagrável decoração isabeletana, sisuda e opressora. Bennington esperou que Diretor entrasse, fechando a porta logo em seguida. Dumbledore mantinha seus braços cruzados as suas costas, esperando pacientemente para saber o que o Secretário de Defesa queria com ele, quando notou uma figura negra sentada com despojo numa das poltronas das sala.
 
-Ah! Prof Snape! - Exclamou com uma incômoda alegria. -Pelo que vejo não se divertiu em seu depoimento.

Snape resmugou aborrecido, levantando-se de ímpeto da poltrona fofa. -Já fiz a minha parte neste circo, Alvo, como o senhor ordenou.. que lhe dessem a verdade que me pedissem. O que mais vocês querem, afinal?

-A minha vontade, meu caro, você sabe muito bem qual é.. de que nada disso estivesse acontecendo, mas... o que me diz, caro Secretário de Defesa?

Chester Bennington olhou de Alvo Dumbledore para um aborrecido Severus Snape, desviando seu olhar para o chão, meneando a cabeça, em negativa.

-Sei que o senhor, Prof Dumbledore, não concorda com essa atitude, mas é necessário...

-...Pegar um bode expiatório para servir de exemplo aos outros, mostrar que o Ministério da Defesa está vigilante e ativo! - Completou Dumbledore, sem complacência.

-Já palarmentamos sobre isso mais de uma vez, Professor. Mas, apenas posso dizer-lhe que sinto muito.

Snape interrompeu, secamente: -Creio que não foi para nos dizer que 'sente muito' que nos chamou até aqui, Bennington...

-Concordo com Severus... - apoio Dumbledore. -O que aconteceu no julgamento que o fez me chamar para uma conversa particular assim tão de imediato, Chester?

-Bem... sobre a marca negra de Donskoi... - Dumbledore e Snape se entreolharam e olharam interessados e receosos para Bennington, que prosseguiu após breve pausa, sentindo o peso da crítica silenciosa dos dois outros homens. O advogado Osborn utilizou a Mosrmordre em Donskoi e... não surgiu sequer uma leve sombra da marca no rapaz...

Snape olhou assombrado para Dumbledore. Como testemunha, ele estava privado de saber como andavam os acontecimentos dentro do Plenário e, obviamente, não tinha nenhum conhecimento sobre a provação de que Nicolai fora submetido, a de mostrar sua marca negra... que não apareceu, não existe?!

Dumbledore, placidamente, responde a Bennington, de queixo erguido, observando o secretário por detras dos óculozinhos de meia lua, com toda a sua naturalidade.

-E por que deveria aparecer a marca negra em Nicolai?

-Oras, Dumbledore! Nicolai é um comensal da morte! Como pode não haver a marca negra?! - Bennington perguntou impacientemente, não conseguindo compreender o que havia acontecido. Chester Bennington era um homem dado a crer em verdades inabaláveis e seu orgulho não lhe permitia admitir estar errado ou crer em equívocos. Snape continuava a olhar assombrado para Dumbledore, intimamente se perguntando a mesma coisa que Bennington, mas, ao contrário do secretário de Defesa, o Mestre de Poções sabia exatamente quais eram os fatos verdadeiros.

Dumbledore, gravemente, repreende seu ex-aluno: -Não é porque você crê em algo que automaticamente este algo se torna a mais cristalina das verdade, Chester! Não sabia, obviamente, que Nicolai havia sido submetido a Morsmordre. Fico mesmo aliviado em saber que o rapaz não é e jamais foi um comensal da morte!

-Mas, Dumbledore! Era mais que evidente que ele era, sim, um comensal! E que... - Bennington foi interrompido por Dumbledore, que parou-o com a mão espalmada à altura de seu rosto, dando por incerrado aqueles questionamentos e dúvidas.

-Chester Bennington, já é mais que hora de parar de julgar sem conhecimentos. Você poderia ter evitado toda essa situação, mas precisava arrumar um pretexto para mostrar à Comunidade Mágica de que o Ministério não está vacilante. Conseguiu o seu pretexto, julgou sem reais conhecimentos. E mesmo diante de uma prova irrefutável, ainda não se dá por satisfeito com o resultado que conseguiu?

-Não é essa questão, Dumbledore! Mas apenas que... - novamente interrompido pelo velho mago:

-Dê-se por satisfeito, Chester! Suponho que o que ocorreu, a prova de inocência do rapaz, venha trazer divisão de opiniões, mas mesmo assim terá o resultado positivo que tanto almeja: a tranquilidade da Comunidade sabendo que o Ministérios da Magia e da Defesa não estão dormindo no ponto!

Dumbledore deu por encerrado a conversação, dando às costas a Chester Bennington e Severus Snape, saindo satisfeito com as informações que havia rapidamente colhido ali, deixando para trás os dois homens atônitos e sem as respostas de queriam. Cofiando a longa barba prateada, o velho mago devaneia com um sorriso satisfeito no rosto.

Fim do Capítulo 34 - continua...
By Snake Eyes - 2006.

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