quarta-feira, 15 de maio de 2013

Animago Mortis - Capítulo 30 – Julgamento – Sessão Aberta.

Animago Mortis

Capítulo 30 – Julgamento – Sessão Aberta.

Nicolai foi conduzido a uma antecâmara próxima ao tribunal onde aconteceria o seu julgamento. Da mesma forma como ocorreu na primeira vez, o rapaz estava prostrado pelo uso das algemas mágicas, que tiravam dele boa parte de suas forças e seu poder. Mas não apenas isso o reduzia à miséria que sentia se encontrar, era principalmente por ele julgar veemente de que o Diretor Alvo Dumbledore o havia abandonado à própria sorte. Não que o velho Mago lhe devesse qualquer favor ou obrigação, mas ele acreditou mesmo nas suas palavras de apoio.
 
Talvez ele estivesse sendo um grande tolo em dar tanta importância a este fato. Sim, sua vida, sua liberdade estavam em jogo, mas quantas vezes ele passou pela fase que viver e morrer não faziam a menor diferença? Esteve aprisionado dentro de si mesmo por tanto tempo que não seria diferente se fosse aprisionado em Azkaban. Esse pequeno lapso de liberdade, ao romper com a maldição, não poderia contamina-lo com a tolice de esperança. O que deveria deixar bem claro para si mesmo é que para ele não havia qualquer chance de retomar a sua vida com era há muitos e muitos anos, mesmo porque essa vida já havia desaparecido feito névoa ao calor dos primeiros raios de sol da manhã, sem deixar vestígios, sem haver dna. E a maior tolice era, certamente, a de crer que Hermione o veria com bons olhos algum dia...

O advogado Jonathan Davis interrompeu Nicolai, segurando-o pelo ombro, pois o garoto mal percebia para onde havia sido levado. Davis, em tom baixo e autoritário, num meneio de cabeça, chama qualquer um dos dois agentes que acompanharam a ele e ao seu cliente até ali.
—Retire as algemas.

Com toda má vontade do mundo, um dos agentes posicionou-se perante Nicolai, apontando a varinha para os pulsos do rapaz, murmurando o feitiço que fez as algemas esvaecerem até desaparecerem por completo, deixando o réu novamente livre.

—Saiam. – Ordenou Davis, secamente.

Davis ficou observando os agentes se retirarem até que a porta fosse batida, cujo baque seco reverberou pela antecâmara, ficando apenas defensor e réu a sós.

Nicolai olhou de esguelha para o ex-colega de classe, ainda desconfiado e nada satisfeito. Jonathan Davis retribuiu o olhar taciturno de seu cliente com seu sorriso sádico, movimentando-se para postar-se de frente para Nicolai que, apenas, ainda o observava sem nada dizer.

—Ouça bem, russo: pouco me importa o que você pensa e acha de tudo isso que está acontecendo. Não estou nem aí se você tem fé em sair dessa ou não. Estou aqui só pra fazer o meu trabalho, e se meu trabalho foi requisitado, ele será executado da melhor forma possível.

Na breve pausa em que Davis falava a Nicolai num estranho tom sério, o animago desviou seu olhar para um ponto qualquer do chão, dando uma singela risada de desdenho, fazendo com que seu defensor se sentisse entediado ainda mais com a situação. O garoto, porém, mantinha-se mudo, e Davis o olhava como se ele fosse a coisa mais boçal do mundo.

—..também não me importa se você confia ou não em mim... – continuou Davis, como se não houvesse tido nenhuma interrupção. —Faço isso pelo Mestre Dumbledore. Ele acredita em você e isso me é suficiente.

O garoto encara seu defensor, com um sorriso torto nos lábios, e finalmente pronunciando alguma coisa desde que fôra retirado de sua cela.

Qual é a desse discurso, afinal? É alguma tática para eu crer que sairei ileso dessa imensa palhaçada que se forma em meu entorno? Não sou um legilimante, então, 'por favor, Dr Davis', faça a gentileza de dizer logo o que quer me dizer.

O sorriso no rosto redondo de Jonathan Davis se alargou. O homem cruzou os braços sobre o peito e dirigiu um olhar zombeteiro a Nicolai, que se tornava ainda mais insatisfeito com a situação a cada minuto que passava.

—Aah.. a velha arrogância se fez presente. Agora sim você se parece muito mais com aquele russozinho metido à besta de vinte anos atrás. Pois bem, ouça e guarde, e não me faça repetir. – Davis voltou ao seu tom sério, encarando Nicolai com uma firmeza que até então ainda não havia demonstrado.

—O Mestre Dumbledore me contou a sua história, Donskoi. Sei o que você é e onde você andou metido, então preste muita atenção: durante o julgamento, responda as perguntas que lhe forem feitas com toda a sua firmeza; não deixe margens para duplo sentido; responda com a verdade e nada além da verdade, mas, se mentir, leve isso até o fim, sem recuar e sem vacilar um instante. O Ministério está apenas preocupado com a nova 'santa inquisição', não está nem aí para você como pessoa. Você e nada são a mesma coisa. Tudo que eles querem é uma oportunidade de dizer à Comunidade Bruxa que estão fazendo direitinho o trabalho deles e tirando de circulação os bruxos maus.

Imaginei algo parecido... – Falou Nicolai numa voz fugidia. —A eficiência deles em querer me levar imediatamente a um julgamento chega a ser teatreco.

—Realmente.. um termo bastante apropriado a este circo de macacos. Mas entenda uma coisa de vez por todas, Donskoi: O Ministério é um circo de macacos e porcos, sim, porém macacos e porcos com poder suficiente para arruinarem moralmente qualquer um.. e eles nem sequer usam magia para isso. Da mesma forma que o Mestre Dumbledore não é um velhinho gagá e tolo, Cornelius Fudge não é aquele sapo otário que aparenta.

O que você quer dizer com isso? – Perguntou um ainda mais desconfiado Nicolai, cujos olhos oblongos desapareciam sob o cenho franzido.

O sorriso sádico de Davis voltou ao seu rosto e o advogado se deteve por instantes como se a saborear as incertezas de seu réu.

—Preocupe-se única e exclusivamente com sua própria pele, russo. Talvez com um pouco de sorte consigamos uma vidinha meia-boca entre os trouxas para você, 'Nicolai'...

Davis caminhou até uma outra porta, que daria acesso à câmara principal, onde ocorrerá o julgamento. Como o mesmo sorriso de sempre, Jonathan Davis indica gentilmente com a mão esquerda a saída da antecâmara. Nicolai o observa mudo e estático, mas com um olhar que mostrava toda a sua insatisfação e pessimismo em relação ao seu destino final.

A grande câmara principal, onde era constituído o Tribunal deliberativo, a decoração, por assim dizer com boa vontade, era no sisudo estilo do século 16, o "elisabetano", propagado pela Rainha Elizabeth. Apesar da iluminação por archotes presos às paredes e as velas suspensas num grande candelabro no centro do teto da câmara, o ambiente era escuro devido à tonalidade das paredes, chão e móveis, todos em madeira da cor do mogno. Como fosse um anfiteatro, a sala era constituída por um tablado semi-oval, onde, no centro, ficava a cátedra do juiz e ao seu lado direito ficavam as vinte e uma cadeiras do júri. O centro era como um palco, um espaço livre para a transição das pessoas. Ao lado esquerdo da cátedra do juiz ficavam duas cátedras mais baixas destinadas aos réus e testemunhas. Após o dito palco, haviam duas mesas separadas ao espaço de uma, destinadas à acusação e outra à defesa. Atrás de tudo isso estava a bancada de várias fileiras dispostas ao público que quisesse assistir aos julgamentos.
 
Não se podia dizer que o Tribunal estava cheio. Haviam apenas uns poucos curiosos como espectadores, alcoviteiros pelas desgraças alheias. Porém o Juiz, os vinte e um membros do júri e o Promotor já se faziam presentes.

A aflição de Nicolai nos últimos dias dentro daquela cela subterrânea não se comparava à angústia que o invadiu no momento em que pisou no Tribunal. O local, por si só, já parecia comprimir, julgar e penalizar quem ali estivesse, que devesse ou não algo à sociedade. Ao ver todos aqueles rostos estranhos que dispensaram imediata atenção a ele, Nicolai sentiu-se ainda mais sozinho e desamparado, como há muitos anos não se sentia, mesmo antes de Hermione entrar em sua vida. Seu coração pulsou lento e dolorosamente. A garganta tornou-se seca e áspera. Mas, inacreditavelmente, Nicolai ainda sabia como esconder seus sentimentos para o mundo exterior, então seu semblante se mantinha inexpressível.

Conduzido para a mesa da defesa por outros dois agentes do Ministério que o aguardavam dentro do Tribunal, Nicolai sentou-se em sua cadeira, tomando a devida providência de não cruzar o olhar com qualquer bruxo que estava presente naquele momento. Davis sentou-se ao seu lado em seguida. Um burburinho geral tomava conta do recinto, tanto pela presença do réu quanto pela presença do advogado Jonathan Davis que, em seus poucos mais de dez anos de magistrado, fez na Comunidade Bruxa muita fama, conquistando alguns admiradores e ganhando milhares de desafetos.

O juiz ajeitou-se em sua grande e adornada cadeira, batendo com o martelo de madeira três vezes seguidas com rigor contra a sua mesa, exigindo ordem e silêncio dentro do Tribunal.

De imediato todos se calaram e se ajeitaram nos lugares. O Juiz, nitidamente satisfeito, põe-se a falar seu discurso rotineiro, abrindo a sessão do julgamento. Para Nicolai, apenas mais um palavrório fastidioso. Sentia-se como se estivesse num sonho, num estágio letárgico onde as pernas não moviam quando a mente queria andar, a boca não mexia quando se queria falar, o raciocínio não trabalhava quando o ego tentava se sobrepor ao id. Não que ele estivesse ainda prostrado ou sofrendo da ação das algemas mágicas, mas, como se tivesse ocorrido de um instante para o outro, tudo aquilo havia perdido toda a sua importância. Aquele julgamento para Nicolai, naquele momento, havia deixado de ser algo real e o seu desfecho pouco importava... talvez ele acreditasse mesmo que não sairia ileso dali.

Depois de aberta a seção, o Juiz verifica se todos os vinte e um jurados estão presentes no recinto e, logo em seguida, abre uma urna, que fora previamente lacrada com magia, e retira de lá vinte e uma células, cada uma correspondente a um membro do júri, confirmando e deixando pública a identidade de cada um ali. Fechando e lacrando novamente a urna com magia, o Juiz, então, anuncia quais os processos serão, ali, submetidos a julgamento, passando para o Porteiro do Auditório a missão de apregoar as partes – acusação e defesa – e as testemunhas convocadas.

Ainda para Nicolai tudo soava como a um zumbido ininteligível, como se estivesse em meio a uma multidão, onde se ouve tudo e de tudo, mas não se entende absolutamente nada. Mas no momento em que o Porteiro começou a divulgar os nomes das testemunhas, alguns nomes surtiram efeito imediato no rapaz, como um baque gelado que o acertava diretamente no peito, fazendo-o gelar internamente. Toda a sua inanimação desvaneceu-se imediatamente e seu coração tomou um ritmo como se quisesse recuperar algum tempo perdido... mas para ele, naquele momento, era impossível decidir se aquilo era um bom ou mau presságio.

E não houve tempo para decidir-se. O Porteiro do Auditório invoca a presença do réu diante do Juiz e, antes que Davis forçasse com palavras grosseiras, Nicolai levantou-se de sua cadeira, os braços estendidos em punhos fechados ao lado do corpo. Mirou ao alto, para encontrar o rosto do Juiz. Mas um acaso feliz fez com que o semblante de Nicolai parecesse a ele, o Juiz, sereno e humilde, porém isso era devido ao turbilhão de pensamentos que se tumultuavam na mente do rapaz.

Seguindo a norma de conduta, o Juiz então começa o interrogatório com as perguntas básicas, as quais Nicolai responde com naturalidade, exceto à última, em que foi possível, aos mais atentos, sentir na voz do réu a insatisfação de tornar aquilo verídico.

—Pavel Nicolai Donskoi, descendente da Dinastia Donskoi, senhores fidalgos das terras de Lentz, na Rússia Oriental; trinta e sete anos.. – a isso foram ouvidos alguns murmúrios de admiração e outros de incredulidade. — ..meu defensor é.. o Sr Jonathan Davis... – a isso, pronunciado com má vontade, mesmo não ter virado seu rosto ou ousado olhar mesmo que de canto de olho para seu advogado, Nicolai sentiu em sua direção o sorriso sádico e zombeteiro de Davis, mesmo que isso não tenha sido passado exteriormente. Mas há sentimentos que jamais ficam ocultos.

—Como eu consigo me meter nessas situações?
 
Perguntava para si mesma Hermione, sentada num banco estofado, dentro de uma antecâmara, onde também estavam outras pessoas que ela, talvez por nervosismo, não se dignava a olhar sequer de relance, mesmo para o Prof Dumbledore, sentado tranqüilamente ao seu lado oposto da saleta, que rabiscava animado com um lápis um livreto que, possivelmente, se tratava de uma mera revista trouxa de palavras cruzadas.

Hermione sentia-se enfadada naquele lugar. Não havia uma janela para a qual distrair-se olhando para a paisagem de fora; não haviam livros para passar o tempo, apenas algumas velhas revistas e jornais; conversar até gostaria, principalmente para poder aliviar toda a tensão que ia em seu peito, mas não havia em si o mínimo ânimo para fazê-lo. Se fosse possível, faria com que esse momento presente fosse pulado e se tornasse apenas um buraco no tempo... mas isso não era possível, fosse ou não com magia.

A menina, entediada, levanta-se do banco, desamassando a saia e continuando a balançar os braços em seguida, como se quisesse espanar de sua roupa alguma fuligem invisível. Hermione tomou o cuidado de não virar para a direção de nenhuma das outras testemunhas ali presentes, andando para a direção de um canto vazio da saleta, onde havia apenas uma pequena mesa e uma jarra de cristal que ostentava um buquê sem graça, o qual serviu de pretexto para que a menina mantivesse as costas para os outros presentes, fingindo que olhava curiosa para as flores quase murchas e secas que tentavam em vão alegrar o ambiente sisudo e inóspito.

—Se eu soubesse que aquele gato era um animago, teria cobrado uns galeões a mais por ele...
À voz alegre que se ouviu as suas costas, Hermione virou-se num sobressalto, encontrando a mulher que lhe falava com um sorriso até simpático no rosto. Levou alguns instantes ainda para a menina reconhecer de quem se tratava e quando o fez deixou escapar uma exclamação muda, seguindo para um sorriso sem graça que a fez voltar sua atenção para a jarra de flores murchas.

—Eer.. aquilo... f-foi muito inusitado. Ninguém.. nunca percebeu nada.

—E nem mesmo você? Afinal ele conviveu bastante com a senhorinha, não?

Hermione voltou a olhar a mulher por sobre o ombro, meneando negativamente com a cabeça, em movimentos curtos e bruscos. Será possível que teria que passar o resto do ano a ouvir esse tipo de comentário? —N-não, não senhora. Se nem a Profª Minerva ou o Prof Dumbledore foram capazes de perceberem algo, eu menos ainda...

A mulher levou a mão ao ombro da menina, com se quisesse consolá-la. —Eu sei, mocinha. Se um animago não quer ou não pode se mostrar, não há nada que faça como descobrir isso. Crookshanks esteve em minha loja por uns oito ou dez anos e jamais tive a mínima idéia em imaginar tal possibilidade. Quando se lida com criaturas mágicas todo o tempo, certas capacidades nos passam totalmente despercebidas e no máximo que consegui desconfiar era de ele fosse um mestiço de gato comum com amasso.

—É... – Hermione voltou-se para a mesinha, de cabeça baixa, desanimada. —Eu também cheguei a cogitar essa hipótese, quando fui buscar informações sobre ele, mas... bem, que seja... – Aqui a voz de Hermione não foi nada além de um sussurro, dando por encerrado o assunto, que a velha bruxa entendeu perfeitamente.

—É, que seja. Por isso e por outras que a vida é muito interessante.

No tribunal, Nicolai já estava sendo interrogado. Era fastidioso e sua vontade era de permanecer calado, mandando aos infernos tudo e a todos – e, em algumas passagens, foi por muito pouco que não respondeu com um "vá pro inferno!". Mas tinha que manter seu sangue frio e a cabeça completamente lúcida a fim de encurtar o máximo possível aquela seção, se mostrar de boa vontade e que não tinha o que temer e esconder – o que era uma inverdade, mas ali seria a mais cristalina das verdades.
 
—...Então, Sr Donskoi, o senhor afirma que não tinha controle algum sobre o assassinato do comensal que não conseguiram identificar por faltar às Autoridades documentos a respeito e PELO SENHOR tê-lo deixado desfigurado a ponto de ser irreconhecível? – Questionava o Promotor de Acusação, que, apesar da interpretação na fala, mantinha-se sério e com movimentos calculados.

Nicolai o olhava desinteressadamente, porém sempre mantendo firmeza. Ademais, essa não lhe era uma pergunta que o comprometia com a sua moral, já que não havia nenhuma mentira na resposta.

Sim, senhor. Eu não tive nenhum controle humano naquele momento. O que me fez ataca-lo daquela forma foi meu instinto de preservação, sequer havia me dado conta de que não estava mais preso à forma animaga.

—..Mas como já foi dito e provado que todo bruxo animago em sua forma animal tem plena consciência humana, o senhor, embora afirme o contrário, teve não apenas a intenção de matar, mas como também o fez com requintes de crueldade, usando demasiada força para tal... o senhor acabou de afirmar que havia matado o comensal e o negará agora?

Não, não estou negando nada... – Nicolai titubeou, não esperava por uma pergunta dessas. Sentiu um amargo horrível na garganta e a opressão em seu peito só fez aumentar. —...mas.. eu não tinha noção alguma da minha força ou do que realmente estava fazendo! Tudo que queria era que aquele maldito pagasse por tudo que fez contra a minha don.. c-contra a Srta Granger! Tudo que lembro é vê-la desfalecer pelas mãos dele e achar que ele havia a matado! E eu não pude protegê-la! Então precisava fazê-lo pagar por aquilo! – Nicolai não pôde deter sua emoção neste momento, deixando transparecer o seu desespero em lembrar-se daquela cena horrenda. O que esse homem queria afinal? Preferia ele a vida de um miserável comensal à vida de Hermione!

—Então o senhor confirma que matou ao comensal por livre e espontânea vontade, não para defender alguém, pois se cria que a vítima em questão estava morta e não há o porque defender os mortos, mas ainda assim atacou ao homem, o espancando até a morte, praticando a justiça com as próprias mãos, usando força descomunal e requintes de crueldade.

—PROTESTO, MERITÍSSIMO! O caro colega está torcendo os fatos, imputando uma falsa conduta ao meu cliente! Exijo uma réplica.

O Juiz dá uma única batida com o martelo sobre a mesa, falando calmamente logo em seguida:

—Protesto aceito. Faça sua réplica, Dr Davis.

Jonathan Davis avançou para o centro do júri, estando lado a lado com o Promotor. Nicolai o olhava apreensivo, não imaginando o que poderia vir dele, no mesmo instante que sentia-se completamente idiota de ter deixado a emoção domina-lo, mesmo que por alguns instantes.

—O meu cliente sofreu a ação de uma maldição imperdoável por vinte anos, tendo seu corpo e mente envenenados por uma magia negra poderosa, que foi provado por laudos médicos assinados por um expoente da atual medicina bruxa, Dra Papoula Pomfrey. Será que os aqui presentes crêem que após ser obrigado a viver como um animal por duas décadas, um homem conseguiria raciocinar como um homem instantes depois de voltar a sua forma humana? Ainda mais sob imensa pressão, ao ver a iminência da morte de um ente importante para si? Animais não matam por prazer! Matam por alimento ou por defesa, sua ou de seus pares! O nobre colega Osborn afirma que meu cliente, o Sr Donskoi, tinha consciência humana e desejo de vingança quando meu cliente, que está sob juramento mágico, afirma que sequer tinha noção de seu corpo e sua força. Oras, se meu cliente afirma que não tinha noção sequer de seu próprio corpo, isso significa que ele não tinha consciência humana afinal, uma vez que animais não têm raciocínio lógico!

Numa breve pausa, Nicolai sequer piscava, tão centrado estava diante da apresentação de Davis que era, de fato, um tanto quanto expansivo no palco. O garoto não conseguia deixar de pensar que sua vida estaria arruinada pelas mãos daquele lunático e agora ainda mais, não prevendo aonde ele chegaria com aquelas palavras.

—..então, Sr Meritíssimo, cavalheiros e damas do Júri, nobre colega e caros espectadores, meu cliente, o Sr Donskoi, que por vinte anos viveu plenamente como um animal, cometeu um crime grave através de seu instinto de preservação, como ele mesmo afirmou, logo, Sr Juiz Meritíssimo, eu considero inapto este crime ser julgado por este tribunal, uma vez que meu cliente cometeu tal crime sob consciência animal, logo, acato à idéia de que o Sr Donskoi deva ser julgado pelo Tribunal de Criaturas Mágicas do Departamento de Controle e Execução de Criaturas Mágicas!

Um burburinho e exclamações preencheram o ambiente após as palavras de Davis. Nicolai, de olhos arregalados, não conseguia crer no que seus ouvidos escutaram e Osborn, o advogado de acusação, mostrou-se imediatamente indignado com tal proposta estapafúrdia de Jonathan Davis, que, por sua vez, parecia completamente satisfeito com suas palavras e com a reação geral.

Osborn, indignado, treplica:

—Isso é um completo absurdo, Davis! Não podemos julgar um homem através do Departamento de Controle e Execução de Criaturas Mágicas. Mesmo que o bruxo tenha a capacidade da animagia, ainda assim ele é um ser humano! Desde a Convenção de 1811 ficou decretado que bruxos, mesmo os animagos e até mesmo vampiros, lobisomens e megeras são classificados como 'seres', dito assim pelo então Ministro da Magia, Grogan Stump, que 'qualquer criatura que possuísse inteligência suficiente para compreender as leis da comunidade mágica e para compartir com a responsabilidade na preparação de tais leis'... logo, o Sr Donskoi, mesmo sendo um animago, é um 'ser' e como tal deve permanecer em julgamento no Tribunal Bruxo.

—PORÉM, caro Dr Osborn, o meu cliente agiu por instinto animal e matou um homem consciente de ser um animal, algo que ele não é, pois devido ao determinado na Convenção de 1811, como bem lembrou o nobre colega, o Sr Donskoi, bruxo animago, compreende-se na 'categoria de seres'. Oras, então o que temos aqui: um homem assassinado cujo crime foi cometido por um ser inconsciente de sua personalidade, agindo por um instinto que não convém a um ser humano, sua real natureza, mas a um animal. Porém, a consciência é a mola mestra de nossos atos e se ela não existe, os atos perdem seu significado filosófico. Logo temos um crime, uma vítima, entretanto, sem um culpado.

Sem saber exatamente o porque, Hermione sentia-se apreensiva... seria óbvio que isso era devido à situação, mas ela, no fundo, guardava algo que não queria mostrar nem a si mesma. A verdade é que sua apreensão era a mesma de Nicolai e ela estava preocupada com o que se passava após aquela maciça porta de madeira a sua frente.
 
Voltou sua atenção totalmente à porta de madeira escura muito sólida e de adornos trabalhados. O que a preocupava não era no que seria interrogada, nem o que viria a dizer, se prejudicaria ou auxiliaria Pavel... sequer pensava nisso naquele momento, sequer lembrava-se disso há mais de uma hora. Tudo que sentia, além de um estado letárgico, era um vazio em seu coração, como se experimentasse uma profunda solidão, um profundo desamparo.

Ao longe, despreocupadamente, estava Alvo Dumbledore, que já estava com um novo livro de palavras cruzadas em mãos. O velho mago observava discretamente a menina, adivinhando o que ela se negava a aceitar.

Sentado à cadeira do réu, as energias de Nicolai se exauriam rapidamente devido à situação tediosa e enfadonha. Responder às inúmeras perguntas, ouvir argumentos absurdos a respeito de si, sentir toda a atenção de todos naquele plenário sobre ele, sentir o receio e o desejo de que ele fosse condenado e penalizado, misturados a outros sentimentos contraditórios como compaixão, por exemplo... é, passar tantos anos recluso com um animal desenvolveu nele uma percepção incomum que, naquele momento, inconscientemente, amaldiçoava-se por isso. Aquele excesso de sentimentos alheios que se chocavam e se confundiam sobre si, pairando no ar feito um nevoeiro abafado das madrugadas de verão, o estavam deixando ainda mais enjoado. Porém, a todo custo, mantinha-se ainda muito lúcido, a fim de não vacilar em suas respostas que não poderiam falhar de forma alguma e deixar aparente a sua inverdade, principalmente quando tais perguntas esbarravam num assunto que ele gostaria que se tratasse apenas de um terrível pesadelo e não parte de seu passado: Comensal da Morte.
 
—...sendo um bruxo de família tradicional de linhagem nobre e sendo, ainda, um estudante de nível avançado como demonstra em seu currículo escolar, o senhor afirma, simplesmente, que desconhecia a regra do Ministério Geral, estipulada há mais de trezentos anos, de que todos os bruxos animagos devem ser registrados e o não cumprimento de tal obrigação acarreta em descumprimento de uma Lei secular, caracterizando como um crime grave devido à complexidade do caso? – No tom de voz e interpretação de Osborn havia uma medida exata de indignação que não se deixava mostrar como disfarce. Os movimentos lentos e ponderados do Promotor deixavam Nicolai quase sonolento de tão entediado.

—Discordo, Meritíssimo! – Davis levanta-se mais uma vez de sua cátedra, posicionando novamente ao centro do tablado.

O juiz martela mais uma vez sobre sua mesa, concedendo o direito à réplica a Davis. —O senhor tem permissão para expor seu ponto de vista, Dr Davis.

—Protesto, Meritíssimo! Isso é um artifício do Dr Davis para que o réu não responda ao questionamento!

O Juiz tornou a martelar a mesa, desta vez com dois baques mais fortes que o anterior. —O direito de réplica ao Defensor já foi consentida e é irrevogável. Ao senhor será dado o direito de tréplica.

—Obrigado, Meritíssimo. – Davis agradeceu firmando com meneio positivo da cabeça. —É fato verídico tal Lei que obriga os animagos ao registro perante o Ministério Geral dos Bruxos, assim como é obrigatório o registro de vampiros e lobisomens, mas um bruxo torna-se um indivíduo plenamente capaz ao completar exatos dezoitos anos de idade. Apenas quero lembrar ao colega Dr Osborn, que meu cliente era menor de dezoito anos na época, logo um indivíduo legalmente incapacitado para responder por deveres e obrigações que não condiziam com sua idade. E sendo um indivíduo ainda não emancipado e sob tutela legal de seus pais, o Sr Donskoi não poderia, por si só, dar entrada ao seu registro de animago, obrigação e dever cabível apenas aos tutores legais. Portanto, tal questionamento é uma injúria, visto que a culpa não pode recair ao meu cliente e sim aos seus pais que omitiram tal fato e deixaram de regularizar a situação do filho.

—Se a questão aqui é a de se refrescar a memória, então faço o mesmo pelo colega, caro Dr Davis.. – Osborn voltava-se com um tom de cólera e sarcasmo que não combinavam com sua pessoa, mas que divertiam muito a Davis, que respondeu com um singelo sorriso. —No primeiro depoimento do réu, feito ao Excelentíssimo Secretário da Defesa, Chester Bennington, o Sr Donskoi afirmou com veemência de que ocultou de todos, por anos a fio, o fato de ser um animago, inclusive de seus próprios pais, então seus tutores legais. Portanto, o que entendo é que o réu agiu de má fé, possivelmente com planos premeditados em que envolveriam sua animagia. Logo, podemos concluir que tal ocultação de um fato que é de grande orgulho por exaltar ao bruxo uma capacidade incomum, fosse para ser usada da forma mais escusa que assola a Comunidade Bruxa até os dias de hoje: a prática da magia negra e o seguimento ao Que-não-pode-ser-nomeado.

A simples menção que lembra Voldemort fôra o suficiente para que todo o Tribunal se tumultuasse em balbúrdias. Nicolai sentiu-se gelar por dentro, por ver ali exposto o questionamento a que tanto temia: a acusação de pertencer ao Círculo das Trevas e seguir ao Lord Voldemort. Suas mãos suavam geladas; estavam fechadas tão fortemente em punhos que, se ele estivesse menos concentrado no plenário, sentiria suas unhas ferirem as palmas de suas mãos. O momento que tanto temia estava próximo e duvidava que conseguiria encontrar argumentos convincentes de que jamais fora um Comensal. Essa odiosa realidade estava tão impregnada em si que ele duvidava que algum dia conseguiria viver sem a sombra desse passado que tanto o condena. Se esse passado não conseguisse condenar e aprisionar seu corpo, sua mente já o penalizava há muitos e muitos por isso e o faria até o fim de seus dias na Terra.

Nicolai voltou de seus devaneios com sobressalto pelas marteladas que o Juiz dava energeticamente sobre a mesa, exigindo ordem no tribunal. Após alguns instantes todos os espectadores e júri acalmaram seus ânimos, dando espaço para que as partes, ou seja, Promotoria e Defesa, voltassem aos seus questionamentos com o réu e aos seus debates. Nicolai voltou seus olhos para os dois advogados, mas uma nevoa parecia pairar a sua frente, pois, a quem o observava, parecia que o rapaz não via nada diante de si.

Osborn posicionou-se de fronte à cadeira do réu, voltando ao seu inquérito.

—Como acabou de ser dito, o senhor ocultou de todos, inclusive de seus pais, o fato de ter a capacidade da animagia. Isto é ou não um fato?

Nicolai não respondeu de imediato, mas os conselhos de Dumbledore e, ironicamente, de Davis vieram a sua mente com a mesma velocidade de um raio que recorta as densas nuvens numa tempestade. Nunca vacilar. Nunca titubear. Jamais dar margens para duplo sentido. Ser preciso. E se mentir, mentir com franqueza – se é possível tal artimanha - e leva-la, a mentira, até o fim.

Sim, é um fato. Eu escondi de todos que eu havia desenvolvido a animagia.

—E com qual intento o fez, Sr Donskoi? Considerando que tal fato é um caso do qual se orgulhar e não se envergonhar, por que ocultou o fato de ser um animago?

O nevoeiro escuro que pairava virtualmente sobre Nicolai finalmente o envolveu naquele momento. Feito um filme de imagens desbotadas, as cenas de sua vida passavam em constante aceleração, remetendo-o ao real motivo que o fez esconder de todos sua capacidade de usar a animagia. Escondeu para poder usar contra o Império de Voldemort. E usou. E por isso fôra amaldiçoado. Concluiu, com tudo isso acontecendo em lapsos de segundos, que a verdade tomava formas diferentes de acordo com o ângulo que se via. E ele exporia, agora, um desses ângulos.

Meus pais eram Comensais da Morte.. e havia a intenção de transformar-me em um logo que eu me formasse em Hogwarts... julguei que, se descobrissem essa capacidade, iriam querer acelerar esse processo, pois eu acreditava que o Lord Voldemort ficaria muito interessado em ter um animago as suas ordens e pressionasse meus pais a me entregarem o quanto antes.

Apenas o Juiz, Davis e Osborn conseguiram ouvir a resposta de Nicolai até o fim, por estarem mais próximos a ele. Pois, assim que o garoto mencionou a primeira sílaba do nome de Voldemort, um novo burburinho, ainda mais tumultuado que o anterior, tomou conta do recinto. O Juiz martelou dezenas de vezes a mesa, cada vez com mais força que a anterior, até que, minutos depois, os bruxos ali presentes voltassem a sua calmaria. Furioso, o Juiz virou-se para Nicolai, ordenando-o num tom de voz letal, perigosamente.

—Sr Donskoi, está terminantemente proibido de citar o nome Daquele-que-não-deve-ser-nomeado dentro do meu Tribunal. Se desacatar uma única vez a seção será encerrada e o senhor será encarcerado novamente em sua cela por um longo tempo até que seja definida nova data de seu julgamento.

Sim, senhor.. – Nicolai voltou-se para suas mãos fechadas em punhos sobre seu colo, envergonhando-se por sua tolice em se mostrar que não temia a Voldemort, pronunciando seu nome daquela forma. Idiota. Aquilo não era hora e nem lugar para tais bobagens. Precisava se manter centrado naquilo que era a coisa mais importante: lutar por sua liberdade, pois essa era a única forma de se aproximar de Hermione.

Foi a vez de Davis interceder. Tomando a frente de Osborn, postou-se frente a frente com Nicolai que o encarou imediatamente ao perceber que vinha do Defensor algo de ruim, um sarcasmo ou mesmo diabólico. Nicolai viu nos olhos pequenos e negros de Jonathan Davis que ele estava adorando tudo aquilo... Definitivamente, ele não confiava em seu advogado.

—Sr Donskoi, o senhor acaba de afirmar que tinha conhecimento que seus pais eram Comensais da Morte e, principalmente, que tinha o conhecimento que eles planejavam fazer do senhor um seguidor do 'Que-não-pode-ser-nomeado'...

Uma breve pausa, provavelmente para aguçar ainda mais a expectativa de todos os presentes. Nicolai estava congelado por dentro, a respiração difícil e quase dolorosa. O garoto estava a beira do pânico e seus olhos transmitiam isso, embora seu semblante estivesse alterado apenas pelas sobrancelhas cerradas. Davis sorriu seu sorriso sádico, deixando a mostra o dente lascado. Apenas segundos se passaram, mas foram suficientes para deixar todo o plenário num mórbido silêncio.

—...se o senhor tinha a consciência desses fatos, por que não buscou ajuda, Sr Donskoi?

A-ajuda? – Nicolai titubeou com a pergunta, da qual não esperava (que estava se tornando um hábito por ali). Pelo diabo, onde esse retardado do Davis queria chegar! —Ajuda! Onde eu poderia buscar ajuda! Não havia onde encontrar auxílio e nem como fazê-lo! Tudo que eu fizesse levaria meus pais à Azkaban ou a morte pelas mãos do Lorde! Somente uma pessoa poderia tirar meus pais do Círculo das Trevas e garantir a segurança deles, mas... isso era impossível... Nunca houve onde buscar qualquer ajuda...

A voz de Nicolai sumiu num sussurro, porém nitidamente ouvível aos que estavam próximos dele, como Davis, Osborn e o Juiz. O silêncio reinava absoluto no Tribunal, todos com suas atenções voltadas a Nicolai. Até mesmo Osborn e o Juiz do Tribunal estavam na expectativa pelo o que viria e inacreditando de que Jonathan Davis estivesse fazendo a vez da acusação e não da defesa, que era o papel que lhe cabia naquele julgamento. Osborn o observava incrédulo e boquiaberto.

Vendo que Nicolai havia se acalmado, Davis decide voltar ao seu interrogatório.

—QUEM poderia tê-los ajudado, aos seus pais e ao senhor, Sr Donskoi?

Nicolai voltou-se novamente para seu advogado, que havia assumido novamente sua expressão séria de antes. O réu já não parecia mais tão frio e ponderado como antes, de quando havia chegado horas atrás ao Tribunal. Aos que prestavam atenção ao seu rosto, viam em Nicolai algo como desamparo.

Hermione já havia se cansado de andar de um lado para o outro dentro da antecâmara, onde permanecia à espera de seu interrogatório juntamente com outras testemunhas de defesa convocadas por Jonathan Davis através do Ministério da Justiça. Um mal estar a invadiu e a menina sentiu a urgente necessidade de consolo e girando o olhar pela saleta, encontrou o Prof Dumbledore, que descansava as mãos com o livreto em seu colo e dispensava à Hermione um olhar terno e preocupado.
 
Sem se preocupar com convenções e deixando de lado toda e qualquer convicção, Hermione sentou-se ao lado vago do velho mago, que de pronto passou-lhe o braço por sobre o ombro da menina e com a mãos delicadamente posta sobre a cabeça de Hermione, a conduziu até seu ombro, num aconchego paternal. Hermione fechou os olhos ao sentir uma sensação morna de embalo, acalmando-se de imediato.

—Está tudo bem, querida. – Falou Dumbledore num sussurro, com seu típico tom de otimismo. —A decoração dessa sala é horrível e isso cansa a gente..

Hermione riu baixo com o comentário de Dumbledore. Mas sentia saber que ele percebia o que se passava dentro de seu coração, embora ela própria não entendesse o porque dessa súbita sensação de desamparo e angústia...

—O senhor não pode se calar ante uma pergunta feita em pleno Tribunal, Sr Donskoi. – Alertou Davis. —Eu repito a pergunta: QUEM poderia ajudar ao senhor e aos seus pais, Sr Donskoi?
 
Nicolai respirou fundo e segurou por instantes o ar em seus pulmões, como a buscar forças para encarar mais uma vez essa triste e desonrosa verdade.

O Patriarca Vassili Afanassievich Donskoi, pai de meu pai.

—E por que não buscou sua ajuda, Sr Donskoi, uma vez que havia a ligação sangüínea e familiar tão forte, sendo que eram pais, filhos e neto?

Porque... porque o Patriarca nos deserdou da Dinastia Donskoi quando descobriu que meus pais abandonaram a Rússia para se submeteram a um bruxo impuro por uma ambição inexplicável. Nós nos tornamos párias e meu avô sempre acreditou que era preferível a morte à desonra!

Fim do Capítulo XXX – Continua...
By Snake Eyes – 2005.

N/A: Jamais estive num tribunal e menos ainda assisti a um julgamento. Para poder montar toda essa farsa, baseei-me em filmes que contenham tais cenas e, principalmente, no site "Jus Navigandi", sob os textos dissertativos de Marcus Vinícius Amorim de Oliveira, promotor de Justiça no Ceará. Então, para quem sabe como realmente é e para quem faz Direito (e deve tá tendo convulsões com minhas descrições) só tenho a lamentar por mim mesmo por não ter competência de representar melhor um julgamento. Isso que escrevi é uma forma extremamente simplificada da coisa. Só o fiz porque não quis pegar o modelo já apresentando no livro de HP por mais de uma vez e que achei tais julgamentos péssimos, então quis fazer algo um pouco mais elaborado e que não fira gravemente a inteligência de ninguém.

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