sexta-feira, 10 de maio de 2013

Animago Mortis - Capítulo 29 – Julgamento – Apresentação.

Animago Mortis
Capítulo 29 – Julgamento – Apresentação.

Dumbledore escrevia a pena e tinta em sua escrivaninha quando Snape adentrava a sala circular do Diretor com certa apreensão. Eram por volta das dez da manhã de segunda-feira, o dia fatídico que se daria o início do julgamento de Nicolai Donskoi pelo Ministério da Magia.

Snape, respeitosamente, esperou que Dumbledore terminasse o que estava fazendo para dispensar-lhe a atenção. Postava-se ereto, parado há alguns centímetros de distância da mesa do Diretor, até que este terminava seu escrito e o depositava num envelope de pergaminho, lacrando-o com cera vermelha e usando seu anel como selo. Levantou-se e foi até Falkes, murmurando instruções à ave que Snape não pode entender a linguagem que o velho Professor falava.

A Fênix assentiu com a cabeça e segurou firmemente em seu bico a carta que Dumbledore lhe alcançava. Esticou suas longas asas, alongando seus músculos. Posicionou-se como uma flecha no arco, mirando a janela redonda que ficava acima da mesa do Diretor e alçou vôo, mas tudo que podia ser percebido era um borrão vermelho disparando para o céu de azul pálido, deixando um rastro de poeira dourada atrás de si.

Só então Dumbledore voltou-se para o Mestre de Poções, que o olhava intrigado, mas que não se atreveria a questionar o que seu Mestre acabava de fazer. Certamente era alguma mensagem de extrema importância, a ponto de o velho mago usar a Fênix para entregar a carta.

Dumbledore sorriu alegre para Snape:

—É uma mensagem muito importante sim, meu caro. É uma carta para a Srª Maria Ivánovna e o Sr Vassili Afanassievich...

Snape permaneceu estático e mudo por alguns instantes, assimilando o que o Diretor acabava de lhe dizer. Tornou-se estupefato, não pelo Diretor lhe responder algo sem que ele tivesse pronunciado uma sílaba sequer de sua indagação, mas por finalmente entender, ou melhor, lembrar-se de quem se tratava Maria Ivánovna e Vassili Afanassievich.

—...O Senhor não acha que está sendo precipitado? Nicolai ainda será julgado e sequer temos certeza se ele será mesmo absolvido... ademais, é provável que os avós dele já estejam mortos...

—E é provável também que ainda estejam vivos, Severus... é tão difícil assim para você ser um pouco otimista?

—Ora, Alvo, veja bem, não é isso... nós nunca tivemos sequer alguma notícia dessas pessoas. Lembro-me que o Senhor comunicou a eles sobre a morte do filho e da nora e do desaparecimento de Nicolai e eles sequer retornaram qualquer resposta, nem uma carta de pesar ou coisa do tipo, não é mesmo?

—Na verdade, eu recebi uma resposta deles sim... na carta diziam não ter mais qualquer responsabilidade ou qualquer ligação familiar com Nicolai e seus pais... apesar de não ter entendido tal atitude na época, não me achei no direito de questioná-los, afinal pertencem a uma cultura muito diferente da nossa. Mas hoje eu entendo o que aconteceu, graças ao que Nicolai nos contou sobre ele e seus pais terem sido deserdados da dinastia Donskoi.

—E mesmo que os velhos estejam ainda vivos, o Senhor acredita que a opinião deles mudou a esse respeito? – Snape não pode conter o seu tom sarcástico.

—O que creio, Severus, é que as pessoas mudam com o decorrer do tempo. A vida e o sofrimento moldam as pessoas fazendo-as repensar suas opiniões e atitudes... seja como for, creio, principalmente, que Maria Ivánovna e Vassili Afanassievich têm o direito de saber que o neto deles está vivo.

—Vivo e talvez não, Alvo, caso Nico seja condenado à Azkaban.

—Quanto a isso, meu rapaz, faremos de tudo para evitar... mas se for esse o seu destino, só teremos a lamentar, infelizmente.

Dumbledore deu dois tapinhas no ombro de Snape, com um meio sorriso nos lábios e retirou-se para o seu dormitório a fim de aprontar-se para ir ao Ministério e auxiliar Nicolai em seu primeiro julgamento, que estava marcado para às três da tarde.

Hermione estava concentrada escrevendo as anotações que eram passadas pela Profª Sprout, sobre os efeitos hipoglicemiantes da Bauhinia, na aula de Herbologia, que era feita em conjunto com Lufa-Lufa. Tão centrada estava que não percebeu uma enorme coruja negra que adentrava naquele momento na estufa, desviando-se com perícia das plantas carnívoras que estavam suspensas em vasos presos ao teto, e lançavam botes sobre a ave. Chegando ao fim da estufa, a coruja encontra espaço para fazer o retorno rasante, passando como um tiro pelas cabeças dos alunos que se encolhiam e largando um envelope em pergaminho negro sobre a cabeça de Hermione, que só então percebeu o pequeno alvoroço entre os outros alunos.

Assim como surgiu, a coruja desapareceu em instantes. Hermione soltou um muxoxo de raiva e enquanto arrumava algumas mechas de cabelos que se soltaram com o impacto da carta, viu sobre a mesa o que havia sido jogado sobre sua cabeça. O envelope negro continha um lacre em cera com o escudo do Ministério da Magia. Com relutância, pega a carta, virando-a e vendo seu nome escrito em letra prateada numa caligrafia gótica. A aula simplesmente parou naquela hora, pois todos os outros alunos estavam muito interessados no que Hermione acabava de receber. Apenas uns poucos sabiam do que se tratava tal envelope negro. O burburinho se tornou geral.

Harry, que já havia recebido mais de uma vez cartas como essa, ficou observando ao longe, apreensivo. Não apenas ele, mas Rony, que também conhecia aquele padrão de correspondência.

A garota sentiu-se incomodada com os olhares e cochichos que eram dirigidos a ela. Na mesma proporção estava curiosa e apreensiva com o que vinha ali. Olhando de esguelha para uma aborrecida Profª Sprout que aproximava-se de sua mesa, acha por bem guardar a carta e lê-la em um lugar reservado após a aula.

—Srta Granger, talvez essa carta seja importante. A senhorita pode se retirar da aula para lê-la, se quiser. – Falava a Professora de voz fina e que mais se parecia com um pequeno arbusto do que com uma pessoa.

—N-não.. será necessário, professora... obrigada. Tenho certeza que não é tão importante assim que não possa esperar quinze minutos até o fim da aula.

—Se a senhorita acha... quanto a vocês, voltem para as suas anotações! Não esqueçam que tudo que estamos vendo nesse trimestre será de muita importância para as aulas de Poções e as provas do NIENs que envolvem essa matéria! Vocês não vão querer repetir com o Prof Snape justo no último ano de vocês, não é? – A Professora falava alto com os outros alunos numa vozinha que se tornava ainda mais estridente, mas só a menção do nome de Snape fora o suficiente para que todos voltassem rapidamente aos seus pergaminhos. O silêncio fora restaurado e só era quebrado pelo baque das mandíbulas das plantas carnívoras suspensas.

Com muito custo, Hermione voltou as suas anotações, mas, obviamente, sem nenhuma concentração. Apenas podia supor do que se tratava tal carta, mas não tinha a mínima idéia o que trazia escrito para si. Com a crescente curiosidade, expectativa e ansiedade, não conseguiu completar uma frase sequer sem errar alguma palavra, resultando em muitas rasuras que a deixou muito aborrecida.

No escritório do Diretor Dumbledore, Minerva McGonagall o auxiliava com as papeladas dos registros dos alunos, quando a coruja negra do Ministério adentra na sala circular derrubando sobre a escrivaninha do Professor um envelope em pergaminho pardo, com o lacre do Ministério.

A Professora parou seus afazeres enquanto Dumbledore alcançava o envelope, abrindo-o e retirando dele a breve carta, que lê em segundos e volta sua atenção à McGonagall com uma expressão preocupada no rosto, que a deixa um pouco apreensiva.

—O que diz a carta, Alvo? É alguma notícia ruim? – Perguntava com reservas.

—Não exatamente, mas... é uma carta do Ministério nos informando que intimaram a Hermione para depor como Testemunha no julgamento de Nicolai, hoje!

—Hoje?! Mas o que o Ministério está pensando afinal?! Por que já não enviaram essa intimação antes?

—Isso é o de menos, Minerva... como está Hermione? Você acha que ela tem condições emocionais de prestar algum depoimento?

—Bem.. ela ainda está abalada com tudo o que aconteceu, não diria que ela está emocionalmente equilibrada... na verdade, ela está muito instável. Estive conversando com ela nesses últimos dias, mas não tenho como afirmar com certeza de que ela poderia suportar um depoimento...

—Hermione, provavelmente, já está com a intimação em mãos. Teremos que conversar sério com ela, Minerva. O depoimento dela poderia complicar um pouco a situação de Nicolai.

—Hermione jamais faria algo para prejudicar alguém, por mais que estivesse emocionalmente fragilizada... não conscientemente, ao menos.

—Exatamente, Minerva. Mas se ela estiver muito confusa e temerosa, talvez ela possa, sim, prejudicar o julgamento do rapaz. Traga-a até aqui para que eu possa falar com ela, por gentileza.

—Claro que sim, Alvo. A essa hora ela deve já estar saindo da aula de Sprout... e é muito provável que ela própria venha procurá-lo.

Logo que a aula de Herbologia acabou, Hermione guardou rapidamente seu material na mochila, saindo logo em seguida, deixando para trás uma multidão de alunos curiosos aos cochichos e olhares indagadores. Harry e Rony se contiveram para não ir atrás dela, pois certamente não seriam nem um pouco bem tratados pela menina.

Em passos apressados, Hermione encontra um canto vazio no jardim, próximo à entrada do castelo. Joga sua mochila sobre o banco de pedra e retira de lá o envelope de pergaminho negro. Olhando mais uma vez o remetente e o destinatário, dá uma rápida olhada para os lados para se certificar de que estava realmente sozinha.

Sentindo um temor irracional e um suor frio nas mãos, a menina inspira fundo, segurando o ar nos pulmões e mantendo os olhos fechados por alguns segundos. Quebra o lacre de cera e retira do envelope um pergaminho pardo escrito em letras de fôrma. Sua ansiedade é tanta que precisa reler o pergaminho mais duas vezes para compreender exatamente o que ali estava proposto... ou melhor, imposto. Ela acabava de ser intimada a depor como Testemunha no caso de Donskoi pelo Ministério. E isso é para hoje, às quinze horas!

Hermione fechou os olhos mais uma vez, sentindo-se um pouco trêmula pelo nervosismo. Amassou a carta nas mãos, encostando-as em seu queixo. Precisava assimilar e meditar a respeito. Antes de qualquer coisa, simplesmente não sabia o que fazer. Jamais esteve num tribunal antes... por que ela teria que depor? Obvio! Era lógico que isso viesse acontecer, afinal o réu em questão fora seu gato de estimação por quatro anos...

Seria cômico se não fosse grave... e se ela dissesse algo que prejudicasse o animago? Se Donskoi tivesse que pagar pelos crimes que cometeu, que não fosse com a sua ajuda, afinal, ela não tinha nada contra ele, muito pelo contrário...

Hermione abriu subitamente os olhos, balançando a cabeça em negativa com raiva e resmungando um 'droga'. Fecha rapidamente sua mochila, jogando-a em suas costa e correndo em direção ao castelo, com a carta de intimação do Ministério amassada em sua mão que a segurava em punho fechado com força. Precisava falar com o Professor Dumbledore! Somente ele poderia clarear seus pensamentos em relação a isso.

Enquanto andava apressada desviando-se da multidão de alunos que saiam e entravam em outras salas, Hermione é surpreendida por alguém segurando-a pelo braço. Vira-se exasperada, encontrando o rosto preocupado da Profª McGonagall.

—Hermione, o Diretor quer falar com você... – dizia Minerva de forma ríspida por causa do alvoroço de alunos que ecoava pelo corredor, deixando o lugar incomunicável de forma civilizada.

A menina apenas assentiu com a cabeça, engolindo a seco. Certamente o Prof Dumbledore já sabia sobre sua intimação, afinal, ele sempre sabe de tudo que acontece naquela escola.

A gárgula de pedra que dava acesso ao escritório do diretor, deu passagem à Hermione e Minerva assim que a professora proferiu a senha. Deixou que a menina entrasse primeiro e esta subiu rapidamente a escada em caracol para o segundo pavimento da sala redonda. Dumbledore estava atrás de sua mesa, com um atípico olhar sério e suas mãos de dedos longos e finos cruzadas sobre a mesa.

Hermione estava exasperada pela situação e pela correria até chegar ali e sequer lembrou-se de cumprimentar o Professor. Minerva, sentindo a tensão da garota, leva suas duas mãos aos ombros dela, esboçando um sorriso de confiança. A menina a olha por sobre os ombros, mais calma. Aproxima-se da mesa de Dumbledore, alcançando-lhe sua carta de intimação.

—E-eu acabei de receber isso aqui e... não sei o que fazer! Nunca passei por situação semelhante e não sei o que poderia dizer em testemunho ao Shank-quer dizer: a D-donskoi!

Dumbledore pega a carta amassada da mão trêmula de Hermione, passando rapidamente os olhos pelo pergaminho. Subiu seus olhos azuis-água para o rosto pálido da garota, observando-a por sobre seus óculos de meia-lua por longos instantes, até que sorri de forma otimista para Hermione.

—Querida, tudo o que tem que fazer é ir hoje ao Ministério da Magia e responder com a verdade ao que lhe perguntarem... acha disposta a fazer essa breve viagem em companhia desse velho gagá aqui?

Hermione pareceu relaxar diante daquelas palavras, embora ainda demonstrasse certa ansiedade.

—Ah! Então eu iria com o senhor... ah, bem, assim, então... – levou os dedos ao rosto, deixando seu olhar em meditação se perder pelo chão ornamentado em mármore.

—Então isso quer dizer que a senhorita concorda... – uma breve pausa para a atenção da menina, que voltou a olhar o Professor com expectativa. —... que eu sou mesmo um velho gagá? – Dumbledore terminava a frase com um largo sorriso no rosto.

Pronto. Apenas isso e fora o suficiente para quebrar toda e qualquer tensão que pairava sobre Hermione, que relaxou imediatamente, soltando os ombros, dando uma gostosa, mas breve risada.

—Não é isso, bem... eu realmente não saberia o que fazer por lá estando sozinha, mas já que o senhor estará junto, acho que não tenho o que temer...

—Oh, isso é ótimo! Então o seu temor é pela novidade, por não saber exatamente como se ocorre um processo de julgamento, é isso?

—É, mais ou menos... eu estava com medo de dizer o que não devia e acabar prejudicando o... Donskoi. Se ele deve, ele tem que pagar, mas eu... não quero nenhum mal a ele e... seja lá o que ele tenha feito no passado, eh.. bem, acho que todo mundo merece uma segunda chance, não?

Com uma expressão otimista no rosto, Dumbledore levanta-se de sua mesa e posta-se em frente à Hermione, pousando suas mãos no ombro da menina e olhando-a diretamente em seus olhos cor de mel. O velho mago mantinha um sorriso muito confiante nos lábios.

—Está completamente certa, minha querida. Mas, quando você estiver no Tribunal e o promotor lhe fizer as perguntas, basta seguir seu coração e a regra do 'sim' ou 'não' e nunca 'talvez'. Mas do que isso não será necessário e tenho certeza que ajudará a esse julgamento se tornar mais justo.

Em sua cela, Nicolai mantinha-se prostrado, apenas esperando os guardas da segurança para escoltá-lo até o Tribunal. Estava vestido com as roupas que a Profª McGonagall lhe arranjara, o conjunto negro de calça reta e balandrau.

As barras de energia que trancavam a cela se evaneceram até desaparecerem completamente, dando entrada a três homens, todos vestidos em trajes negros. O primeiro que entrou, postou-se parado a frente de Nicolai, que permanecia sentado na cama. Chamou a atenção do rapaz de forma zombeteira.

—Pavel Nicolai Donskoi... o almofadinha russo que veio pra Inglaterra só pra se ferrar bonito! É, isso que dá trair a pátria amada!

Nicolai levantou seu olhar para o homem parado a sua frente, que tinha uma voz rouca e grave. Se olhar de ódio matasse, certamente tal homem estaria estatelado no chão, aos seus pés.

Mas o garoto, mesmo em meio à raiva, surpreendeu-se com a aparência do sujeito. Era muito diferente dos outros agentes que circulavam por ali, sempre bem alinhados e que parecia que usavam um quilo de gel nos cabelos curtos, além dos rostos lambidos, sem qualquer vestígio de barba.

O cara parado a sua frente tinha os cabelos castanhos escuros compridos até a cintura, pendentes em dreads que lhe davam uma aparência desleixada. No rosto redondo e de pequenos olhos negros, dois rabiscos nos cantos do lábio superior sugeriam ser algum bigode. O homem usava um sobretudo aberto por sobre a calça e camisa também negras. Para destoar ainda mais do conjunto, nos pés calçava tênis negro, com três listras brancas em cada lado... o bruxo usava um calçado tipicamente trouxa! Mas o que surpreendeu ainda mais Nicolai é encontrar uma expressão amistosa, contradizendo ao tom com que lhe falava... afinal, qual era a desse cara?!

—Faça o que tem que fazer e me poupe de comentários cretinos, sim?!

—Wow, man! Não é assim que você deve tratar um velho colega e seu advogado de defesa... – o homem batia pesadamente no ombro de Nicolai, enquanto mantinha um sorriso alegre e sádico no rosto.

—O MEU O QUÊ?!! – Nicolai levantou-se estupefato! Agora sim a sua vida ia ruir de vez!

—Tá brincando, não é?! É o Professor Dumbledore que fará a minha defesa! Não você! NINGUÉM ME DISSE NADA! E eu nem sei quem é você! Como pode ser minha defesa se nem apareceu aqui para tratarmos disso!?!

O homem deu uma calorosa gargalhada, então repôs a mão sobre o ombro de Nicolai, que ainda permanecia estupefato.

—Sou Jonathan Davis, de New Orleans, da América! Hogwarts, Sonserina, 1975... fui transferido pra lá dois anos antes que você! Perdi dez dos cinco duelos no Clube contra você... lembrado agora?

—Ah, sim... – respondeu Nico, sem qualquer entusiasmo, ainda olhando com desconfiança ferina ao bruxo alegre e sádico. —...e você é meu advogado de defesa?!

—Exatamente! E um dos melhores – e a modéstia que se dane! Foi o Mestre Dumbledore que me convidou. – Davis terminava a frase com um largo sorriso, que mostrava um dente da frente lascado... provavelmente de algum réu que perdeu a causa, mas acertou-lhe um soco.

Os ombros de Nicolai arriaram como se o mundo houvesse desabado em suas costas. Prostrado, a vontade que tinha era de chorar.

—Eu não acredito nisso! Dumbledore me abandonou! Eu sabia que daria tudo errado! Devia ter ouvido o Severus...

Davis fez uma cara de indignação, que chegou a ser teatral.

—EI! Tá me subestimando, cara?! O veinho não te abandonou não, maluco! Ele vai tá aqui pra te dar uma força na hora combinada! Só porque sou um Sonserino quer dizer que não presto pra defender alguém?

Nicolai voltou a olhar para Davis, mas de forma cética, mantendo uma das sobrancelhas arqueadas.

—Ainda duvida, é? Mas que cara mais pessimista! Bem que o Mestre falou! Nem todos os Sonserinos são canalhazinhas das Trevas, não, falô?! E na minha antiga escola nem tinha dessa segregação absurda! Era todo mundo do Voodoo ao som de Hendrix mesmo!

Davis se virou para os dois agentes que esperavam impacientes na entrada da cela, fazendo sinais bruscos com a mão.

—Ei, vocês dois! Vamos trabalhar, anda! Põe logo as pulseiras no garoto aqui e vamos nessa que já tá na hora!

—Pulseiras? – Perguntou o muito desconfiado Nicolai.

—É, a algema! Sabe como é: eles acham que você pode evaporar de repente, embora seja impossível qualquer desmaterialização dentro do Ministério... mas na minha opinião é que, com tantos RATOS que tem por aqui, eles temem que você vá a caça de alguns deles, saca?

Os agentes passaram por Davis a muito contra gosto, mas não ousando pronunciar qualquer palavra. Jonathan Davis era um excelente advogado conhecido por não ter papas-na-língua e muito sarcástico. Sua ardil inteligência já lhe rendeu alguns atentados contra a vida.

Algemado e nada confiante, Nicolai foi escoltado para fora da cela pelos agentes e seu advogado, que caminhava ao seu lado. Se ele antes tinha pouca fé de que conseguiria sair daquele lugar para a liberdade, agora, certamente, ele não tinha mais nenhuma.

Era tudo que ele precisava para ser condenado à prisão perpétua em Azkaban. O abandono do Prof Dumbledore que lhe entregou a um bruxo sonserino que já era louco em sua época de aluno em Hogwarts.

Por que ele não deu razão a Severus Snape?!

Fim do Capítulo 29 – continua...
By Snake Eye's – 2004

N/A: Jonathan Davis é uma "homenagem" ao vocalista do Koяn, a melhor banda do século... bem, é páreo duro com System Of A Down...

Maria Ivánovna e Vassili Afanassievich são os pais do escritor russo Nicolai Vassilievich Gogol (1809-1852), autor de Almas Mortas, de 1842. Um livro considerado verdadeira obra-prima da literatura, que serviu de base para as melhores obras literárias russas do século 19. Suas outras obras mais relevantes foram: O Capote, O Inspetor do Governo (considerada umas das melhores peças de teatro já escritas) e Tarass Bulba.

Maria Ivánovna era uma mulher muito inteligente e culta, autora de "Memórias". Foi ela quem despertou o interesse pela literatura em pai e filho.

Vassili Afanassievich – era escritor de peças de teatro nas horas vagas, peças estas que ele próprio ensaiava, encarnava os personagens que mais tinham a ver com ele e apresentava ao público da aldeia onde vivia com a família, Kuptchinski, perto de Poltava, na Ucrânia.

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