terça-feira, 26 de março de 2013

Animago Mortis - Capítulo XXIV – Um Dia Perdido

Animago Mortis
Capítulo XXIV – Um Dia Perdido

Dumbledore estava num grande gabinete de decoração sisuda, com brasões, diplomas e condecorações ornamentando as paredes. Diante de si, uma mesa em madeira negra, um homem igualmente sisudo de cavanhaque, em um terno negro muito bem alinhado, falava-lhe em tom amável, apesar da expressão de poucos amigos.

—... e levando-se em conta que o rapaz é filho de ex-comensais da morte, mortos por nossos aurores na primeira guerra contra Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, o tribunal também o julgará por esse crime, o de ser um Comensal da Morte..

—Meu caro Secretário de Segurança... o senhor está me dizendo que irão condenar o rapaz apenas por suposições? O Ministério não tem nenhuma prova de que Nicolai Donskoi é realmente um Comensal?

—É o que iremos averiguar e provar, Sr Dumbledore. O senhor sabe que isso é algo que eles não podem esconder mais de nós, afinal eles carregam a marca de seu crime em seu próprio corpo que pode ser facilmente revelada com um feitiço.

—Mas vocês estão se baseando em suposições, apenas porque os pais do garoto eram Comensais? Isso não significa que ele também o seja. É injusto que ele pague pelos erros cometido por seus pais.

—O que queremos fazer é justiça, Sr Dumbledore. O Sr Donskoi não pagará por nenhum crime cometido por seus pais, mas como forma de precaução, ele será acusado, sim, de ser um Comensal da Morte, até que se prove o contrário. É o novo sistema do Ministério da Magia que reza pela cartilha da prevenção... isso tem dado bons resultados.

Dumbledore levanta-se da cadeira acolchoada de couro negro, já se despedindo do Secretário, com seu sorriso típico no rosto.

—Eu até compreendo as novas medidas que vêm sendo adotadas pelo Ministério, embora eu não concorde com muitas delas. Mas é muito estranho acusar um pobre rapaz que esteve sob domínio de uma maldição por vinte anos apenas por suposições, quando muitos Comensais autênticos são postos em liberdade, mesmo quando já fora provado mais de uma vez sua ligação com Voldemort e crimes bárbaros.

—Concordo no aspecto geral com o senhor, Professor. Poder e dinheiro influenciam muito, pois podem contratar os melhores advogados criminais que sabem como interpretar as leis e suas brechas em favor do réu.

Dumbledore estende a mão para despedir-se do Secretário, que já havia também levantado de sua cadeira e posto-se em frente ao Diretor, apertando-lhe a mão oferecida, aproximando-se um pouco mais do velho mago, falando-lhe quase num sussurro.

—E cá entre nós, Professor.. espero que o senhor tenha êxito na defesa de seu aluno. Sei que o senhor não defenderia quem não merecesse.

—Fico realmente feliz em ouvir isso, Bennington.. fico feliz em saber que ainda mantém o mesmo espírito de justiça e honestidade de quando era ainda um aluno de Hogwarts.

—Eu tive um excelente exemplo moral, não é Prof Dumbledore?

Os dois homens apenas sorriram pela cumplicidade. Dumbledore segurava firmemente com as duas mãos a mão de seu ex-aluno enquanto este lhe dava tapinhas no ombro.

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—Pontual, senhorita... mas cheguei a pensar que esqueceria do seu compromisso, afinal, não é comum a senhorita cumprir detenções, não é mesmo?

—Eu não me esqueceria disso nem se quisesse, Prof Snape. – Hermione respondia, desviando seu olhar para qualquer ponto da sala. Era mesmo uma situação extremamente desagradável.

—Vejo que sente-se ousada, Srta Granger... então poderá ter o primeiro dia de sua detenção com algo leve... alguns caldeirões incrustados para limpar sem uso de magia. – Instigava Snape, com um sorriso de escárnio no rosto.

—Como queiras, senhor. – Respondia com visível desdenho, já se aprontando para o serviço e indo em direção aos caldeirões, seguida pelo olhar avaliativo e nada satisfeito do professor.

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Harry andava lentamente e cabisbaixo em direção ao Salão Comunal da Grifinória, totalmente alienado ao que se passava ao seu redor. Juntos iam alguns de seus amigos, como Seamus, Neville, Rony e Dean, que conversavam animadamente entre si.

Gina vinha correndo em direção aos garotos, que mal conseguiu parar a tempo, trombando com Harry que a aparou pelos braços antes que caísse no chão. A menina parecia alegre e apavorada ao mesmo tempo.

—Tá doida, Gina?! Vai salvar alguém da morte, por acaso? – Ralhava em tom autoritário o seu irmão Rony.

Gina ignorou totalmente as palavras e olhar reprovador do irmão e os olhares curiosos dos outros garotos, agarrando Harry pelos braços que ainda a seguravam.

—Harry! Eu a vi! Vi a Mione! Ela está na detenção com Snape a essa hora, mas pude falar com ela! Ela tava um pouco aborrecida pela detenção, mas fora isso, tava tudo legal com ela! Parecia a mesma Mione de sempre.

Harry apenas ficou fitando a amiga ruivinha, sem enxergá-la de fato. Isso o deixava muito aliviado, em saber que Hermione tinha finalmente saído de seu esconderijo em que ficou durante todo o dia. Ela sequer havia aparecido para o almoço ou mesmo o jantar. Estava mais aliviado em saber que ela estava bem, estava "como sempre". No mínimo, uma preocupação a menos, mas havia muitas outras coisas que precisavam ser esclarecidas, serem despreocupadas. Ficaria esperando pelo retorno da amiga ao Salão Comunal a noite inteira se preciso fosse. Precisava, pelo menos, constatar por si próprio se Hermione estava mesmo bem, se estava numa condição aceitável.

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Hermione esmerava-se no seu serviço, conseguindo fazer um bom trabalho de limpeza com aqueles caldeirões velhos e sujos. Talvez para um sangue-puro isso fosse mesmo um serviço terrível, uma verdadeira tortura, mas para ela, que já estava mais que acostumada a ajudar na lavagem da louça e outros serviços domésticos quando ia para casa nas férias, aquilo até que estava servindo como uma terapia ocupacional, fazendo-a se esquecer completamente dos assuntos chatos que rondavam a sua vida nos últimos tempos.

Enquanto raspava o fundo de um pequeno caldeirão com uma espátula de metal, um leve sorriso se formou em seu rosto, deixando-a com uma expressão até mesmo feliz. Snape, que a estava avaliando desde que ela chegou, estranhou a alegria da garota.

—O que há de tão divertido com esse caldeirão, Srta Granger? Não acha que esse é o último, não é? ainda restam mais dois para fazer o serviço. – Snape falava num tom zombeteiro, desviando sua atenção dos pergaminhos que rabiscava sobre sua escrivaninha.

—Hã? Ah, claro que não professor, eu sei disso... é que.. me lembrei da primeira vez que fiz brigadeiro de panela... foi um desastre e eu passei umas duas horas tentando limpar a panela. – Hermione respondia em tom divertido, como se não se desse conta com quem falava, sem desviar sua atenção do caldeirão que continuava a raspar.

—Brigadeiro de panela?

—É, sim! É um doce trouxa, brasileiro, feito de chocolate e leite condensado, e muito bom... não quando sou eu quem faz, lógico... – A voz de Hermione desapareceu quase num sussurro no fim da frase, dizendo aquilo apenas para si mesma, voltando a raspar vigorosamente o caldeirão, ainda com um arzinho divertido.

Snape levanta-se de sua mesa e vai até onde a garota está, ainda a avaliando com o olhar, tentando descobrir algo importante nela, algo que justificasse aquela tolice cometida por Nicolai, a de se entregar ao Ministério quando muito bem poderia ter fugido, desaparecido...

"—Aquela garota, Severus, vale a minha vida.. e a do mundo inteiro..."

O Prof de Poções pára em frente à Hermione com os braços cruzados sobre o peito, a olhando de forma desdenhosa. A menina sente-se incomodada com aquilo, não conseguindo ignorar o fato e encarando com aborrecimento o seu professor.

—Estou fazendo algo errado, professor?

Snape ainda permaneceu em silêncio por alguns instantes, incomodando ainda mais Hermione que começava a pensar em montes de bobagens naquela hora. Jamais soube que Snape pudesse ter a fama de pervertido, ele poderia ser tudo de péssimo e mais um pouco, mas, ao menos, isso ela tinha quase certeza de que ele não era... quase. Se ele tentasse qualquer gracinha, ela não hesitaria em estuporá-lo no mesmo instante. A varinha presa às costas no cós da saia, a mão já preparada para puxá-la caso necessário fosse...

—O que há de tão especial.. de tão importante em você... a ponto de colocarem a própria liberdade tão cara em risco por sua causa...?

Snape falava num sussurro que só era perceptível por causa do silêncio sepulcral que dominava aquela sala de aula na masmorra. O Mestre de Poções permanecia estático, braços cruzados sobre o peito, os olhos semi-cerrados e frios olhando para a garota, tentando buscar a resposta no fundo de seu âmago. Hermione o olhava surpresa, também estática, sem saber o que responder ou como agir. Achou por bem fingir que o ignorava e voltar ao seu divertido serviço de limpeza de caldeirões.

Do que, afinal, o Prof Severus Snape falava... ele claramente a desdenhava, a menosprezava, mas isso não era nenhuma novidade, sempre fora assim desde o primeiro dia de aula em Hogwarts, há sete anos. Mas por que agora essa súbita curiosidade em querer saber o que ela tinha de especial? Oras, tinha, sim, muitas qualidades, assim como também tinha muitos defeitos, mas nada que já tivesse interessado a Snape ou que ele viesse considerar como qualidade, por exemplo... parou de raspar o fundo do caldeirão por instantes, pensando que talvez o professor se referisse a Donskoi... seria isso possível?

"—Hermione... Você é muito importante para mim, jamais duvide disso..."

Hermione ergueu a cabeça novamente, a boca entreaberta esperando pelas palavras saírem dali, mas não encontrando mais o professor Snape diante de si, que já havia voltado a sua escrivaninha e rabiscava muito concentradamente o feixe de pergaminhos de alunos que estava em sua mesa. Olhou de esguelha para ele, voltando-se novamente para si, para seus pensamentos.

Seria possível que o animago tenha se entregado ao Ministério por livre arbítrio? E o que ela teria a ver com essa decisão? Ela era importante para ele, foi o que ele havia lhe dito na noite anterior, naquele encontro tão singelo.. tão surreal... por que Snape lhe dissera isso? Agora estava ainda mais confusa do que momentos antes...

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As horas da noite iam avançando e os alunos, aos poucos, iam se recolhendo para os dormitórios. Harry permanecia sentado sobre a poltrona de veludo carmesim que ficava em frente à lareira, lendo um livro para se distrair e passar o tempo... ao menos fingia que lia.

Na mesa próxima à lareira, Rony e outros garotos disputavam partidas de xadrez bruxo, como costumava ser todas as noites. Alguns outros ainda conversavam sobre a primeira partida de Quadribol do ano, que aconteceria amanhã, e seria o clássico Grifinória versus Sonserina.

Vez ou outra alguns garotos mais novos tiravam Harry de seus pensamentos perguntando e comentando algo sobre o jogo, que ele respondia ora por monossílabos, ora fazendo-se de indiferente. Com uma apatia palpável, logo os meninos pararam de tirá-lo de sua leitura. Até que seria legal passar o tempo falando de Quadribol, certamente ele se esqueceria que o mundo é uma droga que conspira contra ele, mas a preocupação com Hermione era muito maior que o desejo de esquecer isso por uns tempos e, ademais, Angelina, a ainda capitã do time da Grifinória, já havia o enchido o suficiente com isso por umas duas horas no final da tarde, com táticas de jogadas para a partida de amanhã, como se esta fosse a decisiva do campeonato das Casas.

Já era quase meia noite e não restavam mais tantos alunos no Salão. Os últimos a se retirarem foram Seamus, Dean e Rony. Seamus subiu direto ao dormitório masculino enquanto Rony e Dean foram falar com Harry que folheava as últimas páginas do livro que lia.

—Harry, o esquisito do dia... – brincava Rony em tom irônico. —Vai ficar por aí mesmo?

—Vou, sim, Rony... ainda não terminei o livro...

—Ah, sim, claro, o livro... você só está aqui lutando contra o sono porque esse livro é mesmo muito interessante.

—É, sim! Muito interessante! Até te empresto depois, se quiser. – Harry respondia no mesmo tom irônico do amigo, olhando-o por sobre os óculos.

—Isso tudo só por causa de Hermione? Pensa bem, cara: ela não tá nem aí pra tua preocupação, tanto que não deu as caras nem nas refeições... ela precisa ser esnobada pra sentir na pele o que é fazer pouco caso dos amigos.

—Nós já fazemos isso há muito tempo, Ron... eu só quero consertar as coisas agora antes que seja tarde demais, valeu?

—Você tá mesmo afim dela, não é? – Dean perguntava de súbito, apoiado no encosto da poltrona onde Harry estava sentado.

Harry sentiu o coração gelar com aquela pergunta. Ele não estava preparado para isso e menos ainda preparado para assumir definitivamente o que ia em seu coração... se é que estava mesmo certo de seus sentimentos em relação à Hermione. Fechou o livro sobre o colo, mantendo as mãos sobre a capa, olhando o nada no chão a sua frente. Rony apenas estava estático, achando um grande absurdo o que Dean acabava de perguntar. Harry respirou fundo, buscando a coragem dentro de si para externar de vez toda aquela pressão, coragem para assumir o que sentia... era esse o primeiro passo para resolver todo o resto.

—É sim, Dean, é isso mesmo... – respondeu em tom cansado.

Rony arregalou os olhos pela surpresa e soltou uma breve risada, incrédulo.

—Não, peraí! Você tá brincando, não é Harry?

Harry, muito seriamente, encara Rony, cujo sorriso se desmancha numa expressão de desagrado, como se tivesse ouvido a coisa mais absurda da face da Terra.

—Não estou brincando, Rony... é isso mesmo que você ouviu... estou afim sim da Mione...

—M-mas, Harry, é a MIONE! Ela é nossa amiga! Ela é a sua MELHOR AMIGA! É como uma irmã! Isso seria o mesmo que estar apaixonado pela própria irmã! Isso é.. isso é muito broxante!

—Hehehe, não vou discutir isso com você, esse negócio de irmão você entende muito melhor do que eu e, Merlim! Falar que a Hermione é broxante é apelação, né?

—Ah! Não me venha com essa! Você entendeu o que eu quis dizer! Tá legal, ela tá cada vez mais bonita, muito diferente do que ela era, mas é como uma irmã... pô! Nós crescemos juntos, sempre estivemos juntos! Se apaixonar pela melhor amiga... putz! Seria como se eu ficasse.. hã, bem, ficasse afim da Gina! Argh! Que horror! – Rony leva as mãos à cabeça, dramaticamente, jogando o pescoço para trás... ele estava mesmo horrorizado!

Nesse momento, a entrada do Salão é aberta dando passagem para três figuras que chamaram a atenção dos garotos que estavam próximos à lareira. Os três alunos que entravam, conversavam de forma animada. Tratava-se de uma menina e um garoto quintanistas que eram os monitores naquele ano e Hermione, que parecia até muito bem disposta para quem passou todo o dia sumida e que ainda acabou de sair de uma detenção com o intragável Prof Snape.

Quando Dean e Rony perceberam que se tratava de Hermione, trataram logo de retirar para deixar que Harry ficasse a sós com a garota.

—Bem, é isso aí! Tomara que dê certo! – Dean dava dois tapinhas na cabeça de Harry, subindo as escadarias logo em seguida.

—Você tá doido, Harry! Vê se não faz burrada! Eeh.. boa sorte, então. – Rony falava num sussurro, dando um tchauzinho para Harry antes de ir pras escadarias, com o esboço de um sorriso pouco convincente no rosto.

Os dois monitores não se ativeram no Salão, cada um rumando para as escadarias de seus dormitórios. Hermione estranhou Harry estando sozinho no lugar e ainda por cima com um livro na mão. Talvez a febre que ele teve pela manhã tenha voltado.

—Você está bem, Harry? – Perguntou titubeante.

—Eu é que te pergunto isso, Hermione... o que deu em você, afinal?

—Oh... – A garota desviou o olhar de Harry, sentindo-se um pouco embaraçada por sua atitude infantil, de ter se escondido o dia inteiro... atitude esta que lhe fez um grande bem, apesar de tudo.

Harry levantou-se da poltrona, colocando o livro sobre a mesa de centro, aproximando-se de Hermione, que voltou a olhá-lo com expectativa.

—Por que você sumiu o dia inteiro, Mione? Nós ficamos muito preocupados com você, sabia? – Perguntou Harry, também titubeante, mas com certa doçura que deixou a menina ainda mais sem jeito.

—'N-Nós'? A-achei que ninguém se importasse.. ou mesmo que fosse dar... por minha falta... – A menina fazia ar blasé tentando, inutilmente, não demonstrar seu desconcerto.

Harry riu baixo e triste, abaixando sua cabeça e olhando para seus pés, que faziam movimentos curtos no chão, demonstrando todo o nervosismo que ia dentro de si.

—Isso é culpa nossa mesmo... principalmente minha. Eu nunca lhe dei um décimo do apoio que você me deu por todos esses anos...

Os olhos de Hermione se arregalaram ainda mais, olhando para Harry de forma incrédula... ele devia mesmo estar febril de novo!

—Olha, Harry... fico muito feliz em saber que ainda tenho alguma importância para vocês e peço mil perdões por tê-los preocupados com meu sumiço... mas eu precisava fazer isso, precisava ficar sozinha comigo mesma..

—Droga, Mione, eu é que te devo desculpas, você não precisaria disso se pudesse sempre contar com o nosso apoio e...

A menina o interrompe, levando as pontas de seus dedos aos lábios de Harry, fazendo-o se silenciar. O garoto a olhava com grande expectativa, o coração parecendo querer sair pela boca.

—Hoje foi um dia muito infeliz, foi um dia cheio... vamos deixar esse dia acabar de uma vez. Nós dois precisamos descansar muito. Amanhã é outro dia e poderemos discutir isso com a cabeça fresca... agora não é o melhor momento para revermos nossa amizade.

—Já passa da meia-noite, Srta Granger... o dia infeliz já terminou há alguns minutos...

Harry investia num sorriso esperançoso que conseguiu tirar um sorriso de Hermione, que já demonstrava sinais claros de cansaço.

—Espertinho! Mas você entendeu perfeitamente o que eu quis dizer. Eu preciso dormir e você mais ainda.

A garota girou em seus calcanhares e já alcançava os pés da escadaria. Harry ficou sem reação, nervoso demais para tomar a atitude drástica de tomá-la em seus braços e mostrar-lhe o quanto gostava dela... como havia planejado mentalmente toda a tarde... mas pensar é uma coisa e ele sequer levou em consideração que ela poderia ter uma reação como a de agora.

—P-Pôxa, Mione, me dá só uma chance para lhe fal...

—Por favor, Harry... durante o dia conversaremos, ok? E vá direto pra cama senão irei levá-lo para Madame Pomfrey novamente e o proibirei de jogar amanhã à tarde!

—Ah, não, você não faria isso?

—Faria sim, meu querido... não esqueça que eu sou a Chefe dos Monitores, mesquinha e arrogante.

Hermione não deu sequer chance de réplica a Harry, subindo as pressas a escadaria para o dormitório feminino. O garoto ficou parado no mesmo lugar, totalmente estático, boquiaberto e xingando-se mentalmente de tudo que é nome ruim! Virou-se furioso consigo mesmo, metendo o pé com tal força na poltrona que a fez virar e cair de lado, fazendo um baque surdo devido ao estofado.

Joga-se ajoelhado no chão, dando uma seqüência de socos na pobre poltrona caída indefesa que nada tem a ver com a história, apoiando seus cotovelos sobre ela e enterrando com raiva as mãos em seus cabelos negros e rebeldes, como se quisesse arrancá-los. Poucas foram as vezes que teve tanta raiva de si mesmo como agora.

—Burro! Burro! Idiota! Sempre faz tudo errado! Por que deixei chegar a esse ponto?! Hermione agindo na defensiva comigo é o fim!

Harry levanta-se e puxa sua varinha murmurando um feitiço para arrumar toda aquela bagunça. O dia estava mesmo perdido. Fora um dia infeliz como a sua querida havia lhe dito, e não havia mais nada que pudesse ser feito além de tentar descansar e relaxar um pouco a mente. Precisava mesmo dormir. E esperaria pelo novo dia que traria esperanças renovadas.

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 Fim do Capítulo XXIV – continua...
By Snake Eyes – 2004

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