sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Animago Mortis - Capítulo XVIII – Presentes & Punições

Animago Mortis
 Capítulo XVIII – Presentes & Punições

Em seu aposento emprestado, Nicolai arrumava-se com as vestimentas arranjadas pela Profª McGonagall. A calça de corte reto e pernas um pouco largas lhe caíram perfeitamente, como se tivessem sido confeccionadas exclusivamente para si. Mas antes de vestir o balandrau, com o peito ainda nu, detém seus olhos em seu antebraço esquerdo, onde deveria estar a marca negra.

Não havia nada ali. Sua pele estava totalmente limpa, sem qualquer mancha que denunciasse que algum dia ali existiu aquela tatuagem horrenda de uma serpente que saía da boca de um crânio... será que ao vencer a maldição, ele não apenas se libertou da Animago Mortis, mas também se libertou de Voldemort?

Ouviu dois toques na porta, ao qual ele permitiu a entrada de quem havia ali batido. Snape adentrava o quarto, encontrando Nicolai com uma expressão séria e preocupada, mas que preferiu ignorar por ora.

--Mandarei servir o café da manhã... tem alguma preferência com o que quer comer? Uma tigela de leite ou um pedaço de peixe cru, talvez? – Snape dirigia um sorrisinho sarcástico ao garoto.

--Ha-há, muito engraçado... – sem ânimo sequer para forçar um sorriso falso, Nicolai virava-se para sua cama, onde repousava a sua vestimenta.

--Preocupado com o Ministério?

--E eu não deveria estar? – respondeu secamente, sem ao menos virar-se para Snape.

--Você não precisa passar por isso, Nico... podemos dar um jeito de você desaparecer.. aqueles tapados jamais descobririam o seu paradeiro...

--Já pensei nisso... o que eu deveria fazer? Me esconder numa mansão podre que nem o Black e acabar sendo morto da mesma forma?

--Você poderia voltar para a Rússia, poderia voltar para Lentz, para sua casa...

--Esqueceu-se que sou um paria, Severus? Meu avô expulsou aos meus pais e a mim da família.. sequer posso usar meu sobrenome dentro do território russo. Acha que a minha família me aceitaria de volta? Se é que ainda existe alguém vivo...

--Existem outros lugares nesse mundo, garoto...

--Não, obrigado.

--Mesmo que você seja absolvido, e até acredito que será, o Ministério não entregará a sua liberdade assim, de bandeja. É muito provável que aqueles crápulas o mantenha preso de alguma forma... acha mesmo que aquela garota vale isso, Nicolai?

--"Aquela garota", Severus, vale a minha vida.. e a do mundo inteiro. Desde que ela esteja bem e eu tiver a mínima chance, todo o resto que se exploda!

Jogando o balandrau por sobre o corpo e encarando mordazmente o velho amigo parado à porta, Nicolai termina de se arrumar e sai do quarto em passos decididos, passando por Snape e dando-lhe um sorrisinho afetado.

--Vamos ao café. E nada de leite. O meu veterinário falou que não se deve dar leite para gato adulto...

....

Após o café, Harry é escoltado por Hermione e Rony até a enfermaria. Apesar de ter se alimentado direito e da alegria de estar novamente bem com sua amiga, o garoto ainda apresentava o cansaço da noite mal dormida.

Chegando na grande sala clara e arejada, com alguns leitos e armários, o trio é recepcionado pela bondosa e calma medibruxa Madame Pomfrey.

Não era sequer necessário dizer o porque estavam ali. Pela experiência da medibruxa, logo ela percebeu o motivo ao ver o aspecto abatido de Harry.

--Sr Potter, não tens dormido bem? Se alimentado direito? Um atleta precisa ter boas horas de repouso e uma boa alimentação reforçada.

--Eu estou bem, senhora.. só não dormi bem essa noite, mas a Hermione insistiu que...

--Que ele está muito indisposto e um pouco febril, sim, Madame Pomfrey. Amanhã é o nosso primeiro jogo de Quadribol do ano e o grande apanhador do século precisa estar cem por cento bem!

Hermione interrompia e completava a frase de Harry com um sorriso alegre no rosto que dirigiu de Madame Pomfrey ao próprio garoto, que sentiu o coração dar uma leve descompassada com aquela expressão tranqüila de sua amiga. Engoliu a seco, mas sentia-se feliz por estar bem de novo com Hermione.

--A Srta Granger está certa, Sr Potter. Mas o seu caso pode ser simplesmente resolvido com um pouco de descanso e alguns fortificantes. Deite-se no leito mais próximo que irei lhe examinar.

Enquanto Madame Pomfrey se retirava para uma saleta anexa deixando o trio a sós na enfermaria, Harry tenta disfarçar seu nervosismo e sua alegria por ver o quanto Hermione se preocupa com ele.

--E eu aqui achando que a senhorita estava preocupa comigo, tudo que interessa é o torneio de Quadribol, Srta Granger? – Brincava Harry falando falsamente bravo, mas com um sorriso no rosto.

E Hermione retruca na mesma moeda: --Oh, não seja ingênuo, Sr Potter. Acha mesmo que eu ficaria preocupa com você por causa de uma febrezinha à toa?

Harry e Hermione se detiveram por breves segundos sorrindo um para o outro, até que Rony chamasse a atenção de ambos com uma observação.

--Vejam... todos os leitos estão descobertos.. não há ninguém aqui na enfermaria. Será que aquele cara já acordou ou levaram ele pra outro lugar?

Hermione sentiu-se gelar completamente por dentro. Ela havia se esquecido desse assunto desde a hora em que desceu pro café da manhã. Harry percebeu o nervosismo da garota pela sua expressão de desalento e seu olhar perdido pelo interior da enfermaria... sentiu-se mal com aquilo e um pontada de remorso por ter vigiado Hermione na noite anterior, e achou melhor fazer-se de desentendido.

--Tá falando de quem, Rony doido? Não tinha ninguém aqui na enfermaria.

--Tá ficando burro, Harry? Tô falando daquele cara, o tal que era o Crookshanks! Ele tava internado aqui desde sábado passado!

--Oh, vejo que estão preocupados com o Sr Donskoi... ele finalmente despertou e teve alta ontem mesmo. Agora ele está com o Prof Dumbledore. – Dizia Madame Pomfrey, que apareceu subitamente na sala, carregando uma bandeja de prata com uma pequena toalha branca, um cálice e uma garrafinha de vidro.

--Ah! Então você deve tá sabendo disso e nem nos contou, não é Mione? – Rony falava bruscamente com a garota, num tom elevado e hostil de voz, que fez a medibruxa dar uma careta de desgosto.

--Sr Weasley! Será preciso lembrá-lo que está em uma enfermaria? Mesmo que não haja pessoas internadas aqui, não deve jamais usar esse tom de voz num ambiente como esse. Agora faça a gentileza de se retirar daqui, agora!

Rony faz uma cara emburrada pela bronca de Madame Pomfrey, mas sai rápido da enfermaria sem pestanejar. Hermione sente-se aliviada por não ter que responder nada ao amigo de imediato, mas deixa sua vista se perder no chão de mármore branco da enfermaria, num ar muito triste.

Harry sente seu coração se comprimir ao ver a desolação novamente na face de Hermione e, sem pensar duas vezes, segura levemente a mão dela que pendia ao lado de seu corpo, chamando a atenção da garota, que o olha com surpresa.

--Está tudo bem, Mione? – Falava manso e sussurrado, com o rosto tão próximo do ouvido de Hermione que ela pode sentir o calor e o perfume de menta do hálito de Harry.

Hermione corou com aquela atitude tão atípica do amigo, desviando seu olhar encabulado para qualquer ponto do chão, gaguejando na resposta.

--E-Está, está.. claro que está tudo bem... eu.. eu s-só não quero falar sobre isso agora, tá legal?

A garota, ainda corada, volta seu olhar para Harry e ambos permanecem naquele silêncio como se um estivesse tentando entender o outro por pouquíssimos efêmeros instantes, até que a medibruxa retorna do leito, onde havia deixado a bandeja sobre a mesinha de cabeceira, e pega o garoto pelo braço, o conduzindo até a maca.

--Deite-se, Sr Potter, que logo irei examiná-lo. E descanse enquanto isso. E a senhorita já pode ir para sua aula; eu cuidarei bem do seu amigo.

--S-sim.. é que, só queria falar uma coisinha a mais com ele...

--Está bem, senhorita. Fique a vontade, mas seja breve.

Hermione aproximou-se do leito onde Harry estava deitado. Instintivamente ela pousa de leve a mão sobre o peito do garoto, que lhe retribui com um sorriso.

--Não se preocupe com Snape, que entregarei sua redação para ele e anotarei tudo sobre a aula de hoje para você. E cuide-se, ouviu?

Antes que Hermione saísse, Harry a segurou pelo braço. Levantou o corpo, apoiando-se sobre o cotovelo esquerdo.

--Escuta.. não deixe Rony te aborrecer com essa história do Donskoi. Não quero que você fique triste com isso.. qualquer coisa, pode contar comigo.

Hermione olhou para Harry de forma cética, apenas concordando com o movimento de positivo da cabeça. A menina girou em seus calcanhares e logo saiu da enfermaria. Harry ficou observando-a até ela desaparecer após a porta de entrada, quando deitou-se novamente na maca, olhando para o nada no teto.

Suspirou fundo a fim de colocar seus sentimentos e pensamentos em ordem. O tempinho que iria passar ali na enfermaria seria perfeito para analisar a si mesmo e aos fatos recentes.

....

--Você demorou! E o Harry, como tá?

--Ele vai ficar bem, só precisa descansar um pouco.

Hermione sequer parou ou olhou para Rony, para lhe responder a pergunta. Andava apressada pelo corredor, rumo às escadarias que os levariam para as masmorras. O garoto, um pouco irritado, a seguia, mas logo se emparelhando com ela.

--E você se tornou uma bela amiga, heim, Srta Granger! Por que não nos contou que o tal animago havia saído da enfermaria? Tá querendo esconder alguma coisa com isso, é?

A menina sentiu o sangue ferver e a raiva subir-lhe a cabeça. Respirou profundamente, controlando seu ímpeto de querer berrar e xingar Rony, lembrando-se da recomendação de Harry.

Parou de súbito, erguendo a cabeça para encarar nos olhos seu amigo esquentadinho, mas pouco se importando em esconder sua raiva pela petulância dele.

--Olhe bem pra minha cara, Rony! Acha que me pareço com alguém que tem tempo ocioso o suficiente para ficar tomando conta da vida dos outros?! O que o faz crer que eu poderia saber algo sobre o animago?!

--Não sei... talvez por ele ser o.. Crookshanks...? – Rony se fazia de indiferente, coçando a nuca com uma mão enquanto a outra descansava em seu quadril, desviando os olhos para o ambiente. Sabia que esse tipo de atitude só deixava Hermione ainda mais irritada.

A garota engoliu a raiva a seco, decidida a não cair no joguinho infantil do amigo. Girou em seus calcanhares e recomeçou o seu caminho ainda mais apressada, deixando Rony plantado admirando a decoração do corredor.

--Gostaria de saber até que nível chega a imaturidade em alguém da nossa idade... assim, talvez, eu poderia saber que você é normal, Rony!

Rony, sem entender o que a garota lhe disse, voltou em seu caminho, tentando alcançá-la nas escadarias.

....

No living da sala particular de Dumbledore, Nicolai estava a sós com Fawkes, que descansava empoleirada no ombro do rapaz, enquanto este mantinha-se em pé diante de uma grande estante de carvalho repleta de livros e alguns objetos estranhos de decoração. Apoiado em seu braço, um grosso livro que folheava sem muito entusiasmo quando o próprio Diretor adentrou a sala.

--Apreciou o desjejum, meu rapaz? – perguntava Dumbledore com seu sorriso alegre de sempre, olhando o garoto por sobre os óculos de meia-lua.

--Sim.. tive menos trabalho com os talheres dessa vez. Estou reaprendendo rápido.. não está sendo tão difícil como imaginei. – Nicolai esboçava um sorriso enquanto olhava para a própria mão direita em que se divertia abrindo-a e fechando em punho e movimentando cada um dos dedos.

--E quanto a você, Fawkes.. será que devo começar a sentir ciúmes? – o diretor perguntava divertido. Como resposta, a ave soltou um leve silvo, roçando a sua cabeça em seguida na testa de Nicolai.

Ao levantar vôo, o garoto inclina-se um pouco pra frente com o impulso forte da fênix. Duas penas se soltam da ave, que caem sobre Nicolai. Dumbledore, com Fawkes agora empoleirada em seu ombro, dá uma risadinha baixa, enquanto o garoto observa as duas penas em sua mão, uma um pouco menor que a outra.

--... será que já está chegando a época do renascimento dela? – o garoto perguntava inocentemente ao Diretor, mostrando-lhe as duas penas vermelhas carmesim e bordas levemente douradas.

Dumbledore aproxima-se do rapaz em poucos passos e, com suas duas mãos de dedos longos e finos, envolve a mão do rapaz que segura as penas. Nicolai apenas o olha com expectativa.

--Não, isso é outra coisa... é um presente de fênix. Mantenha essas penas consigo o tempo inteiro.

O diretor fechou a mão do garoto em punho, reforçando a idéia de que ele mantivesse o 'presente' de Fawkes sempre consigo. Dumbledore retirou-se da sala, deixando Nicolai sozinho com uma expressão confusa, olhando novamente para as penas.

Voltou para o quarto onde pernoitou e pôs-se a procurar algo pelos móveis ali dispostos. Ele não sabia ao certo o que procurar e porque procurava, mas precisava achar algo que pudesse prender as penas para não perdê-las.

Abrindo a primeira gaveta de uma grande cômoda antiga, encontra muitas bugigangas espalhadas e misturadas numa grande desordem. Eram pequenos objetos como moedas antigas, botões, relógio de bolso, óculos sem lentes, miçangas, sementes de varias formas e tamanhos, pedaços de tecidos e muitas jóias como anéis, colares, brincos, pulseiras.

Nicolai riu, pegando um imenso cordão em ouro cheio de penduricalhos adornados com as mais espalhafatosas pedras preciosas. Aquilo era bem a cara do Prof Dumbledore... aqueles anéis grossos com pedras imensas, brincos igualmente grandes...

--Isso parecem jóias cerimoniais...

Ajeitando mais ou menos a bagunça da gaveta que ele conseguiu deixar ainda pior, encontra no fundo escondido por outras milhares de coisinhas, um fio que lhe chamou sua atenção.

Pegando-o, viu que se tratava de um fio de couro de dragão. Tinha a cor de um marrom envelhecido e era da espessura de um barbante. Maleável o suficiente para se fazer pequenos e apertados nós.

Sentou-se na cama e muito sem jeito prendeu as penas pela pequena haste no fio com um nó, apertando-as bem. Se ele nunca foi bom com trabalhos manuais, agora sim poderia dizer que ele era uma lástima com esse tipo de serviço.

Não exigindo muito de si mesmo e dando-se por satisfeito com o seu "artesanato", dá três voltas com o fio em torno de seu pescoço, fechando com um nó na frente, escondendo seu inusitado cordão de penas de fênix e couro de dragão sob a gola alta de sua veste.

A menos que ele fosse decapitado, certamente o seu presente de Fawkes estaria bem seguro de ser perdido ou esquecido dentro dos bolsos.

....

Como de costume, Hermione sentava-se junto com Neville Longbottom, com quem fazia dupla no preparo de poções e ajudava a evitar que ele explodisse as masmorras com todos ali dentro. Preferia mil vezes evitar as trapalhadas desse amigo do que aturar o mau-humor e grosserias daquele amigo esquentadinho. Estava aliviada por ter que passar os cem minutos dos dois tempos de aula de Snape longe de Rony e, com um pouquinho só de sorte, o ruivo se esqueceria por horas do assunto 'Donskoi'.

Mas ficaria mais feliz se ELA própria esquecesse desse assunto por algumas horas. E ficaria extremamente feliz se esquecesse pelo menos durante essa aula, que exigia o máximo de atenção, coisa que ela não estava tendo no preparo da poção do dia.

Uma seqüência de sons que lembravam estopim chamou a atenção de todos na sala de aula. Um vapor escuro e fedido saía do caldeirão fumegante cujo conteúdo apresentava uma cor indecifrável. Neville apavorado, tremendo da cabeça aos pés, afasta-se num pulo do fogareiro enquanto Hermione escondia o rosto nas mãos... ela havia cometido um pequeno engano com a poção.

--Ai, meu pai! Eu quero morrer!

Calmamente, Snape aproxima-se da classe de Hermione e Neville, contendo-se para não deixar transparecer a satisfação de finalmente ver a aluna mais inteligente de Hogwarts cometer um erro, abafando uma gargalhada, mas deixando transparecer seu sorriso cínico.

Neville se encolhe todo quando Snape chega. Hermione destapa o rosto, olhando de esguelha para o professor, que mantém-se calmo, mas com um fio de triunfo em seus olhos.

--Srta Granger.. como a senhorita conseguiu cometer um erro tão tolo como esse? Se a receita pede apenas uma pitada de pó de folhas de mandrágora, como a senhorita conseguiu exceder e MUITO essa quantia?

--E-eu.. eu não sei! Eu nunca errei, nunca! Não sei como...

--N-não, pr-professor! N-não foi Mione.. fui eu, foi minha culpa!

Neville acertava a postura, mas, mesmo ainda trêmulo, encarava Snape. Este apenas olha o garoto pálido de medo com incredulidade por sua atitude. Hermione abaixa as mãos, encarando Neville com a mesma incredulidade.

--Sr Longbottom, acha que sou cego? Que não sou capaz de perceber a mínima nuance de cada um de vocês?

--N-não, não senhor...

--Caso fosse o desastroso Longbottom a cometer tal deslize, a punição seria facilmente aplicada... mas, a grande Srta Sabe-Tudo Granger cometer um erro desses?! Um erro como esse vindo da senhorita é inadmissível.

A aula de poções da Grifinória, assim como era desde o primeiro ano, era feita em conjunta com Sonserina. Ao ouvir tais palavras do professor, metade dos alunos soltaram risadinhas abafadas, exceto por Malfoy, que deixou escapar uma risada mais calorosa, atraindo para si o olhar de ódio e desprezo dos alunos grifinórios.

Hermione sentiu um buraco se abrir sob seus pés, e até gostaria que realmente tivesse aberto, assim desaparecia ali daquela sala. Estava tão pasma que sequer pronunciou qualquer palavra.

--Mas serei benevolente, senhorita, pois sei o motivo que lhe tirou a atenção.

Agora sim que a garota gostaria de ser tragada pela terra. Sentiu seu sangue gelar com a insinuação de Snape. Certamente ele sabia sobre o encontro que teve com Donskoi e, pelo jeito, sabia que era isso que estava lhe tirando a atenção.

--A senhorita poderá escolher a sua punição: cinqüenta pontos a menos para a Grifinória ou detenção. A escolha é sua, Srta Granger. Por favor, decida-se logo!

Todos os alunos fixavam sua atenção à Hermione, especialmente seus colegas de Casa. Por mais solidários que os grifinórios fossem uns com os outros, ninguém ali queria ter menos cinqüenta pontos no campeonato das Casas.

--Isso não é justo.. não é justo que a Grifinória pague por meu erro. Ficarei com a detenção, senhor, certamente.

--Hunf, não esperava menos que isso de você, minha cara.

Snape girou em seus calcanhares, voltando a sua cátedra. Ainda de costas, profere o final de sua sentença à Hermione.

--Srta Granger.. uma detenção semanal durante dois meses. E arrume toda essa bagunça enquanto verifico as poções de seus colegas.

--O quê??! Dois meses? Isso são oito detenções! Oito detenções por causa de uma poção mal feita? Isso é muito! – Rony, embravecido, falava alto, porém, contendo-se para não gritar. Não apenas ele, mas outros grifinórios estavam rubros de raiva com tal injustiça.

Snape virava-se para os alunos, encarando Rony. Apoiou-se na sua mesa, deixando transparecer um largo sorriso de escárnio.

--Não, Sr Weasley.. 'Muito' seriam três meses, então... – voltando seu olhar para Hermione - ...Duas detenções semanais por um mês e meio, Srta Granger. Hoje, realmente me sinto muito filantrópico...

Tudo que Hermione conseguiu fazer foi esboçar uma expressão furiosa para Rony, que a olhava de forma tristonha, como se pedisse perdão com os olhos. Respirou fundo, fechando os olhos e procurando dentro de si mesma a força necessária para enfrentar esse inferno. E como se já não tivesse tempo insuficiente para todas as suas atividades, lhe vem com mais essa: detenção.

Questionava-se de como iria suportar toda essa pressão até o fim do ano, principalmente agora que estava sozinha, mesmo!

Crookshanks iria fazer ainda muito mais falta...

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 Fim do Capítulo XVIII – continua...
By Snake Eye's – 2004
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