sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Capítulo XIII – Acentuando o Medo

ANIMAGO MORTIS
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Capítulo XIII – Acentuando o Medo
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_MAS QUE FILHO DA ...!!

Todos no Salão Comunal da Grifinória se sobressaltaram com o grito de Rony Weasley. As peças do xadrez bruxo que estava jogando com Harry voaram para todos os lados quando Rony socou a mesa com ira. Harry chegou a cair pra trás, olhando assustado para Rony. Seja lá o que ele tinha feito – além de estar completamente parado por longos minutos pensando em que peça deveria mover – não era o suficiente para aquele escândalo de Rony.

Hermione, que estava sentada em sua poltrona preferida em frente a lareira, havia abaixado o livro e fitava os dois garotos com uma expressão nada satisfeita. Gina que descia as escadarias do dormitório feminino naquele momento fica estancada no último degrau... sabia que isso não deveria ser boa coisa, uma vez que nunca viu Rony gritar assim com Harry, pelo menos não enquanto os dois jogam xadrez, já que é sempre Harry que perde o jogo.

_AQUELE CANALHA, MISERÁVEL! TINHA QUE SER UM MALDITO SONSERINO!!

_Abaixe o volume, Ron! Tá ficando maluco, é?! – Falava firmemente Harry, muito aborrecido. Por instantes pensava que o amigo gritava com ele.

_Você tá falando do Malfoy? Lembre-se que você e Harry terão detenção com ele daqui a quarenta e cinco minutos, logo após o jantar. – Hermione dizia dando de ombros, voltando novamente pra sua leitura, acomodando-se na poltrona.
_Não falo de Malfoy! Embora ele seja um grande canalha, miserável e filho da puta! Estou falando daquele maldito animago!! Ele se aproveitava da minha irmã!

Gina correu até a mesa onde Rony e Harry estavam. Harry terminou de derrubar todo o tabuleiro de xadrez quando voou pra cima de Rony, tapando-lhe a boca com aspereza, segurando-o pelo colarinho. Hermione salta da poltrona e aproxima-se também dos garotos. Seja lá o que Rony tenha matutado sobre o assunto, não era nada bom que todos os outros alunos ouvissem algo sobre isso.

_Porra, Ron! Tá maluco, cara! Não acha que Hermione já tem problemas demais com isso?! Quer complicar ainda mais as coisas, cara?!! – Dizia um furioso Harry, ainda tapando a boca do amigo.

Harry se ajeitava novamente na cadeira que havia caído com seu susto, olhando furiosamente para Rony, que quase estava roxo pela falta de ar. Gina parecia tremer da cabeça aos pés enquanto Hermione lançava um olhar fulminante aos poucos curiosos que ainda lhes dispensavam atenção, entre eles Patil e Brown.
_Rony... você tá falando do Crookshanks, não é? – Falava Gina, com cautela.
Quando Harry e Hermione perceberam que Rony ia responder a irmã novamente em altos brados, os dois o pegaram pelos braços e o arrastaram para o dormitório dos garotos. Gina largou seus livros sobre a mesa e foi acompanhar o trio. Chegando no dormitório, Harry empurra Rony com aspereza para dentro do quarto enquanto Hermione batia a porta as suas costas, assim que Gina entrou. Exceto pelos quatro, o dormitório estava totalmente vazio e ninguém no salão comunal poderia ouvir os gritos de Rony.
_Agora você pode falar o que você tanto estava pensando lá embaixo no Salão, Ron... – Harry dava a permissão, sentindo-se totalmente impaciente, cruzando os braços e ainda olhando com certa raiva pro amigo.

_Esse cara, esse tal animago que se fez passar pelo bichinho de estimação da Mion...

_Rony! Ele não fez isso! Ele estava amaldiçoado! Foi o próprio Dumbledore que disse! – Hermione interrompeu Rony num misto de raiva e mágoa. Harry a segurou pelo braço, olhando-a com piedade.

_Cala a boca, Mione! Não me interessa se ele tava amaldiçoado ou não! Ele abusou da minha irmã e de VOCÊ TAMBÉM!
Harry sentiu Hermione se estremecer com aquelas palavras grosseiras de Rony, e a segurou pelos dois braços, quase a abraçando. Gina já se demonstrava totalmente impaciente com o circo que o irmão armava, já vendo que se tratava de outra bobagem vinda da mente idiota de Rony.
_Você deveria parar com acusações e falar logo qual a bobagem que você tá pensando, droga! A gente não tem o tempo inteiro pra ficar te ouvindo não, Rony!
_Gina! Você só vivia com Crookshanks no colo! E ele era todo derretido por você! Ele era um animago, tinha consciência disso e se aproveitava da situação! Ele ficava agarrado em você, ele tocava no seu corpo, Gina!!

_Rony! Que nojo! Que mente mais suja é essa?! Crookshanks era um gato! Gatos agem dessa forma! Não havia nenhuma maldade no que ele fazia! E se ele estava amaldiçoado, não devia ter nenhuma consciência humana, idiota!

_Não tinha consciência?! Não lembra como ele agia, sempre espreitando tudo, entendendo tudo o que se passava a sua volta! Por Merlin! Ele até lia junto com a Mione!

_Todo esse escândalo por isso, Ron? Só porque sua irmã pegava o gato no colo? Suponho que você tentará assassinar o cara que quiser casar com ela – dizia Harry totalmente entediado, voltando a cruzar os braços.
_Ah, e você acha isso pouco, Harry! Diz isso porque não é sua irmã! E quanto a Mione? Pelo amor de deus! Mione dormia com aquele gato! Imagino o que ele deva ter feito com ela sob a desculpa de ser 'só um gato'!

Rony alcançava uma Hermione estupefata com o que ele dizia, agarrando-a pelos braços e quase a chacoalhando.

_Pode nos dizer, Mione! Somos seus amigos! Aquele miserável abusou de você, não foi?! Você sempre dormia com ele! Ele deve tê-la visto diversas vezes sem roupa, deve ter tocado em você, afinal ele era só um gatinho inocen...

Rony não pode terminar a frase, pois Hermione lhe deferia uma sonora bofetada, deixando uma imensa marca vermelha no rosto do garoto. Hermione estava rubra de raiva e chorava abundantemente.

_Você é sórdido, Rony!!

A menina saiu aos prantos correndo do quarto, batendo com raiva a porta as suas costas e deixando seus três amigos confusos. Gina e Harry olharam para Rony com se fosse matá-lo com o olhar. Rony estava ofendido enquanto esfregava o rosto. Ele ali preocupado com Mione e ela lhe retribui dessa forma?!

Hermione entrava as pressas no seu dormitório, trancando a porta com um feitiço. Jogou-se na cama, afundando o rosto marcado pelas lagrimas no travesseiro, encolhendo-se e abraçando o próprio corpo. Sentia-se totalmente atordoada. Ela estava mais sozinha do que nunca. Não sabia qual conceito deveria formar sobre o assunto. Ela já estava muito confusa e com medo antes de Rony lhe falar justamente aquilo que ela mais temia. Ele levantou uma questão que ela sequer chegou a cogitar. Mas isso não era verdade, não poderia ser verdade! Crookshanks jamais agiu com malícia, jamais! Mas ele conhecia demais sobre ela, sabia de tudo que ia em seu coração. Sabia sobre suas aflições, angústias. Sabia do que gostava, do que sonhava. Por Deus! Quantas vezes ele a vira totalmente a vontade, de forma que nem sequer seus pais a vira, com a pouca roupa que dormia em casa, nas férias de verão, de todas as vezes que saíra do banho e deixava para se trocar no quarto??!
Ela afundou o rosto no travesseiro para sufocar o soluço. O medo dela já era suficientemente desagradável! Rony precisava ter dito aquelas coisas?! Maldito Rony!

*
Nicolai se desconcentrou, como se algo distante chamasse sua atenção. Levou a mão ao peito, sentindo uma ardência desconfortável. Havia uma aflição crescente dentro de si, a mesma aflição que sempre sentia quando...

_Nicolai, algum problema, filho? É preciso que você se concentre em suas lembranças para que possamos colocá-las na Penseira. – Dumbledore lhe falava calmamente, abaixando sua varinha.

_Talvez devêssemos fazer uma pausa, Alvo... já é quase hora do jantar. – Dizia Snape, que observava as lembranças de Nicolai dentro da Penseira.

_Tem razão, Severus... mas creio que Nicolai ainda não deva aparecer perante toda a escola, até resolvermos todos esses impasses com o Ministério...
_... você não se importaria de jantar conosco aqui em meu escritório, não é, Nicolai.

_De forma alguma, senhor... pelo que me disseram sobre a minha repentina fama.. bem, ainda não estou preparado para os holofotes...

_Olo... quê?! – Perguntava Severus, o olhando com uma sobrancelha erguida.

_Ah, deixa pra lá, Severus... – Nicolai falava desanimado. A aflição ainda incomodava em seu peito.

_Bem, Alvo.. falando nisso, seria melhor que o senhor não faltasse ao jantar, para não aumentar ainda mais os rumores entre os alunos. Quanto a mim, será um grande prazer me livrar daquelas desagradáveis companhias e barulho infernal por um dia, pelo menos. Sabe que a mim ninguém dará falta, felizmente.
_Faremos isso, Severus. E, se me dão licença, irei para o Salão Principal. Quanto a você, Nicolai, descanse um pouco sua mente, para podermos continuar depois. Saiba que tudo que você tiver para nos dizer e nos mostrar será usado em sua defesa perante o Ministério.

*
_Mione! Abra a porta! Vem jantar com a gente! Rony disse que tá muito arrependido e quer te pedir desculpas! – Gina esmurrava a porta do dormitório de Hermione, que continuava trancada. Relutantemente, Hermione vai até a porta, atender ao chamado de Gina.
_Gin... diga a seu irmão que não estou com raiva dele, mas não quero descer pro jantar. Não estou me sentindo bem pra isso.

_Mas, Mione.. você tem que se alimentar! Você tem...

_Não Gin, não estou com fome! Depois eu peço algo na cozinha. Quero apenas descansar um pouco, está bem?

A penumbra do quarto não permitia Gina ver o quanto o rosto de Hermione estava marcado pelas lágrimas, com seus muito vermelhos. A garota agradecia intimamente, pois não queria ser incomodada por nenhum pseudo conforto de seus amigos.

_Afff... tudo bem, Mione.. mas vou trazer alguma coisa pra você, ok? Não vou deixar você dormir de barriga vazia. Quer um livro da biblioteca também?

_Não precisa, Gin... o livro que Madame Pince me emprestou está rendendo bem, até estou copiando uns textos para mim.. até passo a você depois.

_Tá bom, Mione! Depois a gente se fala!

Hermione batia a porta num baque surdo, assim que Gina sumiu nas escadarias. Parou por instantes a mão apoiada na porta, olhando para os próprios pés, imaginando ate quando iria sustentar essa situação. Estava cansada de muitas coisas, mas essa situação patética também estava cansando. Só restava poucos meses para tudo isso se acabar então, a melhor opção, ainda era erguer a cabeça e enfrentar tudo de frente, como sempre fizera... "mas antes eu era apenas uma garotinha metida que tinha necessidade de provar o meu valor.. jamais poderia fraquejar... sempre fiz além do que suportava.. mas agora, aquilo que se acumulou está vindo a tona, tudo de uma só vez..."

A menina volta para sua cama, encolhendo-se embaixo de seus cobertores. De repente uma atmosfera fria tomou conta de si, sentindo-se completamente sozinha. Jurava para si mesma que esta seria a última vez que deixaria se abater desta forma. A partir de amanhã iria voltar a usar sua antiga máscara e encarar toda a situação de frente. Cedo ou tarde teria que enfrentar o tal Donskoi e o faria de cabeça erguida, seja quem ele fosse.
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Fim do Capítulo XIII – continua...
By Snake Eyes – 2004
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