sexta-feira, 15 de abril de 2011

Capítulo VIII – Do Céu Ao Inferno





A loja de doces Dedosdemel estava apinhada de adolescentes, como costuma ser todos os fins de semana que Hogwarts libera seus alunos para visitação ao povoado. Rony e Harry disputavam caixas de diversos tipos de doces, quando esbarram em alguém, derrubando algumas caixas. Prontamente Harry pede desculpas à pessoa com quem esbarrou, até levantar os olhos ao rosto do sujeito, vendo de quem se tratava.


_Você nunca presta atenção em nada, Potter? – Troçava Draco, com um sorrisinho mau nos lábios.

_Infelizmente não, Malfoy... se eu soubesse que era você, cretino, teria te acertado com força!

_Eeh, concordo... – Draco falava monotonamente, olhando sem interesse pra multidão de alunos dentro da loja, passando a mão pelos cabelos platinados. _... se fosse mais atencioso, perceberia que seus amiguinhos poderiam precisar da ajuda do São Potter para salvá-los de encrencas...

_O que ta querendo dizer, Malfoy? – Rony voou para cima de Draco, agarrando-o pela gola da camiseta.

_Como ousa, Weasley? Está amarrotando minha blusa! E você fede, cara! Nem grana pra sabonete e pasta de dentes você tem?

Antes que Rony, Harry e Draco caíssem numa briga pra valer dentro da loja, um homem velho e muito parrudo aparece diante dos três, com um olhar flamejante. Pelo uniforme, deveria ser um dos funcionários da loja. Não precisou esboçar um movimento além de apontar o dedo para a porta da loja, ordenando numa voz grave e letal que saíssem dali. Os três garotos saíram imediatamente, quase correndo.

A Profª McGonagall e o Prof Snape estavam próximos à loja, observando o movimento dos alunos. Harry, Rony e Draco deram de cara com os dois professores, que os olhavam inquisitivamente, enquanto o homem que os expulsou da loja permanecia em pé diante da porta, como um leão de chácara, a fim de se certificar que os garotos não voltariam.

_Potter, Weasley e Malfoy! O que fizeram para serem expulsos da Dedosdemel? – Perguntava irritada a professora Minerva.

_N-nós? Na-nada, professora! Malfoy que fez escândalo porque demos um esbarrãozinho sem querer nele. – Harry gaguejava sem se desviar dos olhos da professora, apontando para Draco com o polegar.

_Sem querer? E desde quando o que ocorre entre vocês é sem querer, Potter?

_Mas é verdade, professora! – Rony estava rubro diante da injustiça. Era sempre assim, Malfoy aprontava e eles que levavam a culpa! _A loja está muito cheia e... e...

Rony se vira para Draco, que continua olhando a todos de forma tediosa.

_... Mione está certa! Malfoy precisa de tratamento psiquiátrico! O que você quis dizer para Harry prestar atenção nos amigos em perigo, Malfoy? Está nos ameaçando de alguma coisa, desgraçado?

Harry e McGonagall seguram Rony, que tentava partir para cima de Draco novamente. Snape, por sua vez, apenas detém Draco segurando no ombro do garoto e olhando letalmente para Harry e Rony.

_Onde está a Srta Granger? É quase inacreditável ver o 'time dos sonhos' desfalcado, não acham?

Os três, McGonagall, Harry e Rony pararam por instantes, tentando assimilar aquela pergunta tão fora do contexto do momento, até que Harry acha ter percebido a intenção de Snape.

_Há, como sempre... querendo defender seu aluno preferido, Snape? Acha que bolamos algum plano sórdido para pegá-lo e Mione está de tocaia em algum lugar para isso? Lembre-se que os sonserinos aqui são vocês!

Snape ia avançar pra cima de Harry, com uma expressão terrível no rosto pela insolência do garoto, quando Minerva intercedeu.

_Potter e Weasley! Desapareçam daqui imediatamente e não se metam mais em encrencas por hoje! Teremos uma longa conversa mais tarde, quando retornarmos para o castelo!
Harry e Rony trataram de obedecer imediatamente a professora, sumindo da vista de todos em frações de segundo. Snape parecia ainda mais furioso com a intromissão de Minerva. Draco tentava sair de mansinho, sem ser percebido.

_E você, Sr Malfoy, também terá uma conversa comigo! A sua cara de anjo não convence a ninguém. E o senhor, Severus, não precisa se estressar com tais alunos! Eu mesma tomarei as devidas providências que já devia ter tomado há anos com esses três. Não vamos estragar nosso dia de folga, não é mesmo?

_Tem razão, Minerva... Draco faça o mesmo que seus amigos e desapareça! Desta vez não intercederei a seu favor, meu caro!

*

Alheia a tudo isso, estava Hermione a caminhar tranqüilamente a margem do rio, desfrutando da paz do local. As águas corriam pelo fundo de pedras, fazendo um chiar tranqüilizante. O vento que deslizava pela vegetação balançava levemente as copas das árvores, como se fosse câmera lenta. O silêncio era quase etéreo e ouviam-se sussurros distantes de aves, do vento sobre as plantas, do correr das águas, dos galhos das árvores se chocando e roçando uns aos outros. Insetos passavam carregados pela brisa. Pássaros piavam alegremente pulando de um galho a outro; outros pareciam caçar sobre o rio. Brilhos difusos do sol atravessavam o entrelaçamento de folhas, fazendo desenhos diversos na grama, de luz e sombras. Era um lugar simplesmente perfeito, um pedaço de paraíso, se assim podia-se dizer.

Hermione abandonou a mochila num canto, deitando sobre a grama, admirando as diversas formas e tonalidades das altas copas das árvores. Crookshanks divertia-se com as folhas que caiam sobre a água. Nenhuma sombra de preocupação passava mais por suas cabeças. Era impossível sentir-se preocupado, triste ou entediado num lugar como aquele.

Crookshanks percebeu que sua dona havia deitado sobre a relva e foi até ela, jogando-se de barriga para cima e apoiando a cabeça no colo da menina, que riu pelo gato se deitar como ela e ficar olhando para cima.

_Você é mesmo muito engraçado, gatinho... daqui a pouquinho vamos comer, já que nem tomamos café da manhã ainda... vamos passar o dia inteiro aqui e mais tarde a gente vê se encontra Harry e Rony por aí.

O gato respondeu com um miadinho, fechando os olhos em seguida. Era um ótimo lugar para dormir: fresquinho e silencioso.

*

Longe dali, não muito tranqüilos, estavam Rony e Harry, que a essa altura já haviam se esquecido do encontro que teriam no 3 Vassouras. Estavam furiosos com Draco Malfoy, por tê-los metido numa bela encrenca. Temiam e tinham certeza que boa coisa não sairia daquela conversa com Mcgonagall. Estavam ainda mais irritados em acharem que Malfoy teria saído ileso dessa, por causa do idiota do Snape. Mas Rony não estava enrubrecido da cabeça aos pés apenas por causa disso, também estava preocupado com a suposta ameaça de Draco.

_Ainda estou encanado com aquela conversinha do Malfoy... o que ele quis dizer para você prestar atenção se seus amigos correm perigo?

_Apenas uma ameaça idiota e gratuita, como tudo que costuma vir de Draco Malfoy. Vai me dizer que você ainda tá preocupado com isso, Rony?

Rony parou, colocando-se em frente a Harry. Ele realmente estava apreensivo, o que demonstrava claramente em sua expressão.

_Harry! Esqueceu o que aconteceu logo cedo, entre a Mione e Malfoy? E se ele estiver aprontando alguma para ela? A Mione tá lá sozinha no meio do mato! Se acontecer alguma coisa a ela, não terá ninguém para ajudar! Aquilo lá ficar deserto a maioria do tempo!

_Mas, Rony... Malfoy está por aqui e ele nem deve saber onde a Mione se meteu, pode achar até que ela voltou pra escola depois daquela ceninha dele...

_Você tem certeza do que tá dizendo? Acredita mesmo nisso? Malfoy é vil, peçonhento, sonserino! Acha mesmo que ele não aprontaria para a Mione?

_Tem razão! Então vamos procurá-la! Diremos a ela que aceitamos o convite para o piquenique, não precisamos aborrecê-la com essa história, ok?

_Falô! Vamos nessa então!

*

Snape andou por todos os lados possíveis de serem freqüentados pelos alunos. Procurava por lugares onde atraiam mais a atenção de meninas, como lojas de vestiário, perfumaria, joalheria. Acabava de sair da livraria de Hogsmeade e não havia encontrado qualquer indício da Srta Granger. Estava furioso e exausto da procura. Cogitava abandonar a garota a própria sorte, afinal, ela já se metera em tantas agruras acompanhadas de seus amigos irresponsáveis, que saberia como lhe dar com uma situação de perigo, ainda mais se tivesse que enfrentar uma única pessoa...

_O que você está pensando, Severus... ela é só uma criança e está sozinha! Talvez ela não tenha muitas chances contra um comensal! Maldito Draco! O que passa na cabeça daquele moleque para pagar um comensal para... meu deus! Preciso encontrar essa menina! Aquele homem irá barbarizá-la!

Severus andava a passos largos sem prestar atenção ao seu redor. Se não havia encontrado a Srta Granger no centro comercial, talvez devesse procurá-la em local mais afastado. Havia uma praça no povoado onde muitos casais costumavam ir, afastando-se do tumulto para um pouco de privacidade. Intimamente torcia para que a garota estivesse acompanhada de alguém, isso poderia até desencorajar a ação do comensal. Estava tão distraído com suas hipóteses, que não percebeu e esbarrou em alguém, derrubando pacotes ao chão.

_Oh, perdão senhorita! – Snape abaixava-se para pegar os pacotes do chão. Lilá se encolheu ao ver em quem esbarrou na sua amiga, esta, por sua vez, abriu um largo sorriso, um tanto provocante.

_Não se preocupe, professor. Não foi nada. Eu também estava muito distraída.

Snape apenas assentiu e saiu sem outras respostas. Lilá e Parvati notaram que o professor estava muito estranho. Parvati, que tinha uma queda TAMBÉM por Snape, não queria perder a oportunidade de trocar mais algumas palavras com ele fora daquele ambiente de escola e, talvez ser-lhe útil... afinal, para tudo precisa-se de um começo.

_Prof Snape... está tudo bem com o senhor? O senhor parece preocupado, se pudermos ajudar em algo...

Lilá levou as mãos à boca, com olhos arregalados para Parvati. Será que a amiga estava surtando também?

Snape parou e virou-se, fitando por breves instantes as duas garotas. Não era hora para ser orgulhoso, precisava de informações.

_A Srta Granger? Sabem onde ela se encontra?

As duas meninas olhavam uma para a outra. Definitivamente, não era essa resposta que Parvati esperava ouvir.

_O que, professor?

_A Srta Granger, onde ela está? Dois alunos de sua casa aprontaram e a Srta Granger, sendo a monitora-chefe, precisa tomar algumas providências!

Mesmo achando aquilo estranho e se aborrecendo por ter se lembrado da existência da Granger, Parvati responde com certo mau modo.

_Ah, sim, Granger... não sei ao certo, mas parece que ela foi acampar ou qualquer coisa que o valha. Parece que ouvimos Rony e Harry reclamando algo, de que a Granger preferiu ficar no meio de casas e mato ao invés de ficar com eles... é, acho que é isso.

Snape cogitou a possibilidade por alguns instantes e era aquilo que ele havia imaginado, não encontrando a Srta Granger em nenhum lugar do centro. Virou-se e seguiu seu caminho, sem dizer qualquer palavra a mais para as duas garotas, que ficaram olhando-o partir, atônitas.

*

Hermione estendia a canga no chão, onde preparava os lanches que iriam comer. Crookshanks apenas observava curioso os movimentos da dona, que parecia muito contente. Mas o silêncio e a tranqüilidade do lugar foi rompida por um estalo alto e forte, como se algo se arrebentasse no ar. Com o susto, Hermione deixou cair uma garrafa com suco, molhando a canga e parte dos comíveis. Buscou por sua varinha para limpar aquela bagunça e depois procurar saber de onde viera tal barulho, quando foi alertada pelo gato, que se ouriçou todo e soltava silvos baixos. Hermione sentiu seu coração gelar quando ouviu uma voz grossa e tediosa lhe falar. Alguém havia aparatado ali, neste momento.

_Uma mocinha tão linda como você não deveria ficar num lugar tão isolado como esse... pode ser muito perigoso, princesa!

Hermione armava-se, mas estava tremula pelo susto e pela tensão. Se fosse menos ingênua, teria acertado o homem naquele instante, mas a menina não tinha a maldade ou destreza necessária para isso.

_O que você quer? Se chegar mais perto eu...

_Você o quê, sangue-ruim? EXPELLIARMUS!

Um raio dourado saiu da varinha do sujeito, acertando Hermione no peito e jogando-a para trás, enquanto sua varinha voa até as mão do homem. Crookshanks corre até sua dona, para certificar-se que ela está bem.

*

Enquanto isso, Rony e Harry correm pelas ruas calçadas de pedras irregulares, cercada de casas e árvores. Ambos estão com mau pressentimento e estão apreensivos. Resmungam o tempo inteiro algo como "Onde está a Mione?" ou "Por que não viemos junto com ela?". Eles param próximos a uma casa feita de pedras, para tomarem fôlego, pois estavam correndo desde que saíram do centro, há quase um quilometro, pelo menos.

_Nós não podemos parar Harry! E se a Mione estiver em perigo?

_Eu sei, Rony! Eu sei! Mas nem vimos sinal dela ainda! A Hermione pode estar em qualquer lugar! Não parece, mas Hogsmeade é grande, entende?

Enquanto recuperavam o fôlego, uma velhinha saia no portão de uma casa próxima, carregando uma cesta de batatas que estava descascando. Muito sorridente, dirigi-se aos meninos.

_Olá, mocinhos! Estão procurando pela mocinha de cabelos encaracolados?

Harry arregala os olhos e se adianta, quase levando as mãos aos ombros da velhinha para chacoalhá-la.

_Sim, sim, estamos! A senhora a viu? Sabe onde está?

_Sim... é uma ótima menina, muito boazinha mesmo...

_É, é, é sim! Mas a senhora sabe onde ela está? Por favor! Talvez ela esteja em perigo!

_Oh! Mas quem faria mal a uma mocinha tão graciosa como ela?

_Alguém muito mau, senhora! – Rony chegou junto, agarrando os ombros da velhinha miúda, que o olhou assustada. _Diga onde Hermione está! Para onde ela pode ter ido!

_Por Merlin! Isso pode mesmo acontecer? Oh, não, pobre menina...

_Vamos embora, Harry! Essa velha não sabe de nada!

Harry e Rony quase voltavam a correr quando a velhinha gritou para eles numa voz esganiçada e quase falhando!

_Eu sei, sim, jovens petulantes! A mocinha deve estar próxima ao rio! Ela disse que faria um piquenique lá!

_E onde fica esse rio? – perguntava bravio, Harry.

_Deixa, eu sei onde fica! Vamos logo! – Rony o puxava pela manga da camiseta.

A velhinha ajeitava a cesta ao corpo, muito embravecida com os dois garotos, entrando para sua casa.

_Jovens mal-educados! Que petulância! Não sabe tratar uma velha bruxa? Ah seu eu estivesse com minha varinha aqui...

*

Ao ser jogada para trás pelo feitiço expelliarmus, Hermione se machuca um bocado nos braços. Crookshanks mira enraivecido o homem, que se aproxima lentamente com um sorriso de escárnio no rosto parcialmente coberto por um capuz. O gato põe-se em posição de ataque e solta altos silvos em sua direção. O homem apenas gargalha com aquela cena patética. Hermione procura por coisas no chão para tentar se defender, mas tudo que encontra são pequenos galhos podres e algumas pedras polidas, também pequenas.

_VAI PRO INFERNO! – Hermione atira uma pedra, que acerta na boca do homem, fazendo-a sangrar. _SAI DAQUI SHANKS! BUSQUE AJUDA!

Crookshanks sabia que muito pouco poderia fazer contra aquele homem que parecia ser quase duas vezes maior que um homem normal. Então desviou-se dele, a fim de buscar ajuda. Seu coração batia muito rápido que lhe doía as costelas! Sentia como se algo inflasse dentro de si, diante daquela situação horrenda: Hermione em grave perigo e a sua impotência em poder ajudá-la, estando ele preso naquele corpo pequeno e sem poderes mágicos. Hermione precisava fugir, precisavam ganhar tempo para encontrar ajuda!

Hermione havia se levantado, escondendo uma pedra nas mãos. Precisava fugir! Estava sozinha e sem sua varinha! O que aquele homem iria fazer com ela?

Vendo que Hermione estava em posição alerta, Crookshanks pôs-se a correr, desviando-se do homem que tentara chutá-lo. Mas ao ver que o homem alcançou Hermione em dois passos, ele estancou o movimento.

Quando o homem estava próximo de si, quase agarrando-a pelo braço, Hermione juntou toda a sua força e golpeou-o com a pedra, fazendo-o cair diante de si, com um jorro de sangue caindo de sua testa. Hermione tentou escapar, mas ao pular sobre o homem que impedia seu caminho, este agarrou-a pela barra da calça fazendo-a cair, machucando-se muito na queda sobre os galhos de árvore e pedras.

O homem agarrou-a pelos braços virando-a para cima e montando sobre ela. Ele apertava tanto seus braços que sentia que poderia quebrá-los.

_Ah, leoazinha selvagem, heim? É por isso que me pagaram tão bem para brincar contigo!

Não ouve tempo para resposta. Crookshanks voou com garras e presas sobre a cabeça do homem, cravando suas garras dolorosamente em seu rosto! O que ele queria era acertar o pescoço do maldito, se conseguisse rasgar a jugular do sujeito, não teriam mais o que temer. Mas seu corpo estava muito bem protegido pela veste de tecido rústico e grosso, mesmo assim, o gato fez um belo estrago no homem, acertando-lhe um dos olhos.

O homem urrou de dor, agarrando Crookshanks e jogando-o para longe, rasgando ainda mais sua própria pele do rosto. O gato caia de pé, quando se preparava para nova investida. Mas o homem era muito rápido em suas reações e apontou a varinha para o bichano:

_AVADAKEDAVRA!

_HARRY! Você ouviu isso?

_AH, meu deus! Alguém.. alguém gritou a kedavra?

Os dois garotos estancaram no movimento, olhando atônitos um para o outro. Os olhos de Harry enchiam-se de lágrimas... seria possível?

Snape, próximo à praça do vilarejo, sentiu um calafrio, sentiu como se um raio finíssimo atravessasse sua cabeça. Alguém havia usado uma maldição imperdoável, uma maldição das trevas. Sem pensar duas vezes, desaparata para o lugar onde supõe que seja.

Nunca subestime os reflexos de um felino, eles não seriam caçadores por excelência e o topo da cadeia alimentar se fossem fáceis de serem pegos. Crookshanks, que já estava em posição de ataque, desvia-se velozmente do raio verde que vinha em sua direção, acertando uma pequena árvore atrás de si, secando-a na hora. Preparava nova investida contra o homem, quando ouve Hermione gritar e se debater, tirando sua concentração.

_NÃOOO! SHANKS! MALDITO! SAIA DAQUI, DESGRAÇADO! – No mesmo momento em que grita, Hermione se debate furiosamente para escapar, mas o sujeito, muito mais forte que ela, agarra-a pelo pescoço, prensando-a contra o chão, enquanto mantém a varinha apontada para o gato.

_CRUCIUS!

Crookshanks, que havia se distraído com Hermione, é pego em cheio, caindo e se contorcendo em dores atrozes no chão forrado de folhas secas, miando alto e forte, de dor e agonia.

O homem larga sua varinha e leva a outra mão ao pescoço de Hermione, apertando-o ainda mais. Debruça-se sobre ela, olhando-a insandecidamente com um sorriso sádico no rosto rasgado e ensangüentado. Gotas de sangue caem sobre o colo e rosto da menina, que tenta lutar em vão contra o homem. O sujeito lhe apertava tão forte o pescoço que sentia que iria quebrá-lo e seu ar já começava a faltar.

_Muito bem pago é o caralho! Aquele Malfoy vai me pagar muito caro por isso! Agora, vagabunda, vai morrer lenta e dolorosamente! E terei o prazer de fazê-lo com minhas próprias mãos!

Crookshanks ainda estava caído no chão, sentindo seu corpo sofrendo de várias câimbras ao mesmo tempo, como se seus ossos fossem se quebrar a qualquer momento. Mas ao conseguir abrir os olhos viu algo que fez seu coração parar: Hermione havia sido estrangulada! Seu corpo estava inerte no chão. Aquele homem monstruoso dava risadas altas e esganiçadas, como se fosse um louco.

Ao ver aquela cena, Crookshanks sentiu-se caindo num abismo. Sua vista se turvou e sentia seu coração bater tão rápido que apenas ouvia suas próprias batidas. Seu sangue esquentou nas veias. Sua cabeça começou a latejar num turbilhão. Algo que estava inflando dentro de seu peito parecia que iria explodir naquele mesmo momento!

Harry e Rony chegaram naquele mesmo instante. Pararam estupefatos. Não conseguiam acreditar no que viam: Hermione morta no chão sob um homem vestido de farrapos e Crookshanks caído todo torto, logo próximo. Quando os dois caíram na real e foram correndo na direção de Hermione, uma forte pressão os impediu. Snape aparatava ali neste mesmo instante e também foi surpreendido pela pressão. Um redemoinho de nuvens negras formava em volta de Crookshanks, que espalhava folhas e galhos para todos os lados, atraindo a atenção de todos, inclusive do assassino.

_Isso é magia negra! Magia negra poderosa!

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Fim do Capítulo VIII – continua...
By Snake Eyes – 2004

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